
Esta campanha eleitoral promete basear-se nos temas em que os candidatos divergem. E se haverá muitos assuntos em que Obama e Mccain possuem fortes discordâncias, como no Iraque, na economia, na saúde ou nos impostos. Mas também existem temas onde a diferença de orientações é quase nula.
A começar por um dos assuntos que têm colocado George W. Bush nas más-línguas internacionais: a prisão de Guantanamo. John Mccain, um antigo prisioneiro de guerra, já prometeu que irá fechar essa instalação, transferindo os terroristas para prisões militares nos Estados Unidos. O uso do waterboarding, que não é considerada tortura pelos militares dos EUA, é também condenado por Mccain. Não será nesta matéria que Obama poderá atacar Mccain, pois as posições são coincidentes.
O mandato de George W. Bush ficará marcado pela tentativa de acordar com o congresso uma reforma sobre a imigração, que abriria caminho para a legalização dos 12 milhões de imigrantes ilegais. A lei foi reprovada no Congresso, com a oposição da maioria dos republicanos e de alguns democratas. Mas também não será aqui que haverá discrepâncias entre os dois candidatos, pois a lei denominava-se Mccain-Kennedy, e Barack Obama votou a favor dela.
O aquecimento global tem dividido republicanos e democratas no congresso. Foi a maioria republicana que não aprovou o Tratado de Kyoto, depois de um apressado Bill Clinton ter tentado fazê-lo passar nos últimos dias da sua Administração. Os republicanos têm constantemente estado contra os acordos internacionais, alegando que isso prejudica a economia americana. Mas John Mccain não concorda, e defende que devem ser efectuados esforços no sentido de o mundo agir em conformidade com esta ameaça, mesmo que imaginária. Neste assunto também não deverá haver lugar para grandes controvérsias entre os candidatos.
O financiamento de campanhas políticas é um assunto que divide republicanos e democratas. Em 2002, Mccain colocou o seu nome numa polémica reforma sobre o financiamento, e contra o seu partido, conseguiu aprovar no Congresso legislação que procura combater a importância do dinheiro na vida política. Nesta matéria, Obama também concorda com Mccain, mas não é certo que ambos os candidatos vão utilizar o financiamento público das suas campanhas para Novembro, como tinham defendido no passado.


































