Muito se tem falado das reais possibilidades de Hillary Clinton. Há quem diga, como se vê nos próprios comentários deste blogue, que Clinton não desistirá nunca e irá até à Convenção lutar pela nomeação. Eu, por ser cauteloso por natureza, abstenho-me de opinar. Penso que dependerá dos resultados que ela conseguir em Abril e Maio. Ela já mostrou que é obstinada e só mesmo quando for impossível de ganhar é que irá retirar-se da corrida. Talvez, se perder já na Pennsylvania e Carolina do Norte fique com essa sensação.
A estratégia de Hillary Clinton assenta em duas premissas fundamentais: obter o apoio da maior parte dos Superdelegados e “sentar” na Convenção de Denver os delegados de Michigan e Florida.
Howard Dean tem afirmado que está comprometido em alocar os delegados da Florida (210 delegados) e Michigan (156 delegados) à Convenção. Isto esbarra em muitos aspectos legais e éticos. Estas competições na altura foram consideradas por todos como “beauty contests”. Obama nem sequer constou dos boletins de voto no Michigan, e na Florida nenhum dos candidatos fez campanha, pois estavam proibidos pelo DNC. Se Clinton continuar a lutar pela nomeação até Denver, será difícil haver uma decisão legítima e, acima de tudo, ética, em validar estes resultados. Mas quem irá decidir esta questão é o Comité das Credenciais, que poderá revolucionar este processo eleitoral. Clinton tem dito várias vezes que está disposta a lutar até ao fim. E a verdade é que caso estes dois estados não estejam representados na Convenção, isso poderá significar entregar 44 votos eleitorais a John Mccain, sendo ambos os estados dois verdadeiros swing states. Bush deve a sua presidência aos votos da Florida em 2000 e no Michigan John Kerry venceu por 51-48 em 2004. Se os resultados das primárias forem validados, Hillary recupera 56 delegados a Obama, um número significativo por quem vale a pena lutar.
A questão dos Superdelegados também se afigura muito complicada para Hillary. Nos derradeiros meses, Barack Obama tem recuperado na contagem destes apoios, sendo que os últimos endorsements têm ido invariavelmente para o senador do Illinois. Margaret Campbell, do Montana, foi a mais recente a declarar o seu apoio a Obama, sendo o 69º Superdelegado desde a Superterça-feira a fazê-lo. Neste período, Hillary perdeu a grande vantagem que detinha nesta contabilidade. É uma tentação legítima das pessoas irem a atrás de quem vai à frente. É o que tem acontecido nesta corrida eleitoral. Com esta tendência acentuada das últimas semanas, será mesmo que é possível que aconteça uma reviravolta? Neste momento faltam cerca de 330 Superdelegados declararem a sua opção de voto. Para Hillary recuperar, teria de obter 2/3 destes apoios. Neste grupo estão incluídos cerca de 120 membros do DNC, 74 Congressistas, 19 Senadores e 6 Governadores, entre outros.


































