Publicado por: Nuno Gouveia | Junho 16, 2008

Cuidado com as companhias …

A política americana é fértil em originalidades. A escolha das amizades e companhias é criteriosamente analisada pelos adversários, pelos media e pelos próprios apoiantes. Podem chamar-lhe hipocrisia, superficialidade ou rigor a mais, mas a verdade é que um candidato presidencial tem que escolher muito bem aqueles que aparecem ao seu lado. Os candidatos também são avaliados através das suas companhias. Em Portugal, isso não é valorizado, e é normal vermos os nossos políticos rodeados de dirigentes desportivos acusados de corrupção, ou mesmo de políticos com problemas com a justiça. Aliás, os portugueses gostam de premiar a acusação de corrupção, como se viu nos casos de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais.

Recuando até Dezembro, Rudy Giuliani começou a sua queda vertiginosa quando a sua ligação com Bernard Kerik, antigo comissário de Nova Iorque e que tinha sido acusado de corrupção, voltou às primeiras páginas dos jornais. Apesar de Guiliani se ter distanciado de Kerik, não lhe foi perdoada a sua avaliação errada de carácter.

Barack Obama tem estado na linha da frente da crítica sobre as suas companhias. Primeiro foi a sua associação com Tony Rezko, seu antigo apoiante desde os tempos de senador estadual, recentemente condenado por corrupção e fraude, lavagem de dinheiro e tentativa de extorsão. Depois foram as polémicas declarações de Jeremiah Wright, que causaram sérios danos à sua candidatura, e que obrigaram o senador do Illinois, primeiro a condenar as declarações, e depois, a renegar o seu líder espiritual dos últimos vinte anos. Mais recentemente, Barack Obama viu-se obrigado a “forçar” a demissão de Jim Johnson da sua comissão de escolha de VP, depois de terem sido detectadas as suas ligações a hipotecas fraudulentas na crise do mercado imobiliário.

John Mccain também tem tido os seus problemas por associação, principalmente com a ala conservadora do seu partido. Recentemente sentiu-se obrigado a rejeitar o apoio do pastor John Hagee, por este ter dito na década de 90 que Hitler estava a desenvolver a vontade de deus, ao eliminar os judeus da Europa. Esta semana foi criticado devido à sua conselheira económica, Carly Fiorina, antiga CEO da Hewlett-Packard, por ter tido negócios com o Irão.

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