Publicado por: Nuno Gouveia | Abril 8, 2008

As contas complicadas de Hillary

Muito se tem falado das reais possibilidades de Hillary Clinton. Há quem diga, como se vê nos próprios comentários deste blogue, que Clinton não desistirá nunca e irá até à Convenção lutar pela nomeação. Eu, por ser cauteloso por natureza, abstenho-me de opinar. Penso que dependerá dos resultados que ela conseguir em Abril e Maio. Ela já mostrou que é obstinada e só mesmo quando for impossível de ganhar é que irá retirar-se da corrida. Talvez, se perder já na Pennsylvania e Carolina do Norte fique com essa sensação.

A estratégia de Hillary Clinton assenta em duas premissas fundamentais: obter o apoio da maior parte dos Superdelegados e “sentar” na Convenção de Denver os delegados de Michigan e Florida.

Howard Dean tem afirmado que está comprometido em alocar os delegados da Florida (210 delegados) e Michigan (156 delegados) à Convenção. Isto esbarra em muitos aspectos legais e éticos. Estas competições na altura foram consideradas por todos como “beauty contests”. Obama nem sequer constou dos boletins de voto no Michigan, e na Florida nenhum dos candidatos fez campanha, pois estavam proibidos pelo DNC. Se Clinton continuar a lutar pela nomeação até Denver, será difícil haver uma decisão legítima e, acima de tudo, ética, em validar estes resultados. Mas quem irá decidir esta questão é o Comité das Credenciais, que poderá revolucionar este processo eleitoral. Clinton tem dito várias vezes que está disposta a lutar até ao fim. E a verdade é que caso estes dois estados não estejam representados na Convenção, isso poderá significar entregar 44 votos eleitorais a John Mccain, sendo ambos os estados dois verdadeiros swing states. Bush deve a sua presidência aos votos da Florida em 2000 e no Michigan John Kerry venceu por 51-48 em 2004. Se os resultados das primárias forem validados, Hillary recupera 56 delegados a Obama, um número significativo por quem vale a pena lutar.

A questão dos Superdelegados também se afigura muito complicada para Hillary. Nos derradeiros meses, Barack Obama tem recuperado na contagem destes apoios, sendo que os últimos endorsements têm ido invariavelmente para o senador do Illinois. Margaret Campbell, do Montana, foi a mais recente a declarar o seu apoio a Obama, sendo o 69º Superdelegado desde a Superterça-feira a fazê-lo. Neste período, Hillary perdeu a grande vantagem que detinha nesta contabilidade. É uma tentação legítima das pessoas irem a atrás de quem vai à frente. É o que tem acontecido nesta corrida eleitoral. Com esta tendência acentuada das últimas semanas, será mesmo que é possível que aconteça uma reviravolta? Neste momento faltam cerca de 330 Superdelegados declararem a sua opção de voto. Para Hillary recuperar, teria de obter 2/3 destes apoios. Neste grupo estão incluídos cerca de 120 membros do DNC, 74 Congressistas, 19 Senadores e 6 Governadores, entre outros.


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