Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 15, 2008

Iraque divide os americanos e os candidatos

Segundo uma sondagem da ABC News/Washington Post, 50% dos americanos prefere o plano de retirada de Obama em 16 meses, enquanto 49% está de acordo com a posição de Mccain, em não estabelecer um calendário de retirada. Para 47% dos inquiridos, Mccain será o que melhor lidará com a questão do Iraque, enquanto 45% considera Obama o mais capaz. Segundo todas as sondagens, a guerra é o segundo tema que mais preocupa os eleitores, sendo que a economia é o assunto que está no topo das inquietações os americanos.

Estes números parecem contraditórios, pois na mesma sondagem, 63% das pessoas defende que a guerra não valeu a pena, e seis em dez rejeitam a ideia que é necessário vencer no Iraque para combater o terrorismo global. Mas o republicano, apesar de pensar de forma diferente, devido à sua experiência e ao seu passado militar, é considerado por 72% um potencial bom Comandante em Chefe. Por contraste, apenas 48% encaram que Obama terá uma boa prestação como Comandante em Chefe.

Uma outra sondagem, da CBS/New York Times, diz que, apesar estarem descontentes com o rumo do país em geral, e o estado da economia em particular, os americanos estão mais optimistas em relação ao Iraque. Apenas 7% diz que a guerra está muito bem, mas 45% defende que está relativamente bem, uma subida de 10% em relação ao mês anterior. Mas a maioria continua contra a guerra, com 59% a dizer que os Estados Unidos não deveriam ter invadido o Iraque e apenas 36% continuam a defender a intervenção.

Estas sondagens seguem a linha de pensamento que tenho defendido neste blogue. A guerra do Iraque é impopular e a maioria dos americanos está desagradada com a sua orientação. Mas isso não significa por si só uma grande desvantagem para Mccain, pois os sinais de pacificação no terreno ajudam a construir uma ideia diferente. Ninguém gosta de perder uma guerra, e Mccain está a conseguir convencer os americanos que uma retirada agora seria entregar o país ao caos e aos terroristas.

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Responses

  1. Penso que estes números reflectem a realidade do terreno. As pessoas podem estar contra o “pecado original” que foi a invasão e reconhecem que foi uma acção errada e sem motivações (além do petróleo) mas também se apercebem que deixar o país neste momento seria a pior opção. O facto de Hillary Clinton nunca ter voltado atrás relativamente ao seu voto deixou muitos democratas mais abertos para a possibilidade de ter tropas no Iraque durante mais algum tempo. Até o recuo de Obama neste ponto (já não defende de forma tão intensa um calendário de retirada) tem ajudado. Isso, no que se refere à questão iraquiana, acaba por ajudar McCain.

  2. A verdade é que muitos americanos, apesar de discordarem da guerra do Iraque, não desejam ser derrotados. E Obama não tem conseguido demonstrar que o seu plano de retirada não significará uma derrota.

    Não deixa de ser curioso que o Iraque não seja uma grande vantagem para os democratas neste ciclo eleitoral. Em 2006 foi uma das principais razões da vitória arrasadora nas eleições. Actualmente, dificilmente será uma das razões principais de uma possível vitória de Obama.


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