Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 4, 2008

Barack Obama muda de posição em relação ao Iraque?

O candidato democrata prometeu retirar do Iraque em 16 meses. O seu plano inclui uma retirada faseada das tropas de combate, deixando apenas um contingente especial defender os interesses americanos. Sem bases permanentes. Mas com os sucessos alcançados nos últimos tempos, devido à nova estratégia implementada pelo general David Petraeus, esta posição começa a ser difícil de manter. Por isso, Obama deu ténues sinais de alterar a sua posição inflexível.

Obama tem planeada uma visita ao Iraque durante este Verão, e afirmou esta semana aos jornalistas que as suas orientações têm evoluído conforme os acontecimentos, e que vai continuar a recolher informações sobre a situação no terreno. Ou seja, apesar de afirmar que mantém o plano de retirada, abre a porta a alterar o seu posicionamento. É pouco credível que o próximo Presidente dos Estados Unidos vá colocar em causa os sucessos alcançados nos últimos meses. Eu pelo menos não acredito.

Os republicanos e os jornalistas começaram a dizer que Obama está a mudar de posição em relação ao Iraque. John Mccain foi desde o inicio um apoiante da intervenção no Iraque, e critico da condução da guerra. Mas foi um dos maiores apoiantes desta nova estratégia, e agora espera reclamar o crédito pelo sucesso alcançado. E não deixará de tentar retirar dividendos desta questão.

As candidaturas têm trocado de argumentos sobre o Iraque, mas como previ há alguns meses, esta questão ainda pode ser um óbice para Barack Obama. Com o desaparecimento da violência das televisões americanas, será difícil manter a promessa de retirada incondicional. Apesar de ter negado veementemente que esteja a mudar de posição, Obama pode estar a preparar o terreno para, caso vença as eleições, não implementar o plano de retirada que prometeu anteriormente.


Responses

  1. Primeiro, financiamento público… agora, Iraque… Continuo a dizer: ser de “esquerda” é muito bonito para fazer oposição. Quando cheira a poder….

    Obama não é estúpido. Ele sabe (e já o sabia antes), que uma retirada do Iraque, num curto espaço de tempo, não seria muito diferente da debandada de Hanói. No entanto, para ganhar o partido democrata obviamente que tinha que seguir a estupidez de Hillary (que com dores de consciência pensava cometer uma estupidez para compensar outra). Agora, deixa acalmar as águas. Abre portas. Reune-se com Mccain. Chegam a um “consenso de cavalheiros” em relação ao Iraque. Obama salva a face. Mais um passo em frente.

    Como o Nuno disse, e bem, no post anterior, não é com a mensagem direccionada para a ala “liberal” que Obama ganha as eleições gerais. Essa fase já passou. Neste momento, o que “interessa” a Obama é ir ao encontro do pragmatismo dos Republicanos. E, meus caros, não tenham ilusões: se a luta estiver renhida nenhum “liberal” radical de s.francisco ou conservador religioso do sul irá deixar de votar no homem que lhe permite não perder. Esse homem será Obama ou Mccain.

    Cumprimentos

  2. Se Obama resolvesse alterar a sua posição sobre o Iraque estaria a correr um risco enorme.

    Ao contrário das recentes mudanças de opinião, esta poderia levar a uma debandada dos eleitores mais jovens e mais “liberais”.

    A retirada das tropas do Iraque, a oposição á guerra do Iraque foi a premissa principal da candidatura de Obama para muitos daqueles que nele votaram. Obama só foi o “menino bonito” da esquerda devido a esta posição e outras questões laterais (imagem).

    Se Obama vier mesmo a mudar de posição antes das eleições ai sim tem de se preocupar com Nader e com os eleitores que vão ficar em casa.
    A não ser que Obama consiga uma vitória histórica, que será um resultado entre clinton e reagan, só explicável por um descalabro na campanha de Mccain.

    O rótulo de flip-flopper é actualmente dos piores que um candidato pode arranjar e Obama não escaparia a ele com uma mudança deste calibre.
    Resta saber se os ganhos justificam o que se perde.

  3. Nada disto é verdadeiramente novo. Em primeiro lugar qualquer pessoa sensata via que seria impossível retirar do Iraque sem consequências dcesastrosas para os iraquianos e sem transformar o presidente no autor de uma derrota militar – e odiado por isso. Ainda, a Samantha ~Power já tinha admitido que os 16 meses poderiam não se cumprir. Os sinais já existiam todos. Mas concordo, isto é prejudicial para Obama.

  4. “se a luta estiver renhida nenhum “liberal” radical de s.francisco ou conservador religioso do sul irá deixar de votar no homem que lhe permite não perder.”

    Esta também é a minha perspectiva. Os liberais já aprenderam com os erros de 2000, e os republicanos, esses, votam em linha…

    “Ao contrário das recentes mudanças de opinião, esta poderia levar a uma debandada dos eleitores mais jovens e mais “liberais”.”

    Eu não acho que Obama vá mudar radicalmente de posição em relação ao Iraque. O que ele vai fazer é preparar o terreno para, caso ganhe, não cumpra o seu plano de retirada do Iraque.

    “Os sinais já existiam todos. Mas concordo, isto é prejudicial para Obama.”

    Sem dúvida que poderá ser prejudicial, não que vá afectar o apoio dos liberais, mas porque se a imagem de flip-flopper pega, vai ser difícil aguentar os moderados e independentes. Mas Obama sabe que não poderá retirar do Iraque e tem de preparar uma exit strategy para a sua anterior posição.

  5. […] Agora tome vergonha na cara e cumpra o que prometeu, ok? O mundo agora tá na tua mão, então vê se num vai dar pra trás! […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: