Hillary Clinton venceu de forma concludente a primária da Pennsylvania. Repetiu-se a história do Ohio, como já tinha alertado ontem. Clinton partiu com uma enorme vantagem nas sondagens, Obama recuperou e a certa altura parecia que poderia ganhar, mas nos últimos dias, Hillary volta a distanciar-se e vence por 10%. Esta vitória, mais que tudo, representa para um fôlego que ela desesperava para poder continuar a sonhar com a nomeação.
Em termos de números, Hillary recupera 14 delegados (dados CNN, mas ainda faltam atribuir 12 delegados) e cerca de 200 mil votos a Obama. Poderá não ser muito significativo, especialmente no caso dos delegados, mas é uma manifestação de força. Mais: apesar de só faltarem 9 eleições até 3 de Junho, Hillary mantém uma réstia de esperança de ainda poder ganhar no voto popular. Para isso acontecer, “apenas” necessita de vitórias esmagadoras em Indiana, Kentucky, Puerto Rico, West Virgínia e Oregon, e perder por poucos na Carolina do Norte e nos outros estados. Em termos de delegados, a sua esperança reside em inverter a tendência dos superdelegados apoiar Obama e começar a receber uma catadupa destes apoios.
A vitória de ontem vai ainda contribuir para o desafogo financeiro da campanha de Hillary, pelo menos até 6 de Maio. Ontem no seu discurso Hillary, tal como alguns dos seus apoiantes em entrevistas, fez referência ao hillaryclinton.com e à necessidade de angariar dinheiro. Na primeira hora, Clinton recebeu a contribuição de 500 mil dólares e é expectável que o fluxo vá continuar nos próximos dias. Apesar destas primárias já terem provado que o dinheiro não é tudo, Clinton vai ter dinheiro para competir com o “milionário” Obama.
O problema de Hillary é que é difícil vislumbrar de que forma ela poderá receber a nomeação. Será ela capaz de ganhar todas as eleições até ao final? Não. Montana, Dakota do Sul, Carolina do Norte, talvez Oregon deverão ser vitórias de Obama. E poderá haver mais vitórias para o seu lado. No final de Junho, em termos de delegados eleitos, a vantagem do Senador do Illinois deverá ser mais ou menos a mesma.
Hillary cometeu muitos erros entre Janeiro e Março, que contribuíram para a sua situação actual. A sua estratégia pós Superterça-feira foi desastrosa, e o seu sonho poderá ter terminado aí. As suas recentes vitórias no Texas, Ohio e Pennsylvania apenas poderão estar a atrasar o inevitável. Claro que o passado recente coloca também imensos problemas a Obama. E isso não deverá sair da cabeça dos Superdelegados ainda indecisos.
Tudo isto que escrevi antes poderá mudar se os delegados da Florida e Michigan entrarem nas contas novamente. (seria um grande escândalo, mas há membros da candidatura de Clinton que ainda sonham com isso).
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