Posted by: Nuno Gouveia | Fevereiro 21, 2008

* Obama plagiou? Não interessa…

Na década de 60 John Kennedy e Martin Luther King mudaram a face da América com os seus poderosos discursos. Mais do que as acções, foram as palavras destes dois homens que provocaram as mudanças sociais da época.

Barack Obama tem sido considerado o descendente directo de John Kennedy e do seu irmão Robert Kennedy, no imaginário do Partido Democrata. Tal como os irmãos Kennedy, Obama consegue inspirar quem o ouve através dos seus dotes oratórios. Há quem diga que os seus discursos vão também beber aos ideais de Martin Luther King, mártir da luta pelos direitos civis. A verdade é que há muitos anos, talvez desde os tempos de Ronald Reagan, que ficou conhecido como o «The Great Communicator», que não surgia na arena política americana alguém com esta capacidade de motivar e envolver as pessoas através do dom da palavra.

Um dos argumentos que têm sido utilizados por Hillary Clinton é que Obama não tem substância e que a sua campanha se resume à mensagem de mudança e esperança, mas que é desprovida de ideias e projectos políticos concretos. A autenticidade de Obama é muitas vezes questionada pelos seus adversários.

A notícia veiculada pelos media, induzida pela campanha de Clinton, que Obama teria plagiado um discurso de um apoiante seu, Deval Patrick, governador do Massachusetts, veio corroborar a tese crítica de Hillary Clinton. Num discurso proferido sábado, no Wisconsin, Obama utilizou palavras semelhantes às utilizadas por Patrick durante a sua campanha de 2006. Apoiantes de Hillary Clinton acusaram Obama de plágio, mas o candidato democrata defendeu-se ao afirmar que é amigo de Deval Patrick e que os dois têm trocado ideias, sendo natural que haja alguma consonância nos seus discursos.

Esta acusação é importante, porque a oratória de Obama é um dos temas essenciais nestas primárias. Os discursos inspiradores de Obama têm sido mote de milhares de notícias pelo mundo fora. Os analistas políticos americanos defendem que um dos fundamentos do sucesso de Obama reside nos seus discursos. Mas, agora que a sua originalidade é questionada através de uma acusação de plágio, poderá estar em perigo a candidatura?

Em 1988, o Senador Joe Biden estava lançado na corrida pela nomeação Democrata, mas descobriu-se que andava a plagiar discursos do líder trabalhista britânico, Neil Kinnock, e foi forçado a abandonar. Os casos não são, contudo, idênticos. Pelas reacções que fui lendo dos comentadores americanos, esta acusação não têm tido o eco que a campanha de Clinton desejaria. Karl Rove, antigo assessor de George W. Bush, considerou que Obama foi apanhado a copiar, mas a generalidade dos opinion makers avaliou esta denúncia sem extrair dela grande relevância política. Isto explica-se pelo momentum de Obama e também pelas recentes vitórias eleitorais, que ofuscaram por completo esta notícia na agenda mediática.

Como tem defendido a campanha de Hillary Clinton, Obama não tem sido, de facto, escrutinado pelos media como outros candidatos presidenciais. E este episódio mostra que os investigadores da campanha da senadora Clinton vão estar mais atentos a possíveis erros do seu principal opositor. Se não houver novos desenvolvimentos, o caso não trará sequelas. Apenas um escândalo de graves proporções poderá deter o grande momento que o senador do Illinois está a viver nestas primárias.

* Artigo escrito para o Portugal Diário

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[...] atacou Obama por ter utilizado palavras semelhantes à Deval Patrick. A polémica está aqui explicada. Esta coincidência pode e deverá ter acontecido por acaso, mas a sua campanha deveria ter mais [...]

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