
Barack Obama terá ganho mais delegados na Super Terça-Feira. Este facto foi disfarçado pelas grandes vitórias alcançadas por Hillary Clinton em estados como a Califórnia, Nova Iorque ou Massachusetts. Mas a dinâmica ficou. Se semanas antes, as sondagens indicavam que Obama apenas venceria no Illinois e Michigan, e depois acabou por ficar também com o Missouri, Alabama ou Connecticut, isso implicava que a sua campanha estava em crescendo.
No passado fim-de-semana, Obama confirmou essa tendência ao ganhar Washington, Maine, Nebraska e Louisiana. Ontem conquistou Virgínia, Maryland e Washington DC. De realçar que estas vitórias foram todas bastante folgadas, quase todas com mais de 60% dos votos. Nestes estados, Obama venceu em quase todos os grandes grupos, como as mulheres, os brancos, os negros e até os latinos. Será que ainda é possível Hillary dar a volta a esta orientação?
Na política americana tudo é possível e este ano está a provar-nos isso. Hillary Clinton era a grande favorita para obter a nomeação Democrata. Perdeu no Iowa, mas passado uma semana obteve uma vitória, que na altura foi surpreendente, no New Hampshire. Pensou-se que o assunto poderia estar resolvido, pois Obama perseguia Hillary nos grandes estados da Super Terça-feira. Nas sondagens nacionais, também estava bastante atrás. O impensável aconteceu na semana anterior à Carolina do Sul, com alguns erros a serem cometidos por Hillary e Bill Clinton, que entregaram o voto negro a Obama. E tudo se precipitou a partir da vitória esmagadora de Obama na Carolina do Sul. Começou a subir nas sondagens e teve uma excelente Super Terça-Feira, apesar de não ter desferido nenhum golpe mortal. As recentes vitórias demonstram que continua a apoderar-se de uma dinâmica ganhadora. E isso é a primeira vez que acontece nestas primárias democratas, pois nenhum candidato tinha obtido tantas vitórias seguidas.
Hillary precisa rapidamente de reorientar a sua campanha. Os recentes despedimentos e desistências na sua organização são uma prova que nem tudo está bem. Ontem esteve no Texas, fazendo jus à estratégia ‘Giuliani’ que está a adoptar. Na próxima semana realizam-se primárias no Havai (aqui não vale a pena, pois Obama vai cilindrar) e no Wisconsin. Em vez de se concentrar já no Texas e Ohio, Hillary deveria disputar seriamente o Wisconsin. Sondagens recentes comprovam que ela pode ser competitiva aqui. Mas, tal como Giuliani, que poderia ter tentado o New Hampshire, Hillary está a conceder que só pode ganhar primárias no dia 4 de Março. Conforme fui repetindo aqui sobre Giuliani, será que ela vai aguentar um mês de derrotas contra Obama?
Barack Obama está onde, se calhar, não sonhava ainda há poucos meses. Tem o tal “momentum” que ambicionava, as sondagens indicam que vai continuar a crescer e começa a surgir aos olhos de muitos democratas com o candidato certo para Novembro. Utilizando uma gíria muito comum nos treinadores de futebol, Obama ainda não ganhou nada. Mas ir na frente é melhor que seguir nas traseiras do líder. Se não cometer muitos erros e continuar a manifestar este crescimento efectivo nas mulheres, nos latinos e nos Blue Collar Workers, será o opositor de John Mccain em Novembro.
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