Posted by: Nuno Gouveia | Outubro 7, 2007

Neoconservadores com Guiliani

Durante a invasão do Iraque, os neoconservadores ficarão conhecidos com um grupo que advoga o uso da força preventiva para proteger os Estados Unidos. A guerra do Iraque foi um dos expoentes máximos deste movimento, que defende políticas muito mais abrangentes das que o tornou conhecido, e também detestado. Um novo conservadorismo, defensor do poder benigno que os Estados Unidos devem representar no mundo, espalhando a liberdade e a democracia. Além de uma política externa intervencionista, este grupo advoga igualmente o afastamento de velhos dogmas republicanos, como o exagero apego à religião e valores sociais mais liberais. A base política desta corrente deriva mais do liberalismo do que da base conservadora. Irving Kristol, considerado um dos fundadores desta corrente, vinha da extrema-esquerda, como uma boa parte dos seus membros. Os neoconservadores começaram a ser notados na política americana em 1998, quando alguns pensadores do Project for a New American Century lançaram o desafio ao presidente Clinton para promover a mudança de regime no Iraque. Dentro dos signatários desta carta estavam destacados membros e conselheiros da Administração Bush, como Dick Cheney, Lewis Libby, Paul Wolfwitz, Zalmay Khalizad, Donald Rumsfeld, Jeb Bush, entre outros. Mais tarde, apoiaram também a intervenção no Kosovo promovida pelo Presidente Clinton.

O expoente máximo da sua influência foi a intervenção do Iraque, e por isso mesmo, os neocons não são bem vistos na política americana. Segundo Michael Hirsh, da Newsweek, Rudy Giuliani está rodeado de neocons na sua equipa de conselheiros. Norman Podhoretz, um dos membros mais proeminentes do movimento neoconservador está a trabalhar na sua equipa de política externa. Uma das suas ideias mais vincadas é que o mundo está a meio da IV guerra mundial contra os islamofascistas, e que Giuliani é o único que poderá vencer esta guerra. Giuliani tem promovido constantemente a defesa de uns Estados Unidos fortes, na ofensiva contra o terrorismo islâmico e na protecção de Israel. A similitude de ideias entre Rudy Giuliani e os neoconservadores tem colocado o ex. Mayor de Nova Iorque como o candidato preferido entre este segmento da direita americana. Mas depois dos problemas causados pelo Iraque, alguns analistas estão a colocar em causa esta estratégia proximidade. Na campanha para as primárias, esta ligação próxima com os neocons poderá trazer vantagens para obter a nomeação, mas poderá transportar problemas para uma fase posterior.

Apesar de haver muito debate sobre este assunto, considero que em política externa, apenas o Iraque irá dividir os candidatos republicanos e democratas. Se atendermos às posições dos diferentes candidatos, todos admitem a possibilidade de uma guerra contra o Irão, todos são defensores de Israel e todos dizem que irão continuar na ofensiva contra os terroristas islâmicos. A oratória em relação ao Iraque é que irá assinalar a diferença entre os candidatos. Se Hillary ou Obama irão defender uma retirada progressiva das tropas americanas do Iraque, o candidato republicano terá de fazer uma defesa da actual estratégia republicana no Iraque. Mas de resto, não contemplo grandes divergências entre os diversos candidatos. A verdade é que a retórica neoconservadora domina neste momento a política externa americana. Por isso não me parece que será por ai que Giuliani perderá votos.

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