A única experiência politica que Mitt Romney possuía antes desta campanha tinha sido no liberal estado do Massachusetts. Em 1994 concorreu contra Ted Kennedy e teve 41%, o melhor resultado que um candidato alguma vez teve, desde a década de 60, época na qual o irmão do Presidente Kennedy chegou ao Senado. Em 2002 foi eleito Governador do estado do Massachusetts, cumprindo apenas um mandato.
Ninguém com este currículo poderia, de modo algum, afirmar-se como a voz conservadora do Partido Republicano. Romney foi um moderado, defendendo os direitos dos homossexuais, o controlo do uso de armas e o direito ao aborto livre. A sua vida profissional no sector privado indica um homem de negócios com sucesso no competitivo mundo empresarial americano.
Esta imagem não condiz com a postura extremamente conservadora que adoptou nesta campanha. Mudou de posição em relação ao aborto e endureceu o seu discurso em relação à imigração. Tal como Rudy Giuliani, “encostou” demasiado à direita, quando o seu passado correspondia a um perfil moderado. E os eleitores não gostam de flip-floppers. A instabilidade de Mitt Romney acabou por se tornar decisiva.
A estratégia de Romney desde o início, suportada por muitos dólares, assentava em vencer os primeiros estados e ganhar um “momentum” para o resto das primárias. Investiu milhões de dólares, muito mais que os seus adversários, no Iowa e New Hampshire, mas não logrou conquistar nenhuma vitória. Mike Huckabee, um antigo pastor baptista, um verdadeiro conservador, “roubou” os votos a Romney e ganhou no Iowa com o apoio dos evangélicos. No New Hampshire, John Mccain regressou dos mortos e derrotou Romney. Na altura pensou-se que estaria definitivamente afastado da nomeação, mas logo a seguir ganhou no estado natal do Michigan e ganhou um novo fôlego. Mas a partir daí acumulou derrotas na Carolina do Sul, na Florida e terminou com a hecatombe eleitoral que representou a Super Terça-Feira para as suas aspirações presidenciais. Pelo meio ainda venceu estados de menor importância, como o Maine, Nevada e Wyoming. Mas nada lhe restava senão abandonar.
Romney não convenceu as pessoas, que desesperavam por um líder conservador que as inspirasse. A sua fé também o prejudicou entre a direita religiosa, que desconfia dos Mórmons. Os votos evangélicos acabaram por ir maioritariamente para Huckabee. Segundo alguns dos seus assessores, é possível que Romney regresse em 2012. Mas terá que mudar substancialmente de estratégia para persuadir o Partido Republicano. Não basta apelar ao sentimento conservador e aludir constantemente a Ronald Reagan. É fundamental ter convicção nos princípios e nos ideais. E foi isso que faltou a Mitt Romney em 2008.
Leituras:
Romney ends bid, eyeing 2012, Mike Allen e Jonathan Martin, Politico
Governor Romney, Hugh Hewitt, Townhall
Publicado em Candidatos Republicanos, Desistências, Mitt Romney


































