Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 1, 2008

Ainda sobre a estratégia sulista de Obama

Ler este artigo de Thomas F. Schaller no NY Times. Na prática, ele concorda com a ideia que defendi no “The Southern Strategy de Obama”, onde defendi que é improvável que Obama conquiste muitos estados que pertenceram aos Estados Confederados. E sustenta que o único estado que poderá cair para Obama é… precisamente a Virgínia. Terra de Robert E. Lee e, que segundo o director da NBC News, está a “separar-se” da Confederação. Uma análise interessante, e com a credibilidade deste professor da Universidade de Maryland.

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Responses

  1. Trata-se sem dúvida de um excelente artigo, mas acho que o tema exige reflexões adicionais.

    1) Dizer que Obama não tem hipóteses de vencer no Sul, excepto na Virgínia e na Florida, é um bocadinho enganador. Porque, na verdade, essa excepção (2 Estados em 11), não é de somenos importância! Estamos a falar de 40 Votos Eleitorais… Se Obama vencesse nesses dois Estados, teria 99% de hipóteses de ganhar a Casa Branca.

    Por outro lado, apesar de a demografia destes dois Estados ser bastante diferente dos restantes 9 da “antiga confederação”, tratam-se ainda assim de Estados muito fiéis aos Reps num passado recente. A Virgínia vota Republicano desde 1964. E nas últimas 10 eleições presidenciais, a Florida votou Republicano 8 vezes. Se Obama vencesse nestes dois Estados seria extraordinário e quebraria já de forma significativa com o padrão de voto sulista habitual.

  2. Duas notas mais. Schaller afirma que, no fundo, não basta a Obama aumentar o voto dos negros e dos jovens para ganhar o Sul, sendo necessário uma improvável penetração nos “eleitores brancos”.

    Isto é verdade, mas só conta metade da história. Porque há que ter em conta a possibilidade de uma abstenção significativa do eleitorado branco, especialmente entre os evangélicos – que em muitos Estados sulistas (Geórgia ou Carolina do Norte, por exemplo) perfaz cerca de 30% do eleitorado total.

    Ora, como sabem, os evangélicos votaram maciçamente em 2000 e 2004, por verem em Bush “um dos seus”. Pelo contrário, os evangélicos odeiam McCain (como as primárias demonstraram, aliás). Muitos deles votarão na mesma nos Reps, mas se 10 ou 15% destes eleitores decidir ficar em casa em Novembro, isso poderá claramente mudar as “regras do jogo”, diminuindo a relevância do voto branco.

    Outra questão: Obama poderá até não ganhar no Sul, mas convém não descurar a importância estratégica de surgir “próximo” de McCain em alguns Estados (Geórgia, NC, talvez o Mississippi). Em 2000 e 2004 os Reps nem precisaram de gastar recursos nesses Estados, pois era território “garantido”. Todavia, se as sondagens derem resultados próximos (entre os 5 a 8%, como actualmente), o caso muda de figura.

    E se Obama decide apostar forte na Geórgia e na Carolina do Norte, por exemplo? McCain poderá sentir-se pressionado a desviar recursos e a concentrar atenções também nesses Estados. Pergunto-me até que ponto isso não poderia condicionar a eleição na sua globalidade…


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