Publicado por: Nuno Gouveia | Abril 8, 2008

Hillary nomeada candidata Democrata*

* JOAQUIM MIRANDA SARMENTO – 8 de Abril de 2008

Desculpem eu ser “desmancha – prazeres”, mas do que têm dito, eu apenas concordo que esta disputa, desde as primárias do Texas, só tem prejudicado os Democratas.

Julgo que até as primárias do Texas a existência de dois candidatos não foi negativa, uma vez que retirou espaço nos media a McCain.

Mas as coisas do lado do DNC deviam ter ficado decididas nesse dia. Não tendo ficado decidido, significa que provavelmente se arrastará a disputa até à Convenção, no final de Agosto.

Ou seja, vamos ter uma Convenção “de guerra”, em que vão ficar muitas feridas abertas, com o Povo Americano a assistir em directo. E as eleições são 2 meses depois do final da convenção. Muito pouco tempo para sarar as feridas de um partido tão dividido.

Outras duas coisas com as quais não concordo é que pode haver a hipótese Al Gore (que seria um suicídio ainda maior dos Democratas, elegerem em convenção um tipo que não foi a votos nas primárias, depois de alguns milhões de americanos ter votado nessas primárias/caucus e também porque Al Gore mostrou em 2000 a sua verdadeira face: uma perfeita nulidade política. Não ganhou no seu estado natal, nem no estado natal de Clinton, e qualquer dessas vitórias ter-lhe-ia dado a eleição presidencial) ou de Edwards ainda contar alguma coisa (tem muito poucos delegados, se tivesse ido até à Super Terça teria mais delegados, e ai sim, seria crucial, agora vai ser meramente irrelevante).

No entanto eu continuo a achar que Hillary será a nomeada. Sei que muita gente vai achar que eu estou louco (em Maio de 2007 quando estive nos EUA disse a muita gente que o nomeado Republicano seria McCain, e os Americanos olhavam para mim como se eu fosse um lunático, pois na altura a campanha de McCain não descolava, e depois no Verão ainda piorou). Este exemplo serve apenas para demonstrar que em política 3 ou 6 meses é muito tempo. E ainda falta muito tempo até ao final de Agosto.

Só quem não conhece a família Clinton e o DNC é que pode achar que Hillary já esta fora da corrida. Mesmo a diferença nos delegados eleitos não pode justificar já um vaticínio.

Ora a diferença de delegados eleitos é neste momento de cerca de 150 delegados. Hillary terá de ter um score muito bom nestas primárias (ou ganhar todas, mesmo por uma margem pequena, ou então ganhar folgadamente nos maiores – Pennsylvania (158), Indiana (72), Oregon (52), North Carolina (115), Kentucky (51) e Puerto Rico (55). Diga-se que provavelmente ganhará nestes Estados e isso vai dar um certo elan que a campanha precisa. Depois basta que haja cabeça fria para convencer os superdelegados.

O que vai contar vão ser os superdelegados. E ai, os que se supõe que já estão comprometidos, a maior parte deles na realidade ainda são uma incógnita (o governador do NM é uma excepção, mas por isso mesmo, por ser Governador e ter dito que apoiava Obama na televisão). E cada um dos presumíveis apoiantes de Obama que se passar para o lado de Hillary conta na prática como dois.

Por isso, numa lógica de vencedor na convenção a maior experiência e “lobby” da família Clinton vai ser uma mais valia.

A ver vamos…mas tenham a certeza de duas coisas: Hillary não desiste e não está fora da corrida.

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Responses

  1. Caro Joaquim, parabéns pelos dois textos polémicos que aqui escreveu. Coragem não lhe falta e isso é louvável num país do politicamente correcto.

    Isso não quer dizer que concorde consigo e espero que não leve a mal dizer porquê. Al Gore não foi uma nulidade política. Quando muito pode ter sido uma nulidade eleitoral, o que é muito diferente. Como político partilha dos méritos da Administração Clinton (que são muitos) e muito do que se fez em matéria energética e ambiental nos anos 90 a ele se deve. Esteve mal em 2000, mas pagou pelos erros “mediáticos” de Clinton e num mundo normal tinha sido eleito Presidente (teve mais votos na Florida mas não ganhou o Estado e a eleição geral por razões conhecidas).

    Quanto ao caso Hillary parece-me haver dois pressupostos errados. Um é essa referência às vitórias previsíveis dos resultados de Hillary nas primárias que faltam. Vitória no Oregon? E na Carolina do Norte? Tem seguido as sondagens? As últimas 16 dão vitória a Obama na NC, a maioria das quais por números esmagadores (acima dos 12%). Uma vitória de Hillary na NC seria uma das maiores surpresas eleitorais de todos os tempos.

    E quanto ao facto de a maioria dos superdelegados não se ter decidido isso é incorrecto. Cerca de 470 delegados já manifestaram a sua posição (num total de 720). Diz-me que eles podem mudar de ideias? Pois podem, e quantos já o fizeram? 2? 3? Eles são políticos e sabem bem que imagem passariam ao eleitorado se alterassem o seu apoio publicamente…

    Concluindo: concordo com a ideia de que Hillary não está morta e que ainda tem hipóteses, mas acho que essas são muito reduzidas (escrevi quais num comentário anterior: mega-escândalo de Obama ou “perfect storm” política). Num cenário normal, Obama ganhará a nomeação.

  2. Caro José Gomes André
    Antes de mais obrigado pelos seus comentários. Eu nunca levo a mal que digam que não concordam com os meus pontos de vista. Isso é natural e salutar. Eu não gosto, e não foi de maneira nenhuma o seu caso, é que devido às minhas opiniões alguns “iluminados de esquerda” partam para o campo da ofensa.
    E dou-lhe toda a razão num aspecto: eu gosto de ser polémico, e não gosto nada do politicamente correcto. Quando dizem muito mal de uma pessoa ou acham que ela esta “moribunda” é normalmente (embora com excepções como é evidente) quando eu gosto de dizer bem e apostar.
    Tambem dou-lhe razão noutro ponto: eu não devia ter escrito que HC ganharia em todos os estados, alias isso foi um lapso . É evidente que não vai ganhar em todos, mas eu acho que vai ganhar na maior parte e continuar na luta. E isso desgasta muito mais Obama que a própria. Quanto as sondagens elas já provaram ser extremamente faliveis (veja-se o caso de NH).
    Mas permita-me que discordem alguns pontos:
    Eu acho Al Gore uma nulidade política, porque não soube capitalizar 8 anos muito favoráveis da Administração Clinton.
    Quanto aos superdelegados, apenas uma pequena franja (os mais conhecidos) é que já declararam o seu apoio a um ou outro candidato. As projecções são muito pouco fiáveis neste campo. E eu acho que muita água aindavai passar debaixo da ponte do DNC!
    um abraço

  3. Ainda que teoricamente os superdelegados sejam livres de escolher o seu candidato e, se necessário for, sobrepor-se ao voto popular, na prática eles são políticos como quaisquer outros, na prática eles vão com a corrente. Viu-se isso depois das dez vitórias seguidas de Obama e do “estancar” de apoios após as vitórias de Hillary no Texas e no Ohio, ver-se-à novamente a mesma “fuga” de delegados para Obama se ele voltar a acumular vitórias folgadas e derrotas tangentes onde Hillary era suposto ganhar confortavelmente. A distribuição proporcional dos delegados (já para não falar na questao financeira) põe o tempo do lado de Obama.

    Na minha perspectiva, Hillary mantém a esperança por dois motivos: a possibilidade de ver Obama envolvido num mega escândalo e o problema da Florida e Michigan. Se nenhuma destas coisas a favorecer, não serão os superdelegados que a irão salvar.

  4. Eu também concordo com a teoria que Hillary apenas será a nomeada se acontecer um terramoto político. Não é impossível, mas é muito improvável. Mas também acho que ela não vai desistir facilmente.

    E que Al Gore é/foi de facto uma nulidade política, ao perder as eleições presidenciais em 2000. Com oito anos de prosperidade na Casa Branca, tendo sido VP de Clinton, contra um desconhecido governado do Texas, foi preciso muita incompetência para perder aquelas eleições. E na Florida, perdeu! Não acredito em teorias da conspiração. Segundo relatos que li, na contagem real dos votos que houve depois de atribuída a vitória a W. Bush, ele realmente tinha menos votos. E, para quem viu os três debates entre os dois, deve lembrar-se da prestação miserável do Robot Gore contra o Humano W. Bush.

  5. Obrigado pelas respostas. Nuno, a discussão sobre a Florida levar-nos-ia a um debate interminável sobre o qual já foram escritos dezenas de livros e artigos. Eu não sou adepto da teoria da conspiração, mas há hoje um consenso entre observadores (de Direita e de Esquerda) que Gore teve mais votos na Florida. Caso tivesse sido autorizada uma recontagem, Gore teria ganho. O Supremo Tribunal não autorizou, “end of story”. Mas Bush não teve mais votos… Só no condado de Palm Beach (onde a recontagem não foi autorizada), Gore dispunha de uma vantagem 70%-30% quando faltavam contar 15 mil votos. E Gore “perdeu” na Florida por 500 votos!

    Mas adiante! Continuo a achar que Al Gore não foi uma nulidade política, mas eleitoral. Participou em medidas muito importantes nos anos 90, mas perdeu as eleições devido a uma conjuntura ideológica muito desfavorável (escândalos “morais”, reforço da Direita Cristã) e naturalmente devido a erros próprios (falta de carisma, etc.).

    Mas a diferença entre “nulidade política” e “nulidade eleitoral” parece-me relevante. Ou dir-me-ão que Churchill foi uma nulidade política porque perdeu para Atlee em 1945? Seguindo o vosso raciocínio, Churchill foi um dos maiores imbecis políticos da história! Depois de ter ganho uma guerra, com incríveis índices de popularidade e perde as eleições para um desconhecido? O contexto é importante e não é por perder uma eleição que um bom político se transforma subitamente num mau político.

    Abraço a todos!


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