Barack Obama não se declarou vencedor das primárias democratas ontem no Iowa, mas apenas por calculismo político. Os apoiantes de Hillary Clinton bem podem fazer o spin que quiserem, que estas primárias estão decididas. A única dúvida será o timing do abandono de Clinton.
Obama não quer hostilizar os apoiantes da sua adversária, e tem gerido esta relação com cuidado. Ontem, poderia ter perfeitamente ter-se declarado o vencedor, mas preferiu dizer que ganhou nos delegados eleitos e está “muito perto” de obter a nomeação democrata. Com os delegados obtidos ontem, já tem a maioria dos delegados eleitos, estando próximo do número mágico dos 2025 delegados. E que poderá obter já durante o mês de Junho, depois de realizadas as primárias do Montana, Puerto Rico e Dakota do Sul, bem como do apoio esperado de mais Superdelegados. A derrota expressiva no Kentucky foi compensada pela vitória de 16% sobre Clinton no Oregon. Podemos continuar a defender que Obama terá problemas na América tradicional e conservadora, que tanto vota democrata como republicano, mas a verdade é que é impensável que os restantes Superdelegados atribuam a nomeação a Clinton.
Ontem, Howard Wolfson esteve na CNN a falar nas possibilidades de Clinton ainda vir a ser nomeada. Que me desculpem os seus apoiantes, mas parecia mais o Ministro da Propaganda Iraquiano a falar quando os americanos estavam às portas de Bagdad. Tanto spin para enganar quem? Certamente que o staff de Clinton já está a preparar a retirada, e a utilização da Florida e Michigan no actual contexto já é surrealista. Obama é o nomeado.


































