A maior vulnerabilidade de John Mccain é o Iraque. Será por ai que os Democratas irão tentar atingir a sua credibilidade nesta campanha eleitoral. Afinal de contas, os americanos são maioritariamente contra a presença de soldados americanos naquele país árabe e o candidato republicando defende o contrário. Mas os democratas também podem enfrentar problemas nesta questão.
Já aqui defendi que caso a situação no terreno evidencie sinais positivos, e os americanos forem convencidos que podem ganhar esta guerra, esta será uma questão difícil para Obama ou Clinton. Mas a questão que os democratas mais têm referido nos últimos dias é um puro erro estratégico. Por não ser verdade. Um soundbyte que até pode parecer eficaz, mas baseado numa meia verdade. Eu explico.
Durante a campanha para as primárias do New Hampshire, John Mccain disse que não se importaria de ter soldados no Iraque por 100 anos, se tal não significasse baixas ou perigo de combate. Deu os exemplos do Japão e Coreia, onde os Estados Unidos têm presença militar há mais de cinquenta anos. A lógica é imbatível: o problema não são as bases militares, mas sim se estão em zona de guerra. Desde o final da guerra do Golfo em 1991 que os EUA mantém bases militares no Koweit e não há polémica sobre tal na sociedade americana. Sendo a presença americana em diversas regiões do mundo um sinal de pacificação e de estabilidade, Mccain veria com bons olhos a permanência no Iraque. Foi isto que defendeu com os 100 anos no Iraque.
Ambos os candidatos democratas têm defendido até a exaustão este argumento, que já parece ser uma verdade assumida. Mas se continuarem a defender que Mccain quer estar em guerra durante 100 anos, não terão muita sorte. Charles Krauthammer, sobre este assunto, citou ontem a famosa frase de Lenine “ Uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”. Se calhar é nisso que os Democratas apostam. Eu aconselhava a arranjar melhores argumentos para combater Mccain. De preferência verdadeiros.


































