Publicado por: Nuno Gouveia | Maio 5, 2008

O voto popular

Hillary Clinton já conseguirá ultrapassar Obama no número de delegados, mas poderá ainda vencer no voto popular. Apesar de ser difícil, isso não é impossível.

E essa poderá dar a Hillary uma boa argumentação para convencer os Superdelegados a virarem as costas a Obama (o que parece muito improvável).

Para ela vencer no voto popular, precisaria de uma grande afluência às urnas nas restantes eleições (o que deve acontecer). Se obtiver um bom mês de Maio, com vitórias folgadas em Indiana, Kentucky, West Virgínia e Puerto Rico, poderá ter mais votos que Obama. E claro, perder por margens pequenas em estados como a Carolina do Norte, Montana, Oregon e Dakota do Sul, onde se espera que Obama vença. Segundo li num artigo hoje, nas restantes eleições poderão votar cerca de 5 milhões de pessoas. Se Hillary conseguir ter mais 10% que Obama nestas eleições poderá recuperar os 500 mil votos de atraso. Difícil, mas não impossível. Amanhã poderemos fazer uma previsão mais assertiva sobre esta matéria. Claro que mesmo que vença no voto popular, Hillary terá um problema grande em convencer os Superdelegados que tem, legitimidade para obter a nomeação. E isso não será fácil, com menos delegados eleitos que Barack Obama.

(Depois da vitória da Pennsylvania, a sua campanha alegou que tinha ultrapassado Obama na contagem do voto popular, isto contando com os votos do Michigan e Florida. Claro que isto não é sério, nem tem sido contabilizado pelos analistas americanos.)


Responses

  1. “já não conseguirá ultrapassar Obama no número de delegados…”

    Entretanto surgem as últimas sondagens em Indiana, favorecendo Obama! (?)

    http://www.usaelectionpolls.com/2008/indiana.html

  2. Caro Leonel,

    Essa é a sondagem da Zogby. As outras que saíram hoje eram todas favoráveis a Hillary. Vamos ver.. Será uma grande surpresa, se Obama ganhar Indiana. Mas isso significaria, provavelmente, o fim da corrida.

  3. Existem vários problemas no argumento do “voto popular”:

    1) Todo o processo de nomeação assenta na lógica da obtenção de delegados e não de votos, tal como o define o próprio Partido. Se o voto popular fosse o critério central, a atribuição de delegados obedeceria apenas a um critério populacional, o que não é o caso.

    Na verdade, os Democatas atribuem a certos Estados mais delegados do que a outros (tendo por exemplo em conta os resultados eleitorais recentes, premiando Estados mais “Democratas” que outros). Este facto é desde logo indicador que o voto popular não passa de um factor secundário no processo.

    2) Para que o voto popular pudesse ter um significado real, todos os Estados teriam que ter primárias e não “caucus”, pois nestes últimos há muito menos votos. Obama sairia prejudicado? Talvez. Mas nunca o saberemos, já que o Iowa, Maine, Colorado, Idaho e mais uns quantos utilizam o sistema de “caucus” e não de primárias.

    Dito de outro modo, os Estados com primárias e com uma grande população adquiririam uma importância enorme num sistema que virtualmente assentasse apenas no voto popular. Ora são esses Estados que Hillary tem justamente vencido. A isto não se chama “alterar as regras a meio do jogo”?

    3) Que justiça há em considerar os resultados obtidos em “territórios” que não têm representação no Colégio Eleitoral? Como pode Hillary falar em elegibilidade socorrendo-se de uma eventual vantagem do “voto popular” para a qual contribuirão (e muito, seguramente) os resultados de Porto Rico?

    Tudo isto se compreende. Perante a impossibilidade de ultrapassar Obama em número de delegados, o staff de Hillary tem naturalmente recorrido ao argumento do “voto popular”, que além do mais tem um grande peso “psicológico” entre os Democratas depois do que sucedeu em 2000. Mas a campanha de Obama não vai deixar de expor as incoerências deste argumento…

  4. […] O voto popular II Comentário pertinente, de José Gomes André, sobre o “voto popular”: […]


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