Os manuais políticos norte-americanos indicam que o próximo Presidente deverá ser oriundo do Partido Democrata. O cargo presidencial oscila, desde os primórdios do século XIX, entre Republicanos e Democratas. Apesar terem existido vários casos em que um dos lados conseguiu manter a Casa Branca por mais de dois mandatos, a história recente diz o contrário.
O Partido Republicano é de longe o que teve períodos mais longos na Casa Branca. Entre 1860 e 1884, o GOP manteve presidência, com Abraham Lincoln, Andrew Johnson, Ulysses Grant, Rutherford Hayes e James Garfield. Entre 1896 e 1912, foram presidentes William Mckinley, Theodore Roosevelt e William Howard Taft. Mais tarde, entre 1920 e 1932, o GOP colocou na Casa Branca Warren Harding, Calvin Coolidge e Herbert Hoover. Mais recentemente, apenas entre 1980 e 1992, os republicanos conseguiram vencer três presidenciais seguidas, com Ronald Reagan e George H. Bush.
O Partido Democrata nunca conseguiu dominar a presidência dos Estados Unidos por extensos períodos, excepção ao domínio entre 1932 e 1952, com Frank D. Roosevelt (que foi eleito quatro vezes) e Harry Truman. Temos de recuar aos tempos da sua fundação para encontrarmos outro exemplo que tenha lugar nesta argumentação: entre 1828 e 1840, com Andrew Jackson e Martin Van Buren.
Estes dois pequenos apontamentos históricos fazem-nos recordar que os eleitores dos Estados Unidos gostam de alternar de partido, e quando não o fazem, é mais provável que o façam no lado republicano. Na era moderna da vida política americana (e eu considero os últimos 50 anos) apenas George H. Bush conseguiu vencer depois de oito anos de um presidente do seu partido. Mas importa aqui ressalvar que os índices de popularidade de Ronald Reagan no final do seu mandato eram elevados e o adversário democrata, Michael Dukakis, foi devastado por uma série de incoerências do seu passado político. Não era um grande candidato contra o na época Vice-presidente George Bush. Um adversário perigoso teria sido Gary Hart, mas foi obrigado a desistir depois do escândalo matrimonial que o afectou. Se recuarmos ao tempo em que isso aconteceu pela penúltima vez, neste caso no Partido Democrata, temos um Harry Truman, que na altura era presidente, a vencer umas eleições em 1948 contra Thomas Dewey, o que constituiu uma grande surpresa e que de modo algum era esperado.
Em 2008, depois de oito anos da Administração W. Bush, é muito provável que sejam os Democratas a ganharem as eleições. Certamente, o facto de termos Barack Obama, Hillary Clinton e anteriormente, John Edwards, juntos a concorrer pela nomeação Democrata não é alheio a este facto. A história e, principalmente a conjectura actual, jogam a seu favor. Se não fosse o caso, certamente Barack Obama teria aguardado mais uns anos, e John Edwards não se teria lançado tão cedo novamente na corrida à Casa Branca. Apenas Hillary Clinton tinha mesmo de avançar este ano, sob pena de nunca mais lá chegar. Os Democratas mais fortes apostaram tudo em 2008. Bill Richardson e Joe Biden poderiam ter sido sérios candidatos noutras eleições. Do lado Republicano, veja-se que foi John Mccain, um moderado pouco considerado no seu partido, a ganhar a nomeação, e o anterior favorito era… Rudy Giuliani, um “liberal” de Nova Iorque, como é conhecido na base mais conservadora do partido.
Uma visão histórica e acrítica diz-nos que a conjectura aponta para uma vitória Democrata, independentemente do nome dele. Um triunfo Republicano só se poderia explicar por uma conjugação de factores: candidato de grande qualidade (que me parece o caso), situação económica favorável (não vai acontecer), clima de política externa positivo (a situação no Iraque terá que melhorar mais ou teria de haver um grande sucesso: prisão de Bin Laden, por exemplo), um presidente popular (Bush tem índices de popularidade muito baixo, parecidos com os de Truman, Nixon e Carter, quando abandonaram o cargo), grande divisão no Partido Democrata (isto é precisamente o que estamos a assistir), erros estratégicos graves nos adversários (até ao momento já foram cometidos vários) e grande união do Partido Republicano (Mccain terá de convencer os mais ortodoxos a envolverem-se, da forma como fizeram com George W. Bush). John Mccain não reúne todos estes argumentos, mas analisando estas ideias podemos concluir que o Senador do Arizona tem uma hipótese. Mas a aposta vai inteiramente para os Democratas.




































Conforme previsto, Obama venceu hoje o caucus de Wyoming:
Obama 59% (7 delegados)
Hillary 40% (5 delegados)
Segundo o RealClearPolitics, Obama passa a ter 1588 delegados contra 1465 delegados de Hillary. Uma vantagem de 123 delegados quando começa a faltar cada vez menos estados para Hillary recuperar a desvantagem.
Na próxima terça-feira, teremos as primárias de Mississippi, com 33 delegados em jogo, e Obama deverá ampliar a sua vantagem.
Depois teremos mês e meio sem votações até à votação na Pennsylvania (158 delegados), e se é verdade que Hillary joga tudo nesse estado, não acredito que os Democratas queiram esperar mais um mês e meio até nomearem o seu candidato.
Muitas pressões vão existir no interior do partido para fazerem Hillary desistir, caso seja derrotada no Mississippi, até porque, mesmo que recupere alguns delegados na Pennsylvania (onde lidera todas as sondagens) teremos as primárias do North Carolina (115 delegados) duas semanas depois, onde Obama lidera as sondagens e poderá recuperar os delegados perdidos na Pennsyvania…
Curioso ainda que, segundo o RealClearPolitics, a desvantagem de Obama quanto aos Super-Delegados seja apenas 32 (210 contra 242) quando essa desvantagem chegou a ser superior a 100 Super-Delegados. Isto apesar de trezentos Super-Delegados ainda não terem expresso a sua decisão de voto…
Por: P. Lourenço em Março 9, 2008
às 12:46 am
Obama vai ganhar a corrida dos Delegados eleitos. Isso não há dúvida. Se Hillary Clinton for a nomeada, o que é perfeitamente possível, os Republicanos poderão sorrir. Claro que se isso acontecer, irá incluir Obama no seu Ticket, mas isso seria considerado uma verdadeira “chapelada”.
Mas eu acho que ela não vai sofrer grandes pressões. O Partido Democrata já está preparado que irá continuar até à Pennsylvania. Não será muito positivo, mas penso que é o que vai acontecer
Por: Nuno Gouveia em Março 9, 2008
às 5:47 pm
Espero que tenham razão
Seja como for, os 45 dias que distam até ao próximo dia eleitoral, serão fundamentais para vitória democrata em Novembro próximo. Mccain ficaria com um espaço manobra incrível se não tiver um adversário que lhe faça frente.
Por: Pamem em Março 9, 2008
às 5:48 pm