Uma das dificuldades de John Mccain vai ser o legado de George W. Bush (tema da contribuição de Joaquim Sarmento, convidado deste blogue). Concordo que não se pode julgar a acção de um presidente sem conhecer as suas consequências. A história é algo para outros julgarem mais tarde.
Mas o que desejo falar neste post é de outra coisa: a popularidade do presidente em final de mandato, que está ao nível de outros presidentes, como Jimmy Carter e Harry Truman. Este último, hoje recordado como grande estadista, mas que saiu da Casa Branca com um índice de impopularidade de 67%. Mas o baixo nível de popularidade, essencialmente provocado pela guerra do Iraque, será um dos problemas que John Mccain terá de enfrentar com “pinças”. Por um lado precisa do apoio dos republicanos mais conservadores (cerca de 30% do eleitorado), mas também necessita de conquistar outros 20%, constituídos por moderados e independentes, e que vão decidir o destino das eleições.
Os democratas têm referido por diversas vezes que Mccain procura ganhar o “3º mandato de Bush”. Mccain é um político rebelde no GOP e esteve várias vezes contra as políticas da actual Administração. O seu carácter independente poderá afectar as possibilidades de sucesso desta estratégia dos democratas. Ontem, durante uma acção de campanha Mccain disse que não está a concorrer sob o signo da presidência Bush.
“The point is, I’m not running on the Bush presidency, I’m running on my own service to the country, my own record in the House of Representatives and the United States Senate and my vision for the future”
Mccain diverge desta Administração em diversos assuntos, nomeadamente na questão de Guantanamo ou sobre o aquecimento global. Mas o seu problema é que na principal questão em que os americanos reprovam o presidente, partilha a mesma visão. Apesar de ter criticado os métodos de Donald Rumsfeld (e isto poderá salvar-lhe a candidatura), a verdade é que tem sido um fiel seguidor da política do presidente nesta questão.
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