Publicado por: Nuno Gouveia | Abril 23, 2008

Alguns dados da noite eleitoral

Mais uma vez, Hillary vence com o voto das mulheres, homens brancos e dos Blue Collar Workers. Neste último caso, Obama apresenta sérias dúvidas de elegibilidade para Novembro. É que estes eleitores foram os chamados Reagan Democrats e sem eles, os democratas não conseguem derrotar John Mccain. As sondagens à boca da urna indicaram também que muitos dos apoiantes dos candidatos irão votar em Mccain em Novembro, caso o seu preferido não seja o nomeado. Do lado de Clinton, esse número é muito mais elevado.

Hillary venceu em quase todo o estado, tendo apenas perdido os distritos na zona de Philadelphia e Harrisburgh, a capital do estado. Outro dado significativo é que Hillary ganhou em Pittsburgh, a outra zona urbana da Pennsylvania. Obama continua a não penetrar bem nas “small towns” e isso é outro problema para a sua candidatura. Os seus comentários, no já famoso “bittergate”, não terão ajudado nada. Obama gastou 11 milhões contra os 4,8 milhões de dólares de Clinton.

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Responses

  1. Caro Nuno Gouveia:

    Estará, de forma velada, a convencer-se de que Obama não tem muitas chances em Novembro?

    Miguel Direito

  2. Caro Miguel,

    Sinceramente não sei. Continuo a pensar que Obama é um candidato formidável e que tem feito uma extraordinária campanha. De outra forma, há muito estaria arrumado. Mas estas últimas seis semanas mostraram um Obama demasiado colocado à esquerda do americano comum. Algumas foram armadilhas em que caiu, mas noutros casos foram erros próprios.

    Para vencer em Novembro, Obama precisa de voltar ao discurso centrista e moderado, para ter o apoio dos independentes (que estão cansados da guerra do Iraque e de George W. Bush) e republicanos descontentes. E claro, segurar os democratas conservadores que temos vindo a falar nos últimos dias.

    Neste contexto eleitoral fantástico, será muito dificil o candidato democrata perder, mas nada é impossível. Obama irá precisar de afastar-se das debilidades que demonstrou no passado recente. Se conseguir voltar à forma que demonstrou nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, será muito dificil derrotá-lo.

  3. “Para vencer em Novembro, Obama precisa de voltar ao discurso centrista e moderado”

    Duvido que consiga voltar a colocar o génio dentro da lâmpada. Até porque esta imagem é mais real e a outra era artificial. Ele não pode ir corrigir o voting record ou as afirmações que proferiu e as relações que manteve no passado.

    Há um indicador interessante: na PA ele venceu entre os eleitores auto-identificados como “very liberal” e perdeu claramente entre os “moderate” e os “somewhat conservative”. No Wisconsin, antes de surgirem todas as revelações, tinha acontecido precisamente o contrário. E no Iowa, então,em que arregimentou o voto dos evangélicos…

    Eu não tentaria fazer correcções. Esta “base” eleitoral é suficientemente larga para o conduzir à vitória numas eleições com um contexto favorável. E sobeja para lhe garantir a nomeação. Episódios como o do flag pin, “um substituto do verdadeiro patriotismo” que “nunca usaria”, mas depois usou, é que provocam danos maiores. Parecem episódios menores, condenados ao esquecimento, mas isso foi o que o Kerry terá pensado quando resolveu atravessar o continente para ir fazer windsurf para o Pacífico durante um fim-de-semana.

  4. Caro HO,

    Será que Obama consegue vencer com o seu discurso liberal? Se for rotulado como um George Mcgovern do séc. XXI, terá alguma hipótese de vencer? Os republicanos já escolheram a sua linha de ataque… Concordo que Obama terá dificuldade em regressar à imagem de moderado e centrista, até porque os recentes episódios mostram que isso talvez fosse uma construção mediática. Mas, se continuar com o discurso esquerdista, estes democratas conservadores não irão fugir de Obama?

  5. “Será que Obama consegue vencer com o seu discurso liberal? Se for rotulado como um George Mcgovern do séc. XXI, terá alguma hipótese de vencer?”

    Acho que eles terão mais dificuldade em encontrar uma forma de perder do que de vencer. Mas atentendo ao que afirmou na quarta-feira, o Axelrod parece pensar que sim.

    Essencialmente parece-me que ele não deve forçar a nota. Soará a falso e reforçará a imagem de falta de autenticidade. Se ele deixou de ter a imagem de centrista não foi exactamente por qualquer decisão estratégica própria. No lugar deles limitar-me-ia a continuar a confiar na complacência da imprensa para evitar danos maiores.

    A comparação com o McGovern não é especialmente apta. A dimensão da derrota do Senador foi muito agravada por episódios que não é previsível que se repitam. E, o que me parece essencial, o McGovern tinha uma enorme coragem política (neste aspecto era, e ainda é, verdadeiramente admirável): ele lançou-se numa espécie de guerra ideológica e cultural à América – ou a parte substancial dela. É impensável imaginar o Senador George McGovern a dizer uma coisa em San Francisco e outra no Ohio. O Obama, como sabemos, não corre esse risco: já tentou, por exemplo, encontrar a posição do Obama sobre o aborto – uma daquelas em que é de um radicalismo e de um extremismo pouco aceitável para a larguíssima maioria dos americanos – no site oficial da campanha? Terá de persistir nesta táctica: refugiar-se em considerações vagas e generalistas e evitar os assuntos concretos que lhe são desconfortáveis. Como se tem visto, não é isenta de riscos; mas parece-me que a alternativa seria ainda pior. Afinal, em que assuntos pode ele aproximar-se dos eleitores socialmente mais conservadores sem trair abertamente as posições que realmente perfilha? Tentar ignorar essas questões, mesmo pagando um preço por isso, é o melhor que faz.

    “Os republicanos já escolheram a sua linha de ataque…”

    Não creio. Pessoalmente preferiria que fosse direccionada à duplicidade de Obama e à ridicularizarão do fanatismo dos seus apoiantes, mas muito provavelmente será assente em termos de propostas de políticas públicas concretas (e não numa esfera ideológica/cultural mais vasta, como há 4 anos), e em particular aquelas que são mais populares (proteccionismo económico, estatização do sistema de saúde, Iraque, etc.). Bem vistas as coisas, se há um candidato “McGovernite” nestas eleições é o Johnny Mac.


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