Barack Obama parte para as primárias de amanhã com mais 110 delegados, segundo a contagem do Real Clear Politics. Nas eleições de amanhã vão estar em jogo 436 delegados e Hillary Clinton precisa de obter vitórias redundantes para recuperar este atraso substancial que detém. Mas as suas perspectivas não são nada boas, depois das últimas 10 derrotas consecutivas. Quando ainda há duas semanas tinha vantagens de dois dígitos no Texas e Ohio, os mais recentes estudos de opinião indicam que os dois candidatos estão em empate técnico. Hillary a liderar no Ohio e Obama no Texas.
O cenário que considero mais plausível é que Hillary ganhe no Ohio e Rhode Island, enquanto Obama fique com o Texas e Vermont. Em termos práticos, isto pouco irá mudar o actual panorama na contagem de delegados, o que ampliará ainda mais a vantagem do Senador do Illinois. Se na Quarta-Feira, Obama mantiver uma superioridade perto dos 100 delegados, Hillary irá sofrer muitas pressões para abandonar a corrida. No passado fim-de-semana, foram vários os Democratas a referirem esta possibilidade, como o antigo candidato presidencial Bill Richardson.
Hillary pode vencer o Ohio, Rhode Island e Texas (o Vermont irá mesmo para Obama), e caso isto aconteça, a Senadora de Nova Iorque vai competir até ao fim pela nomeação Democrata. Mesmo que não consiga recuperar muito na contagem de delegados, a sua candidatura irá defender que conseguiu deter o momentum de Obama e que irá lutar pela conquista de cada delegado. Esta é uma previsão perfeitamente possível, pois nos últimos dias notou-se nas sondagens que o crescimento de Obama foi interceptado por um novo vigor, mais agressivo, da campanha de Hillary Clinton. Os Republicanos estão a sonhar com esta possibilidade, pois isto iria conservar a competitividade durante mais algum tempo no lado Democrata. Relembro que John Mccain deverá ganhar amanhã todas as primárias e assumir-se como o real candidato Republicano (deverá chegar perto ou ultrapassará o número mágico dos 1191).
A possibilidade mais inverosímil neste momento é Obama arrumar com a questão amanhã, com vitórias no Texas e Ohio. Esta não é a minha aposta. Nos últimos dias, a máquina eleitoral dos Clinton esteve muito activa nestes estados, com uma agenda mediática extremamente forte nos poderosos canais de comunicação americanos. Anúncios negativos (que são sempre eficazes neste tipo de eleições), aparecimentos em populares programas de televisão (Saturday Night Live e Jon Stewart), estrelas a puxar por Hillary (Jack Nicholson por exemplo), foram algumas das tácticas utilizadas por Clinton, que talvez tenham tido eficácia. Se há pouco tempo a tendência das sondagens indicavam que Obama iria ultrapassar Clinton no Ohio e Texas, nos últimos dias notou-se que a reacção de Clinton conseguiu parar esta tendência. E por isso acho difícil que Obama ganhe em ambos os estados. O Texas talvez, mas o Ohio, muito dificilmente. Por isso, não aposto neste cenário.
A única certeza que podemos ter é que vai ser uma noite eleitoral muito interessante, com muito debate e spin de ambos os lados, mas com Obama a continuar a liderar na contagem dos delegados no final. Se isso dará para deixar Hillary K.O., muito provavelmente não.
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