Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 19, 2008

Obama, candidato internacional

A próxima semana vai ser muito importante para Barack Obama. A visita ao Médio Oriente e à Europa vai ser um teste decisivo às suas credenciais em política externa e segurança nacional. Apesar de ter vivido na Indonésia durante a infância, a verdade é que Obama, à semelhança da maioria dos políticos americanos, pouco conhece do resto do mundo.

Mas Obama tem uma grande vantagem: todo o mundo já o conhece. E em certos sítios, como na Europa, já é idolatrado, às vezes, com uma ingenuidade gritante. Veja-se o caso de Mário Soares, que escreve artigos colegiais sobre Obama, talvez porque não conhece verdadeiramente as políticas que o candidato defende.

Não tenhamos dúvidas caros leitores: Obama vai recebido na Europa coma uma estrela de rock. O seu momento mais alto deverá ser o discurso em Berlim, onde se espera um grande momento de política. Se Mccain não teve a cobertura mediática intensa que desejava na sua digressão em Março, Obama terá todos os holofotes da imprensa americana e mundial.

Obama tentará demonstrar ao mundo, mas especialmente aos americanos, que irá mudar a imagem que os Estados Unidos possuem, sem colocar em causa os interesses vitais do país. A política externa é uma das poucas áreas que Mccain leva vantagem, e esta viagem será útil para reduzir essa superioridade. Esta viagem também servirá para colocar Obama ao lado de Presidentes, Primeiros-ministros e de locais históricos.

No inicio da semana, Obama estará na Jordânia, Israel e Palestina. Esta será a parte mais controversa da sua viagem. Ao ter defendido a unicidade de Jerusalém perante uma audiência de judeus americanos, Obama foi muito criticado pelo presidente Mahmoud Abbas. Obama já se “desculpou”, ao dizer que foi mal interpretado, pois apenas quis dizer que não quer muros nem divisões físicas na mítica cidade cristã-judia-muçulmana. Terá de obter um equilíbrio entre o que vai defender em Israel, onde se vai encontrar com os altos dignitários do país, e na Palestina, onde estariam ser preparadas manifestações anti-Obama. E diga-se também que a sua posição perante judeus não será fácil, devido às desconfianças suscitadas no período das primárias, onde o senador defendeu diálogo directo com o Irão, perspectiva que assusta os israelitas.

A presença de Obama nas capitais europeias será rodeada de um verdadeiro circo mediático, não sendo de excluir grandes multidões para receber o candidato democrata. Berlim receberá um dos grandes momentos deste périplo, onde deverá ter um discurso marcante sobre política externa. Deverá deixar uma mensagem de mudança, mas também de força. É de esperar que peça à Europa uma maior comprometimento com os problemas do mundo, nomeadamente o reforço do contingente militar no Afeganistão, uma das prioridades da sua política externa.

Esta viagem comporta alguns riscos. Apesar de ter tudo para correr bem, um pequeno percalço poderá oferecer “balas” para os republicanos. E a sua mensagem tem de ser muito cuidada. As diferenças com W. Bush são bastantes, mas Obama terá que moderar as suas críticas, pois está no estrangeiro. Terá de haver algum cuidado com os excessos de linguagem. Obama tem de mostrar-se presidencial e manter-se centrado numa mensagem única em toda a digressão.

A viagem já começou

Obama está hoje no Afeganistão, e é de esperar que amanhã esteja em Bagdad. Será interessante verificar qual o discurso que irá adoptar nos teatros de guerra.


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