Publicado por: Nuno Gouveia | Maio 7, 2008

Discussão entre Begala e Brazile

Grande discussão na CNN entre Paul Begala e Donna Brazile. Apesar de ser uma Superdelegada indecisa, parece-me evidente que Brazile irá cair para o lado de Obama. Uma discussão sobre a coligação de apoios que o candidato democrata vai precisar para vencer em Novembro. Não sei se estão a ver a CNN, mas esta fabulosa discussão mostra o quão difícil vai ser unir o Partido Democrata.

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Responses

  1. Absolutamente fantástica! Impensável assistir a isto em Portugal. Uma discussão civilizada (mas emotiva!) sobre a essência da política, sobre segmentos eleitorais, sobre os aspectos nucleares de uma campanha e de uma estratégia partidária. Excelente!

    Nota: ficou muito mal na fotografia Alex Castelleros, estratega dos Republicanos, ao questionar “será que iremos ter pessoas como o Reverendo Wright na Administração de Obama?”. Quase patético. Felizmente McCain tem uma visão política e uma integridade muito além deste género de abordagens rasteiras.

  2. Sim me pareceu tb que Brazile irá cair para o lado de Obama

  3. Caro Nuno,

    é verdade que a discussão foi interessante. Mas a avaliar pela forma como Paul Begala no momento seguinte saiu em defesa de Obama parece-me que a união em torno dos apoiantes do partido democrata começou também ali mesmo. Parece-me que o candidato democrata, se é que já não estava, ficou decidido hoje à noite.

  4. Viram a história da freira de 98 anos que foi impedida de votar?

  5. Caro Jorge,

    O problema não serão os responsáveis políticos democratas apoiarem o candidato democrata. Todos eles farão o mesmo que Begala. Tal como Bennet e Castellanos, que não eram apoiantes de Mccain, o fazem agora. O problema dos democratas será unir os apoiantes e os eleitores que estão descontentes com o adversário. E a forma como esta campanha decorreu irá prejudicar essa união. Não podemos acreditar totalmente nas exit polls de hoje, mas não podemos esquecer estes números: 50% dos eleitores de Clinton dizem que vão votar em Mccain, ou ficar em casa, se Obama for o candidato democrata. Em Novembro, estes números não terão esta enormidade Mas numa eleição renhida, podem fazer a diferença.

  6. Caro Nuno,

    o que se passa hoje com os democratas é o mesmo que se passou na campanha republicana de 2000 entre Bush e McCain. Na altura também boa parte dos apoiantes de McCain juravam a pés juntos que não votariam em Bush, e no final tal não deverá ter acontecido – para além de que, se aconteceu, não evitou a vitória de Bush. Quanto o foco da campanha deixar de ser entre Hillary vs Obama e passar para Obama vs McCain a dinâmica da corrida mudará radicalmente. A questão, na minha opinião, não se centra tanto na união dos democratas, mas mais no efeito que uma campanha dura contra Obama poderá ter no votos dos independentes (eleitorado para o qual McCain também é apelativo) e dos republicanos, uma vez que com Obama poderia ser esperado uma fuga de eleitorado republicano para a sua candidatura.

  7. Na minha opinião, Obama tem, necessariamente, de realizar um zigue zague, para ganhar a nomeação e depois a presidência. Ou seja, para ganhar a nomeação tem de se colar mais à esquerda pois na direita Clinton ganha, mas é evidente que, como sempre, será o centro a decidir e ai o discurso de Obama terá de ser mais central.

    Conseguirá?

  8. concordo com a excelencia destas noites eleitorais. não dá, mesmo, para as imaginar no burgo.
    Sobre a discussao, nao vejo qual é o dilema. parece-me bem claro que a Brazile apoia Obama. Agora ele, que é uma mulher bem inteligente, percebe que tem mais a ganhar que apenas se tornar em mais um clichê (mulher negra a votar Obama), e procura projectar o PD para o cenário pós primarias.
    Aponta, se quisermos mais para a Convenção que para as primarias.
    Agora, a questao é saber que PD vai existir nesa altura. Uma sondagem hoje atestava que mais de metade dos apoiantes de Clinton afirmavam que nao iriam apoiar Obama nas eleiçoes garais.
    Se adicionarmos os estudos eleitorais de cada uma das candidaturas (Obama – afro-americanos, jovens, 1 votantes / Clinton – mulheres, hispanicos, asiaticos) e se apreciarmos o apoio que cada um desses segmentos eleitorais se comporta (exemplo – afro-americanos 90 – 10 Obama, Hispanicos 80 – 20 Clinton) verificamos que os espaços de comuns são escassos e tem-se polarizado nesta campanha.
    Quem se ri é McCain
    (e o Golden Ticket?)

  9. Caro Jorge,

    Não me parece que possamos comparar esta campanha com a de Mccain em 2000. Foi uma campanha muito dura, talvez até mais do que esta, mas que terminou na Carolina do Sul, ainda antes da Superterça-feira. E não se pode comparar o número de apoiantes que Mccain tinha no GOP (Mccain tinha ganho o New Hampshire e depois perdeu a SC. Mais tarde ainda venceu algumas primárias, mas já estava derrotado).

    Esta campanha durou muito mais tempo, e gerou nos dois lados mais confusão.

    Obama, com esta campanha já perdeu o voto dos republicanos. Os Obamacans são, neste momento, uma miragem.

    Em relação aos Democratas, talvez tenha razão. Mas os indicadores actuais mostram que o tal eleitorado que Obama tem dificuldade em penetrar (idosos, Blue Collar Workers, latinos) poderão cair para a abstenção ou Mccain. O que estou a falar são os tais “Reagan Democrats”, que poderão voltar a fugir este ano. Apesar deste ser um péssimo ano para qualquer republicano, não será impossível uma derrota democrata. E se alguns democrata, os tais que já votaram republicano, fugirem de Obama, isso poderá fazer a diferença, caso a eleição seja renhida.

    Mas concordo, que ainda falta muito tempo, e é cedo fazer projecções para Novembro.

  10. Caro José Reis dos Santos,

    Concordo com a sua análise. Parece-me que esta corrida está a prejudicar bastante os democratas. Não sei se terá efeitos em Novembro. Mas por enquanto, não está a ajudar. E com isso, Mccain mantém a possibilidade de vencer.

    Caro Hélder,

    Obama poderia ter ganho estas primárias ao centro. Encostou-se à esquerda, o que poderá ser prejudicial para Novembro. Já escrevi várias vezes aqui isso. Em Janeiro, Obama tinha muitos republicanos a seu lado. Falava-se nos Obamacans, nos Red States a votar Obama. Agora ninguém ouve falar nisso.

  11. Teremos mais oportunidades de discutir este tema mas parece-me que muita gente está a menosprezar as possibilidades dos Democratas vencerem em Novembro. Muitos dados indicam-no: o estado ruinoso da economia, o desastre no Iraque, a péssima popularidade de Bush e sua administração; a incrível capacidade de mobilização demonstrada pelos Dems nestas primárias; a colossal angariação de fundos obtida pelas campanhas de Obama e Clinton; os resultados das eleições intercalares de 2006; e até os indicadores de algumas eleições recentes para o Congresso.

    E ainda mais uma nota: já repararam bem como estão as sondagens para as eleições gerais? MESMO com esta luta fratricida a decorrer, com os Dems ainda sem um nomeado, com todos os escândalos (Wright, Bosniagate, Bittergate, etc.) – os Democratas lideram nas sondagens… Penso que é um dado que devemos ter em consideração.

    McCain é um candidato formidável e não me surpreenderia se vencesse as eleições, mas muitos dos comentários que vejo aqui escritos estão a menosprezar os elementos que referi e a desvalorizar as hipóteses de Obama…

  12. Caro Nuno,

    “Esta campanha durou muito mais tempo, e gerou nos dois lados mais confusão.”

    concedo neste ponto, mas deixe começar a campanha Obama vs McCain e depois poderemos auferir se o efeito foi assim tão maligno. Eu, por mim, vejo muitos pontos favoráveis ao prolongamento da disputa entre Obama e Clinton para os democratas. Repare por exemplo, os ataques que Clinton tem feito a Obama (e que este tem superado com distinção) serão, salvo surja algo de novo, repetidos pelos republicanos – não me parece que possam ser tão eficazes quanto isso. Por outro lado, McCain só agora começará a ser testado.

    “Obama, com esta campanha já perdeu o voto dos republicanos. Os Obamacans são, neste momento, uma miragem.”

    Não me parece que isso seja verdade. Ainda hoje no Indiana houve 11% de eleitorado republicano e destes 45% votaram em Obama.

    “Mas os indicadores actuais mostram que o tal eleitorado que Obama tem dificuldade em penetrar (idosos, Blue Collar Workers, latinos) poderão cair para a abstenção ou Mccain.”

    Para mim os indicadores actuais só dizem que os idosos, blue collar workers e latinos preferem Hillary a Obama. Nada dizem sobre a preferência entre Obama e McCain.

  13. Caro José Gomes André,

    Não me parece que se esteja a menosprezar uma possível vitória de Obama. Eu acho que um qualquer candidato democrata, com as actuais condicionantes, que tão bem descreveu, facilmente ganharia esta eleição. O preocupante para os democratas é haver dúvidas sobre a possível vitória de Obama, agora que parece o mais que certo nomeado. E isso será culpa dos Democratas, que não conseguíram definir uma campanha mais eficaz. Mas continuo a apostar num presidente democrata a partir de 2009. Mas não ficarei surpreso se isso não acontecer, devido ao rumo desta campanha.

  14. Não acho que a discussão entre Donna Brazile e Paul Begala tenha sido a demonstração de desunião do partido, mas sim que ambos têm pontos de vistas divergentes e que no geral estão juntos como demonstrou a seguir paul begala ao sair em defesa de obama contra alex castellanos naquela sua saída sarcástica. E digo mais veremos que esta semana será fertil em endorsements a obama por parte daqueles que até a pouco eram conotados como pró- hillary. Concordo com o nuno quando diz que o dificil não será unir o partido mais sim os apoiantes de ambas as partes a votarem no candidato democrata em novembro. Mas creio também que para os eleitores democratas valerá a maxima “eu não gosto de obama ou eu não gosto de hillary, mas detesto McCain” e a maxima “entre dois males escolho o mal menor”.

  15. “eu não gosto de obama ou eu não gosto de hillary, mas detesto McCain” e a maxima “entre dois males escolho o mal menor”.

    Caro Edivaldo,

    O problema é que muitos não detestam Mccain. Detestam Bush, mas não Mccain. E deverá ser por aí que os democratas vão atacar. Não sei se serão eficazes…

  16. Caro Jorge,

    “Repare por exemplo, os ataques que Clinton tem feito a Obama (e que este tem superado com distinção) serão, salvo surja algo de novo, repetidos pelos republicanos – não me parece que possam ser tão eficazes quanto isso. Por outro lado, McCain só agora começará a ser testado.”

    Não se esqueça que estas são umas primárias democratas. Os eleitores que votam nas eleições gerais e que decidem o resultado das eleições podem não ser tão condescendentes. E está provado que o eleitorado democrata conservador não gosta de Obama.

    “Não me parece que isso seja verdade. Ainda hoje no Indiana houve 11% de eleitorado republicano e destes 45% votaram em Obama.”
    Isso é verdade. Mas as sondagens também indicaram que uma boa parte desse eleitorado irá votar Republicano em Novembro.

    “Para mim os indicadores actuais só dizem que os idosos, blue collar workers e latinos preferem Hillary a Obama. Nada dizem sobre a preferência entre Obama e McCain.”

    Neste ponto é verdade. Mas se 50% disseram que vão votar Mccain ou abster-se, a verdade é que esses números não significam que isso vá acontecer em Novembro. Mas, pode ser que uma percentagem considerável o faça. Neste dois estados, isso não deverá fazer a diferença, porque são Red States, mas se a tendência se alastrar para outros estados, aí pode ser preocupante.

  17. Caro Nuno, já agora, e porque era esse o assunto do post, cá está a troca de ideias:

    http://www.huffingtonpost.com/2008/05/06/brazile-and-begala-angril_n_100500.html

  18. Caro Jorge.

    Obrigado. Acho que esse foi um grande momento de discussão política, civilizado e emotivo. Um dos melhores momentos de televisão que vi nos ultimos tempos.

    O que nos faz falta em Portugal. Uma discussão política, civilizada, mas com argumentação séria e honesta. Como a que tem existido nestes comentários.

  19. “O que nos faz falta em Portugal. Uma discussão política, civilizada, mas com argumentação séria e honesta. Como a que tem existido nestes comentários.”

    Absolutamente! Mérito do Nuno, que tem utilizado uma grande moderação nas suas análises…

  20. Sem os BCW Obama nunca ganhará a McCain. E ele está ainda muito longe de os conseguir ganhar


  21. Obrigado.. Info agradável…

    Se Você Precisar de UM Blog, Tente Olhar “Leoxa.com”
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