Posted by: Nuno Gouveia | Março 28, 2008

My family’s not big on quitting

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Bill Clinton disse ontem uma frase que resume bem o estado de espírito da candidatura da sua esposa. “My family’s not big on quitting, you probably noticed that”, defendeu o antigo presidente num discurso a apoiantes. A longevidade na arena política americana explica-se pela qualidade evidente que ambos possuem, mas também pela resistência e persistência que demonstraram ao longo dos anos.

Em 1992, Bill Clinton esteve perto da derrota nas primárias, mas venceu no New Hampshire, foi o candidato democrata e ganhou a Casa Branca. Em 1994 pensava-se que não teria hipóteses de ser reeleito, depois da vitória esmagadora dos Republicanos de Newt Gingrich. Venceu facilmente Bob Dole. Em 1998, depois do escândalo de Mónica Lewinski, também foi dado como morto pelos opositores, mas renasceu e saiu da presidência dos Estados Unidos com altos índices de popularidade.

Hillary Clinton também ela é um sinal de renascença. Em 2000 teve uma luta muito dura na eleição para o Senado contra Rick Lazio, mas acabou por vencer com relativa facilidade. Nestas primárias já foi considerada “morta” por três vezes, mas acabou sempre por permanecer na corrida. No New Hampshire as sondagens indicavam a vitória de Obama por 10%, mas derrotou o Senador do Illinois. Na Super terça-Feira chegou-se a pensar que iria perder a Califórnia, Massachusetts, e outros grandes estados, mas acabou por resistir. Não ganhou nos delegados, mas venceu onde era preciso. Já recentemente, os analistas chegaram a prever a vitória de Obama no Ohio e Texas, o que significaria o fim da sua campanha. Venceu ambas as primárias e ai está ela na luta pela nomeação.

O historial dos Clinton ensina-nos que eles nunca desistem. Enquanto houver esperança, eles mantêm-se em jogo e geralmente acabam por ser premiados com a vitória. Será que é desta que acaba a carreira política do casal mais bem sucedido na história da política norte-americana?

Responses

Gostaria mesmo que toda essa persistência surtisse feito…confesso que sou um simpatizante de Hillary Clinton e gostaria muito de vê-la na presidência, acho que as mulheres tem um sensibilidade própria pra governar e ela tem, além de ser forte onde precisa ser…Não estou dizendo que Obama não é bom, ele é, mas acho que poderia ter esperado mais, ele ainda é jovem e tem uma carreira toda pela frente, poderia ter sido vice dela e aprendido muitas coisas, mas enfim, se tratando de EUA o ego fala mais alto.E Hillary e Obama tem se mostrado mais teimosos que tudo.Vou até dar minha opinião(previsão) para Novembro, mesmo sabendo que está longe e tudo pode acontecer, pra mim

Obama será o candidato democrata e perde depois pra McCain.Isso por que ele não venceu em nenhum estado grande e quando o voto for pra todos, o fato dele ser negro vai pesar, tenho amigos americanos e eles são preconceituosos, e um que é democrata admira muito McCain e diz que se Hillary não for a candidata vai votar em McCain, enfim é só um palpite sem importância…

Caro Miguel

A sua previsão tem razão de ser, e no actual contexto (que pode mudar rapidamente) também se assemelha à minha. Mas… quando diz que “ele não venceu em nenhum estado grande ” isso poderá não querer significar muito. Veja a sondagem que hoje dei conta, onde Obama surge melhor colocado na Califórnia que Hillary. Blue States como Califórnia, Massachusetts, New Jersey ou Nova Iorque, que Hillary ganhou, deverão ficar sempre para o candidato democrata, seja ele qual for. A dúvida é ver quem terá mais possibilidades de ganhar os swing states. E aí, talvez concorde consigo que neste momento a melhor colocada será Hillary… Veja este post do João Jesus Caetano publicou no seu blogue (sempre muito bem informado da realidade americana)
http://goodnight-moon.net/politica/colegio-eleitoral/

Em relação ao preconceito, não conheço a sociedade americana. Conheço os estereótipos que são criados pelos media, quase sempre desfavoráveis em relação à realidade. A verdade é que acredito que um se há algum país onde um negro pode chegar à chefia do estado é nos EUA. Na Europa, realidade que conheço, seria impossível ter um Primeiro-ministro negro em Portugal, em Espanha, França, Holanda ou Inglaterra. Ao contrário do que se pensa, a questão racial é ainda mais polémica na Europa que nos Estados Unidos. Em relação ao Brasil, não posso opinar. Claro que gostava que a raça não fosse um issue, nos Estados Unidos ou em outro lugar do mundo. Infelizmente ainda o é.

Nuno
Dê uma Olhada nesse artigo de um correspondente da Folha de S. Paulo em Washington, Sérgio Dávila, sobre o comando da Campanha de Hillary e 2012…

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u386478.shtml

E essa foto da capa da mais recente edição da New Republic, que “juntou” digitalmente os rostos de Barack Obama e Hillary Clinton, ficou engraçado…

http://sergiodavila.blog.uol.com.br/

Uma teoria interessante a do artigo de Sérgio Dávila. Hoje li algo idêntico num site americano. Eu acredito que Hillary ainda pensa que tem hipoteses. E por isso não desiste. Os Clinton acreditam no seu papel fundamental na vida política americana e apenas se vão retirar quando não for possivel de vencer.

E não se pense que se Mccain vencer, os activistas dos Democratas irão perdoar a Hillary a sua contribuição para a vitória dos republicanos. Esta será a grande hipótese de Hillary chegar lá. Se não for este ano, não me parece que em 2012 poderá ter essa chance. Mas… nunca se sabe..claro..

excelentes posts

sem dúvida, o melhor blog em português a acompanhar as eleições nos EUA.

Parabens mais uma vez

PS - Go Clinton :)

Caro Acostal,

Obrigado. É bom ser reconhecido. Tento fazer o meu melhor, nem sempre com o cuidado que desejaria. Mas estou a dar máximo…

Cumprimentos

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