Publicado por: Nuno Gouveia | Junho 4, 2008

Algumas razões da vitória de Obama II

Uma contribuição de José Gomes André, nos comentários, sobre a vitória de Barack Obama:

1) Obama e a sua equipa construíram uma organização formidável. Sao questões que passam sob o radar dos media e tendem a ser esquecidos rapidamente, mas a “implantação no terreno” foi muito competente. O número de “sedes de campanha” abertas em todos os Estados, a mobilização de voluntários, a organização de pequenos e grandes eventos um pouco por todo o país, orientada por anónimos, foi decisiva para tornar conhecido um candidato estranho para muitos eleitores. No meu entender, este foi o seu ponto mais forte.

2) Ligado a este, a estratégia global das primárias (orquestrada por Axelrod?). Perfeito, em todos os aspectos: apostar forte no Iowa, chamar os holofotes dos media, sobreviver à Super Terça-Feira (onde os Estados em questão eram favoráveis a Hillary) e desferir um golpe mortal nas eleições pós-Super Terça-Feira (para a qual Hillary não tinha absolutamente nenhum plano).

3) A aposta nos “caucus”, suplantando mais uma vez a inabilidade de Hillary (que os desvalorizou de forma ridícula). Excelente mobilização dos activistas e a percepção de que se podiam ganhar muitos delegados em Estados “menores”. Tratava-se apenas de 12% dos delegados eleitos? Pois bem, Obama conseguiu ganhar aí quase 200 delegados de vantagem – precisamente a diferença matemática entre as duas candidaturas.

4) Evidentemente, a notável campanha de angariação de fundos, baseada numa estratégia nova: os “pequenos doadores”, via Internet. Mais uma vez, bateu Hillary aos pontos.


Responses

  1. Caro Nuno, obrigado pelo destaque 🙂

  2. A legitimilidade da vitória de Obama é muito relativa. Vamos olhar a factos:

    1-Se olharmos para o mapa eleitoral, e se olharmos para a forma como é eleito o Presidente dos EUA (winer takes all, como é nos republicanos), Hillary ganhava nospleged delegates com alguma margem.

    2-Se olharmos só para as primárias (eleições efectivamente democráticas), Hillary também ganhava. Obama ganhou muitos delegados nos Cuacasus, que como sabemos, dependem muito de organizações locais, facilmente influencidas por determinados grupos de pessoas.

    3-Se contarmos TODOS os votos que entrarm nas urnas (colocando os uncommited de Michigam do lado de Obama-sendo que alguns desses votos seriam para Edwards), Hillary tb ganha.

    Por outro lado, desdo o Iwoa, ocorreram um conjunto de acontecimentos que levaram ao actual desfecho

    1-Obama foi “levado ao colo” pelos media e pela generalidade dos “oppinium makers” americanos. Foi criada uma figura demonica e vilã de Hillary. Para quem acompanhou todas as noites eleitorais como eu, parecia ver . É como ter vários Luises Delgados a comentar a performance do Santana Lopes.

    2-A intervenção de Bill Clinton ao longo dos últimos 6 meses foi péssima. Fora de tempo, arrogante e desprovida de sentido de estado. A campanha de Hillary etava a correr bastante bem até chegar o marido.

    3-Hillary não apostou nos Caucasus porque pensava que limpava a Super 3ª feira

    4-A exclusão riducula da Florida e do Michigan. Se esses estados tivessem valido, Hillary chegava á Super com uma grande vantagem de delegados eleitos, e mesmo com os resultados que obteve, devia dar para dar a nomeação.

    Concluindo, Obama teve merito, mas também teve muita sorte…

    e agora, Obama tem duas hipoteses…
    1-Escolhe Clinton para VP (e ela tem legitimidade para insitir nesse aspecto) e pode ter um problema de protagonismo
    2-Não escolhe Clintn e pode ter problemas com o voto tradicionalmente Democrata em novembro.

    Ainda há há a hipotese de clinton levar isto até denver como vingança.

    vamos ver

  3. Só mais uma questão.

    As sondagens nacionais de hoje, dão que Clinton está á frente de Mccain e este á frente de Omaba.

    Expliquem-me isto!

    os eleitores dela vão vingar-se por tudo, e vão votar em mccain, acreditem

  4. Que feio falar em vingança….
    os democratas que votarem em Maccain vão estar se contradizendo, não acha?

  5. Caro acostal, as suas observações incorrem em alguns erros de interpretação… Vamos por partes:

    1) A legitimidade do triunfo de Obama é inatacável. Respeitou todas as regras do jogo, não fez batota, não foi corrupto, não afastou ilicitamente adversários, não comprou votos. Limitou-se a fazer campanha, a seguir os regulamentos e no fim venceu segundo as regras definidas pelo partido, obtendo mais delegados do que a sua adversária. Mais limpo que isto não há.

    2) Falou do mapa eleitoral, “da forma como é eleito o Presidente dos EUA” e do modelo “winner takes all, como é nos republicanos”.

    Tudo dados interessantes, mas seria como dizer que o Sporting não merecia ter ganho a Taça de Portugal porque o Porto teve mais cantos que o Sporting. As regras são claras: os Democratas não têm winner-takes-all (por motivos que agora não vêm ao caso) e esta eleição não era para escolher o Presidente, mas para nomear um candidato de um partido. Se quisesse ganhar a nomeação através do sistema winner-takes-all talvez Hillary devesse ter-se candidato pelo partido Republicano.

    Qual é a lógica de no fim do jogo dizer que as regras não são justas? As regras eram conhecidas por todos e foram aceites por todos. Se fossem diferentes, o jogo era diferente, não era?

    3) Os caucuses não são menos democráticos que as primárias. São processos diferentes que exigem outro tipo de campanha. Mais uma vez, as regras eram conhecidas de antemão e foram aceites por todos. Se Hillary foi inábil (não mobilizou as tropas para controlar os caucus) que culpa tem Obama?

    Escreve o acostal “os Caucasus, como sabemos, dependem muito de organizações locais, facilmente influenciadas por determinados grupos de pessoas”.

    E então? Obama comprou estas pessoas? Impediu Hillary de os cortejar? Obter apoio junto dos activistas, convencer as organizações locais a darem-nos apoio e mobilizar os eleitores a deslocarem-se aos locais de voto não faz parte do processo democrático? Ou é batota só porque Hillary foi inapta?

  6. Prosseguindo:

    4) O acostal fala depois do voto popular. Já escrevi aqui longamente sobre o assunto, mas repito duas ideias. Isto não tem nada que ver com voto popular (aliás, quase nenhuma eleição nos EUA tem). Os EUA são uma república federal, não uma “nação unívoca”, por isso o processo eleitoral é mediado pelos Estados. O voto popular é um indicador, mas nunca decide eleição nenhuma federal. Pode dizer-se que o sistema é absurdo, mas é assim que funciona. Uma vez mais: as regras são claras desde o início. Se não estão de acordo, é melhor dizer logo ao princípio, não depois de se ter perdido.

    Outra nota: Hillary só ganha o voto popular se contarmos o Michigan (uma eleição estalinista) e Porto Rico (um território que não conta na eleição geral). Qualquer observador neutral teria pois enormes reservas em recorrer a este argumento.

    5) Obama levado ao colo pelos media? Talvez. Mas Hillary beneficiava de um conjunto de situações de que Obama nunca poderia ter usufruído: um nome famoso, um Ex-Presidente popular como marido, uma máquina de publicidade fabulosa, dinheiro fresco em catadupa nos primeiros meses, sondagens ultra-favoráveis. Falar da paixão dos media como factor decisivo parece-me insuficiente.

  7. E para terminar:

    6) Não vejo como é que as intervenções de Bill Clinton podem diminuir a legitimidade do triunfo de Obama. Ou vai dizer-me que Obama também tem culpa de Bill ter dito disparates atrás de disparates?

    7) “Hillary não apostou nos Caucasus porque pensava que limpava a Super 3ª feira”. Pergunta repetida: e o que tem isso a ver com a legitimidade da vitória de Obama?

    8) O acostal fala da “exclusão ridicula da Florida e do Michigan. Se esses estados tivessem valido, Hillary chegava á Super com uma grande vantagem de delegados eleitos, e mesmo com os resultados que obteve, devia dar para dar a nomeação”.

    Duas notas: os Estados não valeram inicialmente com conhecimento e aprovação de Hillary. Além disso, o que diz no final é falso. Mesmo que os delegados fossem contabilizados no total, Hillary poderia ter recuperado entre 35 e 50 delegados (dependendo da alocação do Michigan), mas Obama continuaria com uma vantagem superior a 80 delegados.

    Uma observação final: Escreve o caro acostal: “Obama teve merito, mas também teve muita sorte…”.

    Falar em sorte neste contexto só pode ser ironia… Um tipo com um nome absurdo, desconhecido, negro, sem experiência, com 47 anos, derrota o maior nome político da América, uma Ex-Primeira Dama, vencendo 37 eleições. Se isto é sorte…

  8. [Desculpem por estes comentários enormes; a discussão estava animada e entusiasmei-me em demasia]

  9. Olá a todos!

    Em primeiro lugar,
    Parabéns a Barack Obama!

    Se pudesse votar,
    passaria a “torcer” por Obama!

    1) Porque as suas propostas não são muito longínquas de Hillary

    2) A questão “Iraque”, para além de um tratamento mais social e humanista das propostas do Partido Democrata versus Partido Republicano, é para mim questão nuclear da minha preferência, à partida, em qualquer candidato Democrata.

    Tenho apreciado e muito, a paixão dos comentários de todos neste fantástico Blogue.

    Terminadas que estão estas históricas Primárias,
    cabe aos analistas, sociólogos, historiadores, etc, investigarem, dissecarem da habilidade ou da ausência, de uma ESTRATÉGIA nas respectivas campanhas.

    A questão fundamental, parece centrar-se aqui:

    Existiu uma verdadeira estratégia na campanha de Hillary? Soube adaptar tácticas segundo as novas circunstáncias?

    Hillary partiu com uma estratégia de quem se considerava à partida Vencedora destas primárias do seu partido e não contava tão cedo
    com o “deitar da toalha ao chão” de Edwards.
    Quando percebeu a polarização, não tinha o discurso acertado e, com refere e muito bem o Nuno, insistiu na velha estratégia da Ciência da Política, usando e abusando da “propaganda negativa”.

    Concordo com Acostal, quando Diz que Hillary não apostou nos “Caucus”, “porque pensava
    que limpava a Super 3ª feira”, mas começou precisamente aqui o seu fatal erro de Estratégia.
    E num exercício de honestidade intelectual da minha parte, agora questiono eu:
    Porque Hillary não terá contestado à partida, a exclusão da Florida e do Michigan?

    Concordo com Acostal ao mencionar as infelizes e inábeis intervenções de Bill Clinton, mas caro JGA (perdoe-me as siglas, é a bem de uma certa fluência), não percebi no comentário de Acostal que considerasse as intervenções de B.Clinton
    capazes de diminuir a Legitimidade do triunfo de Obama, antes o considera prejudicial à campanha de Hillary.

  10. Perdoem, pois o comentário já vai longo…

    A questão do voto popular, tão caro ao Europeu,
    é-lhe demasiado desconhecido e torna-se delicado pôr em causa a sua justeza e menos ainda a sua legitimidade que só aos EUA dizem respeito.
    Penso que essa questão pode vir a pôr-se-nos num futuro breve, no seio da Comunidade Europeia.

    Abreviando,
    Também me coloco a questão, tal como Acostal:

    Que irá o Partido Democrata fazer dos 18 milhôes, ou antes como irá Obama lidar com esses eleitores que podem ser decisivos perante Mccain,um republicano com atiudes “Sui Generis”, por ex. na questão Iraque?

    Custa-me acreditar que Obama, pelo que foi o tom da campanha, convide Hillary para sua VP.

    E, acima de tudo, o que que fará Obama para contrariar as sondagens nacionais que dão Hillary como melhor adversária frente a Mccain?
    Qual a estratégia artilhada por Obama para convecer uma importante franja de Americanos?

    Terá Obama de mostrar que tem uma postura mais Liberal, portanto mais à direita?

    Vai eleger a questão “Iraque” como tema central no seu discurso, ou vai dar um tom mais economicista, tema que é uma “obssessão ” típica
    do povo Americano?

    Veremos se os “media” continuarão preferencial mente a dar o mesmo tratamento a Obama, ou se o simpático Mccain conseguirá inverter um pouco esta tendência.

    Os Democratas tinham com Hillary, uma enorme chance de garantir a vitória nas eleições Presidenciais de 2008.

    Será que Obama lhes dará essa tão desejada vitória?

    Demonstrou Inteligência, conseguiu gerir bem e parece ter competente assessoria. É notável na Arte da Oratória…

    O jogo recomeça, e o resto do Mundo atento para entender neste complexo jogo de Xadrês de Geo-política, quais as peças que se jogarão no Futuro.

    Saudações a todos

  11. acho lamentável que ninguém, por preconceito, digo o óbvio:

    a maior razão da vitória de Obama foi ele ser negro.

    diga-me o Nuno ou o José Gomes André ou a Maria ou o Acostal ou quem quiser:

    se Obama fosse igualzinho – com a mesma estratégia, tudo exactamente igual – só que fosse branco, tinha sequer metade das hipóteses de ganhar??

    É bom não tapar o sol com a peneira e não ter medo de dizer estas coisas.

    e digo isto por uma razão muito óbvia: é que se Obama perder na eleição geral – como prevejo – vêm logo meia dúzia cantar que perdeu por racismo dos brancos conservadores etc etc etc, e agora ninguém tem coragem de dizer o óbvio.

    cumprimentos

  12. ah fica já a nota tbm:

    apesar de todas as contradições etc etc que lhe serão apontadas e por isso mesmo, provavelmente não irá acontecer (o que terá custos), o ticket Obama/Hillary penso que será, de todos, o mais complicado para Mccain.

    é verdade que a estratégia dos republicanos tem mt mt mt mt material para desgastá-los (basta usar o material que a HC usou contra Obama e Obama usou contra HC) mas mesmo assim, penso que seria muito dificil superá-los.

    cumprimentos

  13. JGA – Obrigado pelos “extensos” e detalhados comentários….

    Maria – “Porque Hillary não terá contestado à partida, a exclusão da Florida e do Michigan?”
    Não fez porque pensava que a eleição estava assegurada.
    Foi o maior erro da campanha dela. Ainda por cima, ela sabia que as songagens eram altamente favoráveis. Se esses estados tivessem contado ela chegava à Super 3ª Feira como Fortunner e a eleição dificilmente lhe escapava.

    Podemos fazer uma analogia entre os erros de Hillary e os de Giulianny. Ambos estavam focados da Super 3ª feira.

  14. Na verdade, este elemento racial também ajudou Obama a destacar-se nas primárias, sobretudo junto dos jovens e dos liberais urbanos mais escolarizados e ricos, proeminentes em primárias dos democratas.

    Ora, a questão racial deverá tornar-se um calcanhar de Aquiles não negligenciável para Novembro, junto do resto dos eleitores.

    Dito isto, este elemento racial não pode ser colocado em primeiro lugar, à frente de todos os anteriormente descritos, para se perceber a vitória de Obama face a Hillary. Já perante McCain tenho dúvidas…

    Miguel Direito

  15. Miguel.

    O custo para Obama não levar Hillary como VP é maior que levar, não tenhas dúvidas. O eleitorado efectivamente democrata está com ela e duvido que mude.

    As eleições no Dakota são disso espelho. A forma como ela ganhou, apesar e já estar derrotada, é surpreendente. Merece uma grande reflecção do Obama.

  16. Meus Caros,

    Mais uma excelente discussão, como é normal nos comentários.

    Eu tendo a concordar com o ponto de vista de JGA. Barack Obama venceu as primárias de uma forma inatacável. A sua estratégia foi simplesmente brilhante, conseguindo executar uma campanha fantástica. Gostava de aconselhar o livro “The Revolution will not be televised”, de Joe Trippi, sobre a campanha de Howard Dean em 2004. Muito do que ele defendia que poderia ter acontecido nesse ano, sucedeu nestas primárias com Barack Obama (os voluntários, a campanha descentralizada, a angariação de fundos, o entusiasmo dos apoiantes, a atracção dos jovens, etc).

    Obviamente teve muitos factores a seu favor, como os erros estratégicos de Hillary, e porque temos de o dizer, do apoio mediático que a sua candidatura granjeou. As elites liberais americanas, que antes estavam com HRC, mudaram para o lado de Obama. Exemplo disso foi o apoio da MoveOn.

    Mas Obama teve mérito na vitória, porque em eleições joga-se com as armas que se tem, e também segundo as regras do jogo. Os Caucuses, as primárias, a Florida e o Michigan, isso tudo era conhecido antes das eleições arrancarem. Se não foi contestado na altura, não seria na parte final do jogo que o poderia ser. HRC acabou a campanha em grande forma, e acredito que o lugar de VP, se ela o desejar, será dela. Não estou convencido que isso será uma vantagem para Obama, mas isso é outra história.

    A questão racial não deve ser deixada de lado. 20% dos eleitores nas primárias do Kentucky disseram que não votaram em Obama por ele ser negro. O voto racista ainda é, infelizmente, uma realidade nos EUA (acredito que na Europa politicamente correcta esse problema seria muito maior), e por isso é que não estou persuadido que Obama não teria chegado lá se fosse branco. Teve o apoio esmagador dos negros, mas também é verdade que muitos brancos não votaram nele por ser negro. Espero que o resultado final destas eleições seja influenciado essencialmente por questões políticas, de carácter e de personalidade, e não devido a qualquer razão marginal, como a raça. Apesar de não gostar destas ideias politicamente correctas de ser importante ter um negro, uma mulher, um católico…etc na Presidência dos Estados Unidos. Prefiro que se valorizem outras qualidades. E aí, tenho a certeza que os EUA ficariam bem servidos com Obama, Clinton ou Mccain. E isso acaba por ser o mais importante.

  17. Miguel,

    nem invoque o facto da vitória de Obama se dever ao facto dele ser Negro, porque me leva a poder invocar que Hillary altamente preparada e com provas dadas há décadas, não ganhou por questões sexistas – o ser Mulher!!!

    Um amigo Americano há cerca de três anos (não se sabia ainda de Obama), lamentava-se que temia que que nos EUA seria mais fácil um Negro ganhar a eleição para Presidente do que uma Mulher, eu fiquei chocada na altura com esta opinião. Ele votou Hillary, e já me lembrou com muita tristeza esta sua nefasta previsão.

    Mas quero crer que tal não se terá passado….

    Hillary, apesar de erros de campanha, para mim
    era a mais competente, e gosto particularmente da sua proposta para o serviço de saúde.
    Que Portugal e seus “políticos” possam tirar ilacções do lamentável ex.º deste sector nos
    EUA.

    Acostal,

    É verdade que a questão de Hillary para VP podia, à partida, ser determinante para uma vitória de Obama, mas também pode ser um enorme “calcanhar de Aquiles” se não tiverem uma sólida e bem articulada estratégia comum.

    Aguardemos…

  18. Nuno,

    Obrigada pela “dica” do livro “The Revolution will
    not televised”.

  19. “Se quisesse ganhar a nomeação através do sistema winner-takes-all talvez Hillary devesse ter-se candidato pelo partido Republicano.”

    “Qual é a lógica de no fim do jogo dizer que as regras não são justas? As regras eram conhecidas por todos e foram aceites por todos. Se fossem diferentes, o jogo era diferente, não era? ”

    Há rumores (dificieis de acreditar, é verdade) de que o chefe de campanha de Clinton julgava que, pelo menos na California, o sistema era WTA, e que isso talvez explique muita coisa:

    http://fruitsandvotes.com/?p=1651

  20. A respeito de quem ganhou o voto popular, há várias maneiras de fazer a contagem:

    http://www.fivethirtyeight.com/2008/06/popular-vote-scenario-tester.html

  21. Caro Miguel Madeira,

    Já sabemos que o staff de Clinton cometeu muitos erros. Mas custa-me imenso a acreditar nessa ideia.

  22. Caro Nuno
    espero que te encontres bem! eu tenho andado afastado dos comentários, mas não das visitas! Não tenho conseguido ter tempo para escrever, e diga-se em abono da verdade que manter um blogue exige uma disciplina muit grande, e que eu de facto não possuo!
    Todos os dias cá venho, e de facto, este blogue é muito bom! Quer pelos teus posts, quer também pelos comentários
    Acho inclusive que se devia procurar forma de quando as eleições terminarem editar uma parte do que aqui se escreveu. Da minha parte existe toda a autorização para isso, mesmo tendo em conta a minha previsão de que a Hillary seria a nomeada! enganei-me…
    mas concordo com o JGA, a vitória de Obama é totalmente legitima: ele jogou pelas regras, goste-se ou não das regras, não viciou resultados, não comenteu ilegalidades. E sobretudo não pode ter culpas pelas burradas monumentais da srª Clinton e do seu esposo!
    Quanto ao “dream ticket”, julgo que será muito dificil de acontecer. E a acontecer será optimo para McCain: por um lado o GOP vai aproveitar as “munições” das primárias democratas (pese embora McCain irá refrear os animos mais exaltados), por outro destroi muito da imagem de “change” que obama projecta (é que mais comprometida com o “sistema” que hillary é dificil)

  23. desculpem mas continuo na minha,

    Obama, se fosse branco, perderia a eleição no partido democrata, para HC (podia argumentar com muitas coisas, por exemplo – porquê que em alguns Estados 90% dos negros votaram em Obama? pelo seu discurso? pelos lindos olhos? etc).

    mas o que queria alertar não era isso mas sim o facto de se, como disse o Nuno e bem, acontecer o contrário na eleição geral (como já aconteceu agora), isto é, se uma franga da população branca não votar obama por racismo, vão logo clamar contra o racismo os mesmos do costume, e dizer que a sociedade americana “branca” é muito racista, etc, quando Obama chegou lá, precisamente porque teve 90% do apoio das pessoas da sua cor! 90%! (se isto não é racismo….)

    No entanto, quanto ao resto, teem toda a razão. Mesmo com 90% do voto negro, se Obama não tivesse uma estratégia quase irrepreensível e a ajuda dos media – que embarcaram na onda de Obama e demonizaram Hillary – não lhe valia de nada ser negro.

    Só para terminar: eu também gostava muito que o factor racial não fosse determinante para a decisão das eleições.
    Mas, se o penso que o foi (90% dos negros…..), e se penso que é evidente, penso também que quase ninguém o referir (e aqui não falo em especial do Nuno mas de quase toda a comunicação social) só pode advir de um grande preconceito em falar nisso.

    Imagem o que se diria se 90% dos brancos não votassem em Obama por ele ser negro….

    cumprimentos

  24. “Estados 90% dos negros votaram em Obama”

    Isso é verdade Miguel. Mas também é verdade que 90% dos negros votam Democratas nas presidenciais. E gostava de relembrar que HRC também teve o voto maioritário das mulheres (em menor escala) e isso poderá ser atribuído ao facto de ser mulher?
    Se é racismo negro ou não, não sei, mas nos EUA, os grupos sociais tendem a votar em massa nos “seus”. Romney teve mais de 90% dos Mormons, e acredito que Bill Richardson também tivesse tido uma larga franja da população hispânica a votar nele.
    Obama teve o apoio da comunidade negra, mas também venceu em estados maioritariamente brancos.

    Eu não acredito que Obama vá perder pelo voto racista dos brancos. Poderá perder por outros factores. Vamos ver…

  25. Caro Joaquim,

    Sejas bem vindo a este blogue. De facto a tua previsão errou, mas HRC vendeu bem cara a derrota. A verdade é que Obama venceu estas primárias no mês de Fevereiro, e depois limitou-se a manter-se na frente. Vamos ver o que acontece até Novembro. A verdade é que a tua ideia (e minha) que Mccain tenha possibilidades de vencer em Novembro continua bem próxima da realidade.

  26. Parece claro, neste momento, que McCain estará ligeiramente à frente de Obama na corrida as presidenciais de Novembro.

    Outra coisa não seria esperado se considerarmos que McCain está nomeado e em campanha activa desde Março e que Obama ssó agora venceu Clinton e vai começar a fazer campanha como candidato Democrata.

    Dado o equlíbrio das últimas sondagens e sobretudo da análise Estado a Estado, julgo que o factor Vice-Presidente pode ser decisivo, dado que nenhum eleitor deixará de votar no seu candidato por não gostar do seu VP, mas muitos eleitores, sobretudo os indecisos, podem fazer pender a sua escolha do facto de gostarem do VP. Isso, em certos Estados flutuantes e de vencedor imprevisível, pode ser determinante para a vitória de qualquer um dos candidatos nesse Estado e consequentemente nas Eleições Gerais…

    Falando no abstrato e sem referir nomes, uma mulher como VP de Obama poderia reduzir bastante o descontentamento das apoiantes de Clinton, mesmo que essa mulher não seja Hillary, mas os resultados dessa escolha seriam distribuidos por todos os Estados e não num certo e determinado Estado flutuante.

    Já a escolha de um determinado Senador ou Congressista de um determinado Estado Flutuante, que seja bastante popular, mesmo sendo um nome menos conhecido do geral, poderá ser a chave para uma vitória nesse Estado e consequentemente nas Eleições Gerais.

    Neste momento devem ser vários os nomes e os lobbies a trabalharem para colocar os «seus» nos dois Tickets, e certamente que será esse o principal assunto nas próximas semanas. Um erro de casting pode ser fatal…

  27. Caro Miguel,

    “90% dos negros votaram em Obama”

    Talvez pelas declarações de Bill Clinton na Carolina do Sul, recorda-se? Resumindo, Obama teria sempre uma larga fatia do eleitorado negro, mas a mesma foi maior porque a campanha de Hillary Clinton, mais precisamente o seu marido, cometeu um erro tremendo que alienou boa parte deste seu eleitorado (relembro que em Dezembro discutia-se o porquê de Obama perder no eleitorado negro para Clinton, na altura dizia-se que não era “black enough”).

  28. Caro Miguel,

    “Imagem o que se diria se 90% dos brancos não votassem em Obama por ele ser negro….”

    mas alguma vez entre os factores apontados para os negros não votarem em Clinton estava o facto desta ser branca? Não foram esses mesmos negros que constituiram uma das bases mais sólidas de apoio a Bill Clinton?

  29. Caro P. Lourenço,

    “Parece claro, neste momento, que McCain estará ligeiramente à frente de Obama na corrida as presidenciais de Novembro.”

    Pois parece, é por isso que lhe aconselho a ir ao intrade (http://www.intrade.com/) e a comprar McCain a 35 contra Obama a 61.

  30. “mas alguma vez entre os factores apontados para os negros não votarem em Clinton estava o facto desta ser branca?”

    tem razão jorge. foi pelos lindos olhos de Obama. se ele não fosse negro tinha na mesma 90% dos votos, desde que tivesse os mesmos olhos.

    cumprimentos

  31. Caro Miguel,

    “foi pelos lindos olhos de Obama. se ele não fosse negro tinha na mesma 90% dos votos, desde que tivesse os mesmos olhos”

    leu esta parte, não leu:

    “Talvez pelas declarações de Bill Clinton na Carolina do Sul, recorda-se? Resumindo, Obama teria sempre uma larga fatia do eleitorado negro, mas a mesma foi maior porque a campanha de Hillary Clinton, mais precisamente o seu marido, cometeu um erro tremendo que alienou boa parte deste seu eleitorado”


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