Publicado por: Nuno Gouveia | Junho 5, 2008

VPs Talks

A escolha de Mccain e Obama para Vice-presidente vai ser uma das tónicas dominantes dos próximos tempos na agenda destas presidenciais. Apesar desta escolha nem sempre ter tido influência no resultado final das eleições, existe uma série de factores que colocam esta opção no topo da agenda mediática. Nunca serão nomes consensuais, e por isso, há uma enorme discussão entre o staff dos candidatos. No final, será sempre uma escolha individual e solitária…

Ou não. Vejamos o caso de Barack Obama. Hillary Clinton demonstrou que estaria disponível a aceitar o lugar de VP, caso fosse convidada por Obama. É quase certo que ela vai lutar por esse lugar, até porque irá suspender a campanha e não desistir. Ao fazê-lo, irá manter o direito aos delegados que conquistou, mantendo a pressão sobre Obama. A força que conquistou nestas primárias, pelos 18 milhões de votos que recebeu, colocam-na numa posição privilegiada para exigir um lugar no Ticket. O problema é que têm surgido rumores (com fundamento) que a candidatura de Obama não deseja oferecer esse lugar a Clinton.

A campanha de Obama já designou uma equipa constituída por Caroline Kennedy, Eric Holder, que trabalhou com os Clinton na Casa Branca e Jim Johnson, que vai liderar esta pesquisa. Clinton acrescentaria muito a Obama, mas também poderia ser prejudicial. As más relações entre as duas candidaturas, somando o facto que esta campanha teve momentos muito duros, poderão impossibilitar o dream ticket. Uma coisa é certa: Obama não deseja ter Clinton na sua equipa, mas se esta pressionar para isso acontecer, ser-lhe-á difícil recusar essa opção.

Mas há mais nomes que têm sido falados para VP de Obama. A Virgínia pode ser um estado que mude para os democratas nas próximas eleições, e há neste momento três nomes que têm sido referidos deste histórico estado do Sul: o governador Timothy Kaine, o senador Jim Webb e ainda o antigo governador e actual candidato ao senado, Mark Warner. As governadoras do Kansas, Kathleen Sebelius, e do Arizona, Janet Napolitano, ambas apoiantes de Obama desde a primeira hora, são outras possibilidades femininas para Obama. O governador do New México, Bill Richardson, o antigo candidato presidencial John Edwards, o senador Joe Biden, do Delaware, ou senador Chris Dodd, do Connecticut, são outros potenciais nomes para a shortlist de Obama. Michael Bloomberg aparece como potencial candidato a VP de Obama, curiosamente sucedendo o mesmo em relação a John Mccain.

No campo republicano, existe também uma disparidade de nomes a circular na imprensa. Recentemente, têm surgido insistentemente os nomes de Bobby Jindal e Sarah Palin, governadores do Louisiana e Alaska, respectivamente. Jindal foi eleito apenas em 2006, mas tem características que o tornariam muito apelativo para o eleitorado: tem credenciais conservadoras, tem 36 anos e é descendente de pais indianos. Estudante brilhante da Ivy League, é considerado um dos grandes políticos de futuro no GOP. E já conseguiu obter um razoável apoio dos pundits e opinion makers republicanos. Sarah Palin, de 44 anos, bonita, governadora do Alaska, com índices de aprovação com mais de 90%, tem sido muito comentada na imprensa. É conservadora, tem um filho a combater no Iraque e poderá atrair o voto feminino, que normalmente vota democrata.

O governador do Minnesota, Tim Pawlenty, o senador independente Joe Lieberman, Mike Huckabee ou Mitt Romney têm sido outros políticos republicanos que surgem nos media. Charlie Christ, governador da Florida, e Tom Ridge, antigo governador da Penssylvania, estarão também na shortlist de Mccain, devido ao seu poder nesses swing states.

Até Agosto deverão ser conhecidas as opções de Obama e Mccain. Espero nas próximas semanas analisar detalhadamente as preferências dos candidatos. A questão mais interessante será saber se Hillary Clinton realmente irá “forçar” a sua candidatura a VP. Relembrando as palavras de Nancy Pelosi, ainda há um mês atrás, eu não teria tanta a certeza que teremos um dream ticket democrata.


Responses

  1. Proximamente, Obama terá que decidir tuas questões- chave: a escolha do Leader of Democratic Party (Helm?) e o/a VP. Em relação ao/à VP, ele quer tempo e não quer agir sob pressão.

  2. Caro Alberto,

    Parece-me que já escolheu um deles: Howard Dean vai manter-se chairman do DNC.

    http://www.politico.com/blogs/bensmith/0608/Dean_will_remain_as_DNC_chair.html

    Abraço

  3. Tks. Nuno,
    Foi uma excelente escolha.

    Um abraço

  4. Penso que as coisas estão decididas em 43 dos 51 estados, salvo alguma surpresa, que pode sempre surgir…

    Sobram 8 estados-chave, onde Obama tem de fazer algo para vencer:

    – Florida (onde Clinton venceria)
    – Indiana (pode conseguir um milagre)
    – Michigan (é favorito mas as sondagens são negativas)
    – New Hampshire (é favorito mas pode perder aqui)
    – New Mexico (pode conseguir algo aqui)
    – Ohio (estado decisivo nestas eleições)
    – Virginia (pode derrotar McCain)
    – Wisconsin (pode ter dificuldades)

    Assim, a escolha de um VP com «peso» num destes Estados será natural, não sendo por acaso que surgem três nomes associados à Virginia e o nome do governador do New México, Bill Richardson.

    McCain parece pensar do mesmo modo quando equaciona o nome de Charlie Christ, governador da Florida…

  5. Caro P. Lourenço, quer-me parecer que estão muitos mais Estados em jogo do que esses oito. Tudo confuso no Colorado, Iowa, Carolina do Norte, Nevada, Nova Jérsia e Pensilvânia, pelo menos. Aconselho uma visita a dois sites excelentes:
    http://www.electoral-vote.com/
    http://www.fivethirtyeight.com/

    Abraço a todos (e aos que me tratam por JGA, façam favor, que é mais prático e percebe-se perfeitamente)!

  6. Em relação à questão do VP, julgo tratar-se de uma questão importante numa luta equilibrada como esta, mas como alguém já recordou, desde 1960 (Lyndon Johnson, que deu o Texas aos Dems) que a escolha de um VP não tem influência directa e clara no resultado. Veja-se a “não-influência” de Edwards em 2004, por exemplo.

    Sinceramente, parece-me que é mais fácil para Obama escolher, pois há muitas áreas onde necessita de reforçar o seu apelo eleitoral e, com franqueza, o campo Democrata parece actualmente mais bem apetrechado.

    Não há soluções perfeitas, mas entre os vários nomes que o Nuno referiu, eu acharia o Bill Richardson uma bela opção: forte junto dos hispânicos, boas hipóteses nos três Estados do Oeste em disputa (CO, NV e NM), experiência na política internacional e relacionado com a Administração Clinton (boas recordações para a classe média).

    Outra boa opção seria Ted Strickland, o popular Governador do Ohio. Tem experiência política mas não está demasiado conotado com “Washington” (reforçaria a mensagem de mudança de Obama), seria um peso-pesado num Estado decisivo, era um grande apoiante de Hillary (excelente para uma reconciliação com os já famosos “18 milhões”) e ajudaria muitíssimo com os “blue collar workers”, entre os quais é popular.

    Nenhum deles é garantia de vitória, mas seriam tickets fortíssimos, não duvidem disso.

  7. McCain tem também várias hipóteses, mas a meu ver enfrenta um complexo obstáculo de ordem política/ideológica.

    Das duas uma: se McCain escolhe um moderado (como ele próprio), pode alienar os conservadores que já o odeiam e veriam com maus olhos a perda de influência no Partido Republicano, conquistada com muito esforço na última década. Resultado possível: grande desmobilização da “Direita Religiosa” e dos conservadores (abstenção) e dificuldades sérias em Estados muito relevantes como a Virgínia, a Carolina do Norte, talvez mesmo a Geórgia ou o Indiana.

    Segunda hipótese: McCain escolhe um conservador. Perigo imediato: a sua mensagem de “independente” pode sair beliscada e as hipóteses de conotarem a sua candidatura com a actual Administração são enormes. Neste cenário, McCain seria imbatível no Sul e nas grandes planícies, mas não o vejo a ganhar o Ohio, nem o Midwest e provavelmente nem sequer o Oeste “latino” (Colorado e Nevada em particular).

    Com sinceridade, acho que é uma bota muito difícil de descalçar.

  8. Não sei o que faz um smiley no meio de um dos comentários… Até que tem piada, mas o que escrevi inicialmente era mesmo um fecho de parêntesis!

  9. Bottom line, with Palin as VP, McCain WINS.

    Without Palin, McCain likely does not win.

    Case closed.

  10. Vejo McCain a ir por um VP conservador, na realidade. Precisa de alguém que faça o apelo aos grassroots na bible belt e pouco mais. Isso é essencial para ele porque, mesmo sabendo que estes eleitores nunca iriam para democratas, poderão decidir ficar em casa se o acharem demasiado liberal. Por isso, mais que qualquer outra coisa (economia, por exemplo), McCain precisa destes eleitores.

    Já Obama precisa de garantir dois tipos de elitores: os white blue-collars e os latinos. Não sei se Richardson agregaria ambos, mas é difícil acreditar nisto, além de parecer um ticket excessivamente “étnico”. Acho que a escolha irá para um VP típico, algo conservador para parâmetros democratas, com credenciais sólidas entre estes eleitores e, possivelmente, um governador de sucesso. Richardson poderia ajudar se se lhe oferecesse um cargo desde já na futura administração. Estado, por exemplo (ou outros…).


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