Publicado por: Nuno Gouveia | Maio 20, 2008

Hillary Clinton – perdeu as primárias mas ganhou alma política

Começou as primárias em péssima forma e como mais que presumível nomeada e termina em excelente condição, mas como derrotada. Como se explica esta contradição, que poderia acontecer a um novato na política americana, mas não à poderosa senadora Hillary Rodman Clinton, antiga Primeira-dama na década de 90?

Clinton tinha uma estratégia: vencer no Iowa, New Hampshire e Nevada, perder por poucos na Carolina do Sul e derrotar Barack Obama em toda a linha na Superterça-feira, dia 5 de Fevereiro. Pensava-se que seria imbatível. Com a máquina partidária quase toda do seu lado (não esquecer que a 3 de Janeiro tinha mais de 100 Superdelegados de vantagem em relação a Obama), o analista político mainstream assegurava-lhe uma vitória fácil. Este blogue é testemunha que eu sempre fui avisando para o perigo que representava a inovação e juventude de Obama. Estas eleições não seriam favas contadas para Clinton, mas sempre acreditei que a candidata democrata seria Hillary. Mas também nunca tive dúvidas que este seria um combate difícil.

Tudo começou a desabar em Dezembro do ano passado, quando Oprah entrou em campanha, dando a vantagem que Obama precisava na comunidade afro-americana. Depois deste mês, a vitória da Carolina do Sul estava assegurada. Apenas precisava de uma vitória importante no Iowa. Que aconteceu, relegando Hillary Clinton para um humilhante terceiro lugar. Passados uns dias, todas as sondagens indicavam que Obama voltaria a repetir a vitória no New Hampshire. Mas aconteceu o que seria constante nesta campanha. Hillary renasceu das cinzas e bateu Barack Obama. Passada uma semana venceu o Caucus do Nevada e pensou-se que tudo voltaria ao normal. Assim não aconteceu, porque a uma derrota esperada na Carolina do Sul, Bill Clinton, com intervenções desastradas, ofereceu uma vitória esmagadora a Obama neste estado dominado por afro-americanos.

Hillary Clinton parte para a Superterça-feira com uma inesperada desvantagem. Apesar de ter vencido nos estados mais importantes, como Nova Iorque, Massachusetts, Califórnia e New Jersey, perdeu no número de delegados. E só voltaria a reencontrar-se passado um mês, no Texas e Ohio, onde venceu Obama. Mas pelo meio ficou uma série impressionante de dez derrotas consecutivas durante o mês de Fevereiro, que acabaram por selar a nomeação de Obama. Depois destas derrotas, Hillary estava destruída politicamente nestas primárias. Mas não desistiu, e obteve ainda vitórias importantes no Texas, Ohio e Pennsylvania, colocando a nu as fragilidades de Obama perante o eleitorado tradicional democrata. Se as primárias começassem hoje, tenho poucas dúvidas que Hillary venceria. Depois de mais de um ano em campanha, provou ser uma candidata à altura. Se no início era a candidata fria e desligada dos eleitores, conseguiu aproximar-se das pessoas e conectou com o americano comum. A mim surpreendeu-me bastante os últimos meses.

A verdade é que a sedução e novidade de Obama levou a melhor. Fez uma excelente campanha, aproveitou todas as oportunidades que se lhe deparam e será um candidato fortíssimo em Novembro. Tem muito mérito na nomeação. A seguir, é observar a sua luta com John Mccain.

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Responses

  1. Estou absolutamente de acordo consigo. Se tudo recomeçasse agora…
    Nunca se deve subestimar o “inimigo”. Ambos, têm semelhanças enormes nas suas propostas. Arrebatadora foi a juventude e a capacidade oratória de Obama em detrimento da evidente capacidade e conhecimento impressionantes de Hillary, mas tão conotada com o “Sistema”.
    A juventude e os “media”, trataram Obama,como se uma “super-estrela de rock” se tratasse, e foi a bola de neve. Positivo, negativo? A História nos dirá…

  2. Concordo Maria,

    A história irá julgar estas primárias. Eu não tenho dúvidas que foram fantásticas, pela emoção e pela luta política vivida entre os candidatos.

    Também estou certo que a luta para Novembro será igualmente mítica. Mccain/Obama será uma disputa entre o melhor que a América tem para oferecer.

  3. Foram umas primárias muito bem disputadas pelos dois candidatos..qualquer deles será algo de novo nos EUA um negro como presidente ou uma mulher eram a uns anos impensavel..Não que sejam diferentes pois somos todos iguais em direitos, maspor ser a primeira vez é sempre de realçar.Espero que quem for o novo Presidente, governe bem dentro dos EUA como fora…sendo a Nação mais poderosa esperamos sempre de algo positivo.


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