Publicado por: Nuno Gouveia | Abril 10, 2008

Os erros de Clinton (alguns)

Há dias, num comentário neste blogue, José Gomes André dizia que a campanha de Hillary Clinton (e também a de Rudy Giuliani) ficaria na história pelo que não se deve fazer numa campanha presidencial. Muito tenho escrito neste blogue sobre os muitos erros de Hillary Clinton. Há quem diga que é má vontade minha, mas os factos dão-me razão. A campanha, que apenas iria servir para entronizar Hillary Clinton como a 44ª Presidente dos Estados Unidos, acabou por se transformar num pesadelo.

Comecemos pelo seu próprio staff. Hillary Clinton perdeu a sua Campaign Manager e o Chief Strategist nos últimos dois meses. Haverá maior erro de casting que ser obrigada a despedir os seus dois mais importantes activos da candidatura? Hillary Clinton anda há mais de 20 anos envolvida em campanhas políticas, primeiro com Bill no Arkansas e para a Casa Branca, e desde 2000, ela na sua própria carreira política. Bill Clinton trabalhou com alguns dos mais brilhantes estrategas políticos americanos, como James Carville, Dick Morris ou George Stephanopoulos.

Será que Hillary não teve tempo de fazer uma equipa decente, com experiencia em campanhas presidenciais e que não lhe causasse embaraços? Mark Penn é o CEO de uma das maiores empresas de comunicação do mundo, mas será que ele estava livre para fazer uma campanha contra o comércio livre e o mundo empresarial? Contra o que os democratas chamam a corporate greed? Uma campanha populista não pode ser dirigida por quem tem tantos interesses no mundo empresarial.

A máquina eleitoral dos Clinton era considerada imbatível, até porque nunca tinha perdido uma batalha. Sempre estive convencido que no terreno eles iam provar que eram os melhores. Mas surpresa: apesar de ter vencido nos grandes estados, onde precisava, perdeu na maior parte dos estados onde se realizaram caucuses. O que isso significa? Que o trabalho no terreno, junto de voluntários e activistas foi negligenciado. Pelo que tenho lido, essencialmente sobre o Iowa, é fundamental num estado onde se realizam caucuses, ter equipas no terreno, que trabalham casa a casa, bairro a bairro, cidade a cidade. Porque participam menos pessoas do que em primárias, é indispensável usar técnicas de levar as pessoas a votar, no que em Portugal chamaríamos caciquismo. Há manuais sobre este assunto, mas parecem que não foram tidos em consideração pela equipa dos Clinton. Obama tem uma vantagem de 147 delegados eleitos em caucuses. A sua vantagem em termos globais é neste momento é de 138 delegados, segundo a contagem do Real Clear Politics. O que terá acontecido para esta desorganização no terreno? Talvez falta de conhecimento do staff de Clinton? Ou foi, o que me parece, a desvalorização do candidato Barack Obama? A verdade é uma: poderia estar aqui horas e horas a escrever sobre os muitos erros da campanha de Hillary Clinton. Barack Obama tem feito um trabalho extraordinário, nomeadamente ao nível da envolvência criada com os cidadãos. Mas também há muita incompetência do outro lado.

Advertisements

Responses

  1. As candidaturas favoritas no início de 2007 (ou ditas favoritas pelos Media liberais da costa leste, o que pode ser diferente…, ie, a de Hillary no campo democrata e a de Giulliani nos republicanos) dormiram sobre os louros virtuais de putativas vitórias anunciadas, pelo que não fizeram esse trabalho local, essencial nos Caucus e neste mundo em que a net conta.

    Giulliani nem concorreu até à Florida…O que é caricato. Mas Hillary concorreu pensando que tudo já estava ganho, o que, não sendo caricato, se revelou perigoso. No fundo, ela contava com o Edwards simpático mas inofensivo e apareceu-lhe uma campanha do Obama muito mais forte e organizada capilarmente.

    Dito isto, os meus candidatos eram o Edwards e o Joe Biden! Tenho para mim que seriam os candidatos democratas com mais hipóteses em Novembro.

  2. O John Edwards era o que tinha melhores sondagens, na altura em Novembro. O Joe Biden, não me lembro de ver alguma sondagem.

    Mas desde muito cedo que vi que Barack Obama iria ser um grande candidato. Aliás, desde o seu discurso na Convenção de 2004, que me lembro de olhar para Obama com grande futuro. Nunca pensei é que seria uma figura nacional tão cedo…


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: