Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 1, 2008

Obama joga ao centro

O candidato democrata está a fazer campanha ao centro e à direita, disso não tenhamos dúvidas. Na fase final das primárias tinha escrito várias vezes que Obama tinha perdido a aura de independente e moderado que tinha conquistado na fase inicial desta campanha. Devido aos ataques de Hillary Clinton, e dos seus próprios erros, estava a ser encostado ao sector mais à esquerda do Partido Democrata, o que seria sempre um entrave a uma vitória em Novembro. Mas como é convencional na política norte-americana, nas primárias o discurso é mais dirigido às alas mais ideológicas, sendo por isso natural uma mensagem mais “afastada” do centro político.

Nas últimas semanas temos assistido a um Barack Obama centrista, disposto a alinhar com as tendências mais conservadoras da política americana. Depois do Supremo Tribunal ter considerado ilegal a condenação à morte por violação de crianças, Obama discordou desta decisão. Mesmo na decisão do Supremo em ter declarado ilegal a proibição de armas em DC, o senador do Illinois considerou que os legisladores de DC tinham ido longe demais.

Pouco depois de ter obtido a nomeação, Obama falou para um grupo de judeus americanos, garantindo-lhes que Israel estaria sempre a salvo, e prometeu que Jerusalém se manteria como capital inseparável do país, contrariando assim algo que já foi prometido por George W. Bush. Em relação ao Afeganistão, Obama promete endurecer a luta contra os terroristas e os talibans, adoptando um discurso militarista e agressivo. E em relação ao Iraque, veremos ainda se não irá alterar a sua posição de retirada imediata após vencer as eleições, dadas as condições de melhorias substanciais no terreno.

Ainda ontem, num discurso sobre patriotismo, Obama criticou o famoso anúncio da MoveOn.org (uma organização que o apoia desde as primárias), onde estes acusavam o general David Petraeus de ser traidor dos Estados Unidos.

Obama tem cortejado os evangélicos, através das suas constantes referências ao papel da religião na sociedade. Segundo Mark Halperin, Obama pretende expandir os programas religiosos iniciados por George W. Bush.

Todas estas evidências demonstram que Barack Obama não é ingénuo, e pretende não dar razões aos seus opositores para o tratarem como mais um “liberal”, como Dukakis ou Mcgovern. Se não cometer erros, e conseguir demonstrar que estas posições não entram em contradição com o que realmente pensa, poderá conquistar importantes segmentos do eleitorado.

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