Posted by: Nuno Gouveia | Março 13, 2008

Comentários

Um dos aspectos mais gratificantes deste blogue têm sido os comentários de grande qualidade que recebo, e que por vezes, acrescentam muito ao que vou escrevendo. Como nem toda a gente tem por hábito ler a parte reservada aos comentários dos leitores, aqui ficam dois recentes, de José Gomes André e P. Lourenço.

José Gomes André:

Parabéns pelo blogue, que tenho seguido atentamente.

A estratégia de Hillary parece assentar em 2 pontos essenciais: a) desgastar o adversário, convencendo os superdelegados que ela é a mais capaz para ocupar a Presidência; b) vencer o voto popular (já que em delegados é impossível ultrapassar Obama).

O primeiro ponto depende muito do que acontecer nas próximas semanas, mas Obama tem mostrado até aqui uma capacidade notável para resistir a todas as estratégias negativas. Nem o golpe genial do “dream ticket” (por parte da campanha de Hillary) parece ter diminuído a sua dinâmica de vitória, que se tem mantido constante desde o Iowa.

O segundo ponto depende em boa parte, como dizes, do Michigan e da Florida. Mas mesmo aí penso que será difícil. Com possibilidade de fazer campanha nesses Estados Obama poderá recuperar alguma desvantagem. As sondagens no Michigan apontam para um empate técnico e mesmo na Florida a diferença rondará talvez os 15-20 pontos.

Além do mais, apesar da previsível derrota na Pensilvânia, Obama deverá compensar com triunfos no Oregon, Carolina do Norte e talvez no Indiana.

Em suma, penso de facto que Hillary tem hipóteses apenas residuais, embora pelo seu carácter e estilo político aposte na continuação da corrida, talvez esperando por um erro grave do adversário. Mas pelo que se tem visto até agora, Obama revela solidez q.b.

Um abraço e continuação de bons posts!

 

P. Lourenço:

Segundo o RealClearPolitics, neste momento, Obama lidera em delegados com uma vantagem de 127 (1614 contra 1487 de Hillary) e em votos populares com uma vantagem de 702 mil votos (13.278.372 contra 12.576.210 de Hillary).

A nível de delegados parece-me que não perderá a liderança, mas a nível de votos não será difícil a Hillary recuperar a desvantagem, pois a maioria dos estados em falta são teoricamente favoráveis a ela. Por exemplo, na Florida, caso seja repetida as primárias, Hillary venceu em Janeiro com uma vantagem de 300 mil votos, que anularia a desvantagem para metade só nesse estado.

O facto a reter é que Obama, para além de levar vantagem significativa em vitórias nas primárias, consegue sempre expressar essas vitórias por diferenças superiores a Hillary:

Mississippi (+ 23,6%)
Wyoming (+ 23,6%)
Vermont (+ 20,8%)
Democrats Abroad (+ 33,3%)
Wisconsin (+ 17,3%)
Hawaii (+ 52,4%)
Virginia (+ 28,2%)
Maryland (+ 24,9%)
District of Columbia (+ 51,5%)
Louisiana (+ 21,8%)
Nebraska (+ 35,4%)
Virgin Islands (+ 82,3%)
Illinois (+ 31,9%)
Georgia (+ 35,3%)
Minnesota (+ 34,2%)
Missouri (+ 1,4%)
Colorado (+ 34,2%)
Alabama (+ 14,4%)
Connecticut (+ 4,0%)
Kansas (+ 48,2%)
Utah (+ 17,4%)
Delaware (+ 11,1%)
North Dakota (+ 24,6%)
Idaho (+ 62,3%)
Alaska (+ 50,5%)
South Carolina (+ 28,9%)

Ou seja, das 26 vitórias, só o Missouri e o Connecticut foram por margens mínimas, tendo as restantes sido por margens avassaladoras…

Já a Senadora Clinton tem menos vitórias e por margens muito inferiores:

Texas (+ 3,5%) - e perdeu no caucus
Ohio (+ 10,4%)
Rhode Island (+ 18,2%)
California (+ 8,6%)
New York (+ 17,1%)
New Jersey (+ 9,9%)
Massachusetts (+ 15,5%)
Tennessee (+ 13,5%)
Arizona (+ 8,0%)
Arkansas (+ 43,8%)
Oklahoma (+ 23,6%)
New Mexico (+ 1,1%)
American Samoa (+ 14,7%)
Florida (+ 16,9%) - não contou para os delegados
New Hampshire (+ 2,6%)

Penso que, apesar de Hillary ir vencer a maioria dos estados até final, dificilmente os vencerá por margens superiores a 10% ou 15%, quando necessitaria de vencer com margens de 30% ou 40 %…

 

 

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