Publicado por: Nuno Gouveia | Abril 4, 2008

Mccain em processo de recrutamento

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A escolha de um candidato a vice-presidente é um daqueles momentos decisivos. Boas ou más escolhas determinaram a história de muitas eleições, e mais profundamente ainda, das presidências. Apesar de ser quase irrelevante na governação diária da Administração (Dick Cheney é considerado o vice-presidente mais poderoso da história americana, pelo seu poder de influência nas políticas do presidente), mas este é um cargo muito cobiçado e extremamente importante para os candidatos a presidente.

Vice-Presidentes importantes dos últimos 60 anos

George H. Bush deve ter-se arrependido de ter escolhido Dan Quayle, que foi provavelmente o vice-presidente mais “caricaturado” pelos media. Certamente terá prejudicado a recandidatura do pai do actual presidente. Já antes, o também desgraçado presidente Richard Nixon ter-se-á lamentado por ter escolhido Spiro Agnew, que foi obrigado a demitir-se da vice-presidência por corrupção, sendo o seu sucessor Gerald Ford, um político honesto e integro, mas com pouco jeito para o cargo. Acabou por ser presidente depois da resignação de Nixon, mas perdeu as eleições presidenciais de 1976 contra Jimmy Cárter.

Na história dos últimos 60 anos tivemos outros casos de vice-presidentes que chegaram à Casa Branca. Harry Truman chegou primeiramente à presidência depois da morte de Frank D. Roosevelt. Richard Nixon foi o parceiro de Dwight Einsenhower nos oitos anos em que esteve na Casa Branca, tendo depois sido derrotado em 1960 por John Kennedy. Não desistiu e venceu as renhidas presidenciais de 1968 contra Hubert Humphrey, que na época era vice-presidente de Lyndon Johnson. Este, por sua vez, era um poderoso senador do Texas quando foi escolhido por John Kennedy para seu companheiro no Ticket democrata. Não era propriamente um aliado do clã dos Kennedy, mas acabou por herdar a presidência, após o assassinato de JFK. Mais recentemente, dois antigos vice-presidentes democratas foram derrotados em eleições presidenciais: Walter Mondale em 1984 e Al Gore em 2000.

Nomes na shortlist de Mccain?

Como se viu neste pequeno esboço histórico dos últimos vice-presidentes proeminentes, facilmente percebemos a importância desta escolha. John Mccain abordou ontem esta questão, dizendo que já tem uma shortlist de nomes de onde vai sair a sua escolha. Mccain defendeu a importância desta selecção, afirmando que a sua opção deverá ser conhecida antes da Convenção Republicana, que se vai realizar em Setembro, em Minneapolis.

Nas últimas semanas muitos têm sido os nomes ventilados. Os mais falados são: os governadores do Minnesota, Tim Pawlenty, Charlie Crist, da Florida, Mark Sanford, da Carolina do Sul, Haley Harbour, do Mississippi ou Jon Huntsman, Jr. do Utah; antigos governadores como Tom Ridge, da Pennsylvania, Mike Huckabee, do Arkansas ou Mitt Romney, do Massachussets, também antigos candidatos presidenciais. A lista de nomes é tão vasta que inclui ainda políticos com experiencia em cargos federais, como Rob Portman, do Ohio e Condoleezza Rice, actual Secretária de Estado. Senadores como Tom Coburn, de Oklahoma, Kay Bailey Hutchison, do Texas, ou o próprio amigo e companheiro de Mccain, Joe Lieberman. Congressistas como Marsha Blackburn, do Tennessee ou Mike Pence de Indiana. Antigos congressistas com Chris Cox, da Califórnia ou John Kasich, do Ohio.

A lista é infindável e alguns deles eu nunca tinha ouvido falar, confesso. De qualquer forma, nas próximas semanas/meses vamos ler muitos artigos de opinião de republicanos a fazerem o seu caso por alguns destes nomes. Hoje li dois artigos a apresentarem o seu caso por Tom Coburn e Mark Sanford. Recentemente lembro-me ainda de ler textos em nome de Tim Pawlenty, Mitt Romney, Charlie Crist e Condi Rice.

O desfile vai continuar até Agosto. O que me parece é que Mccain ainda deve estar à espera de saber quem vai ser o seu adversário. Há certos critérios que me parecem fundamentais: terá que ser relativamente mais jovem (entre os 45-55) e acrescentar mais valia eleitoral em algum estado importante (Florida, Ohio, Pennsylvania), região (Sul, Midwest, Costa Leste) ou então em algum grupo da população que seja difícil para os republicanos (hispânicos, mulheres).

As minhas apostas

Quem eu colocaria na lista de Mccain? Mitt Romney, que entregaria a alma conservadora do partido, à parte dos seus conhecimentos na economia. Charlie Crist, apesar de ser governador da Florida há pouco tempo, garantiria da vitória na Florida, e é um jovem valor no Partido Republicano. Tim Pawlenty, um governador jovem, já com experiência de dois mandatos no Minnesota, poderia dar aos republicanos este blue state. Joe Lieberman (é quase certo que não o será), pois constituiria um ticket moderado, que acabaria por empurrar muitos swing states e mesmo blue states para Mccain. Claro que poderia entregar Red States aos democratas e iria enfurecer a ala conservadora do partido. Condoleezza Rice é uma mulher extremamente inteligente, que demonstra ter a sagacidade dos grandes líderes. Por estar oito anos na Administração de George W. Bush, será quase impossível a sua escolha por parte de John Mccain. Teria colocado Rudy Giuliani nesta lista. Mas fez uma campanha tão fraca que o máximo que poderá almejar neste momento é Attorney General numa Administração Mccain. Nada mais.


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