Publicado por: Nuno Gouveia | Junho 9, 2008

O mapa eleitoral de 2008

(Eleições de 2004)

Uma das questões que tem ocupado a agenda mediática é o mapa eleitoral de 2008. E há duas posições distintas, que implicam diferentes estratégias para os candidatos.

Uma boa parte dos analistas defende que será basicamente o mesmo de 2000 e 2004, com os candidatos a procurarem ganhar onde os seus antecessores venceram, procurando conquistar alguns dos swing states que caíram no lado contrário. Os que advogam esta teoria, acreditam que as melhores hipóteses de Obama ser eleito é recuperar alguns dos estados que Bush venceu por pouca margem, como Ohio, Iowa, Colorado, Novo México ou Nevada, e manter os estados de Kerry. Para os republicanos, bastará manter os estados que W. Bush conquistou, tentando “atacar” alguns estados que anunciam algumas fragilidades para Obama, como o Michigan, Wisconsin ou Pennsylvania.

A outra teoria, e que é a mais interessante, defende que esta será uma eleição radicalmente diferente das anteriores, e que poderá haver grandes surpresas, com muitas mudanças de campo entre republicanos e democratas. A marca GOP está em crise, e esta é uma oportunidade para Barack Obama atacar certos “fortes” republicanos. Os estados do Sul, especialmente a Geórgia, Virgínia e Carolina do Norte afiguram-se como potenciais alvos de Barack Obama. Há quem acredite que uma enorme afluência às urnas dos afro-americanos, juntamente com o recente crescimento do Partido Democrata, poderá contribuir para uma vitória para Obama em alguns destes estados. E o apelo de John Mccain aos independentes e moderados poderá funcionar em estados tradicionalmente democratas, como o Maine, Connecticut, New Jersey ou mesmo a Califórnia.

A minha perspectiva

Considero que não haverá grandes diferenças nos Battleground States este ano, em comparação com 2000 e 2004. Os Red e Blue States irão manter-se estáveis, com poucas alterações em relação às eleições anteriores. Não será propriamente uma repetição das vitórias de George W. Bush, até porque os candidatos são bastante diferentes, e o favorito até é democrata. Mas não é crível que haja muitos estados solidamente apoiantes de um Partido a votarem em sentido contrário nestas eleições.

Neste momento, com as sondagens conhecidas, e com o perfil dos apoiantes dos candidatos que é conhecido, apostaria em alguns estados, que Obama e Mccain vão tentar transferir para o seu lado.

Mccain: Michigan, Pennsylvania, New Hampshire, Wisconsin, Maine, Minnesota

Obama: Virgínia, Ohio, Nevada, Colorado, Florida, Missouri, Iowa, Novo México

Exceptuando alguma surpresa, ou um que me tenha escapado, estes são os estados em que aposto que os candidatos vão tentar disputar. Obviamente, e como tenho defendido, esta é uma campanha bastante dinâmica, que poderá sofrer alterações nos próximos meses.

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Responses

  1. Também acho que não vai haver uma “revolução no mapa eleitoral”, mas vamos provavelmente assistir a algumas mudanças – mais do que as verificadas entre 2000 e 2004. Vamos ver como decorre a campanha e qual a tendência; os últimos dias mostram (naturalmente) Obama a subir um pouco, mas têm aparecido poucas sondagens sobre os Estados em particular.

    Em relação às apostas do Nuno, algumas observações: parece-me que o Iowa e o New Hampshire estão trocados (o Iowa votou Rep em 2004 e o NH votou Dem). O Novo México também votou “vermelho” por isso é Obama e não McCain que o vai tentar “puxar” para o seu lado (será um battleground state, em todo o caso).

    Tenho sérias dúvidas que McCain possa ganhar o Maine e não acho que ele vá fazer grandes esforços nesse Estado. Em sentido contrário, penso que Obama deverá apostar alguma coisa na Carolina do Norte e na Geórgia (última sondagem dá Barr com 8 pontos neste Estado, o que deve causar calafrios a McCain).

    Para uma análise mais rigorosa precisamos de ver como corre a angariação de fundos. A manter-se a situação actual (Obama com mais 20 a 30% de fundos), McCain não pode apostar em 9 ou 10 Estados ao mesmo tempo, devendo insistir sobretudo no Ohio, Michigan e Virgínia (se ganhar os 3 será seguramente Presidente). Já Obama, com essa folga, pode montar uma boa campanha em 12 a 15 Estados (e nesse caso NC, GA e provavelmente a SC estariam incluídas).

    Um abraço!

  2. Caro JGA,

    Tem toda a razão nas observações que fez. Aliás, basta olhar para o mapa que coloquei, que se reporta a 2004. Vou corrigir esses dados…

    Em relação aos Batteground States, será mesmo que Obama tem hipótese de vencer na SC? Sempre pensei que esse seria seguro para os Reps. De qualquer forma, concordo consigo, e só daqui a uns meses veremos quais os estados que vão realmente estar em jogo.

    Abraço

  3. “Em sentido contrário, penso que Obama deverá apostar alguma coisa na Carolina do Norte e na Geórgia (última sondagem dá Barr com 8 pontos neste Estado, o que deve causar calafrios a McCain).”

    Um possível “efeito Cyntia McKinney” (candidata dos Verdes, ex-congressista Democrata da Georgia, negra) não neutralizará parcialmente o “efeito Bob Barr”?

  4. Caro Nuno, concordo que dificilmente a SC estará em disputa. A última sondagem dá 9 pontos de diferença e é território Republicano há muitos anos. O que eu quis dizer foi que se Obama dispuser de fundos consideráveis, é provável que deseje “forçar a corda” em alguns Estados mais difíceis, mas não a distâncias impossíveis (sobretudo se as sondagens mostrarem que está a portar-se bem no Sul), com o objectivo de dispersar a campanha de McCain.

    Claro que tudo isto é hipotético, mas os bons resultados de Obama na SC nas primárias, as dificuldades de McCain com os conservadores (fortíssimos na SC, como sabe) e o aparecimento de uma eventual sondagem positiva para os Dems pode levar Obama a “contestar” a SC. Mas seria uma grande surpresa se não votasse “vermelho” em Novembro, claro.

    Caro Miguel, que eu saiba, McKinney ainda não confirmou a sua participação. Em todo o caso, penso que não tem o impacto de Barr. Até porque se os Democratas, e em particular os negros, da Geórgia perceberem que Obama tem hipóteses, irão concentrar certamente o seu voto nos Dems. Já o mesmo pode não se verificar entre os Reps, pois Barr é muito popular entre os conservadores e já se sabe que McCain é odiado por este grupo…

    Abraço a todos!


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