Publicado por: Nuno Gouveia | Julho 31, 2008

Obama*

* Por MARIA JOÃO MARQUES, autora de Farmácia Central e colaboradora do Atlântico.

Não sei se sou eu que fui vacinada em pequenina contra a Obamania, mas olhando para toda esta histeria que rodeia Obama, para todas as crushes que o candidato desperta, para a baba de Hollywood e derivados, produzida sempre que se alude ao senhor (o que, de resto, já sucedeu com John Kerry e que, desconfio, seria ainda mais arrebatada se o candidato fosse o oscarizado Gore), para toda a emoção que os corações empedernidos dos jornalistas revelam conter quando noticiam qualquer facto sobre Obama, a única conclusão que eu consigo tirar quando olho para Obama e para a sua candidatura, é que Obama é um candidato muito fraco.

Sim, ele é um político talentoso, em especial se considerarmos os seus dotes de orador (que são aí uns oitenta porcento do talento total) e a sua capacidade de mudar de posição sobre todos os assuntos que considera importantes, explicando detalhadamente como nunca mudou de posição e como afinal é ele que segue o verdadeiro espírito das ideias que aparentemente contrariam os seus actos. Sim, Obama pode ganhar em Novembro. Sim, Obama pode até vir a ser um presidente razoável – afinal em termos de política interna não será muito mais intervencionista do que Bush que também já foi grande adepto do big government (e, dum lado do charco como doutro, os equilíbrios orçamentais são desejados e o défice orçamental não dá espaço para grandes devaneios); na política externa, claro que não dará seguimento aos ímpetos proteccionistas a que se abandonou durante as primárias (mesmo que quisesse, o que eu não acredito, não tem grande capacidade para tal; por exemplo, o que faria a China com as suas gigantescas reservas de dólares se os Estados Unidos impusessem quotas ou restrições qualitativas ou ambientais aos seus produtos?), no Iraque dará ordens de retirada quando considerar adequado e quanto ao Irão nunca na vida conseguirá vender aos americanos a legitimação de Ahmadinejad que uma cimeira bilateral acarreta (como já percebeu e levou a nuances atrás de nuances a serem acrescentadas à ideia inicial de encontros sem pré-condições). Nos restantes tópicos quentes da política externa, como a Coreia do Norte ou Israel (o Nuno Gouveia notou e muito bem lá para baixo que, apesar da Europa anti-Bush e anti-Israel se esquecer sempre do facto, os judeus votam em grande maioria nos democratas) Obama não fará mais do que continuar a política de Bush.

E no entanto… A fraqueza de Obama é demonstrada de uma forma simples. Bush tem, actualmente, índices de aprovação de menos de 30%; qualquer candidato democrata à presidência de qualidade média não poderia deixar de estar uns quinze pontos (pelo menos!) à frente do candidato republicano nas sondagens, sem qualquer dúvida no espírito de algum americano de que teria uma vitória muito folgada. Ora Obama não consegue ultrapassar McCain por mais de uma meia dúzia de pontos e nas últimas sondagens a margem estreitou-se. Sendo que McCain tem alguns contras de peso, como a idade, o partido e o apoio à guerra do Iraque.

Sinceramente, não penso que a raça de Obama esteja na raiz da fraqueza da sua campanha (apesar de ser muito diferente a forma como as várias raças olham para Obama). A causa da fraqueza de Obama é, na minha opinião, aquilo que McCain vem dizendo e que Hillary Clinton também o acusou: o de não ter empatia com o americano comum, o de estar desfasado da sua realidade, o de ter valores muito dissonantes da generalidade do cabaz dos american values. Li há uns tempos que seria um caso de estudo das primárias democratas como Hillary, que ganhou com o marido cem milhões de dólares nos últimos oito anos, havia conseguido colar em Obama, criado só pela mãe, o epíteto de elitista. Mas conseguiu e parece-me que por ser verdade. O percurso de Obama deveria fazer os americanos voltarem a acreditar no american dream, mas na realidade o que percebem é que alguém tão bem sucedido – graças à mobilidade social da sociedade americana – tem tanto para criticar nessa sociedade e tão pouco para agradecer. Obama, por muito que se esforce (e esforça) é um liberal e não um centrista; o que quer dizer que os media liberais e Hollywood o adoram e os americanos médios desconfiam dele. Ainda: Obama sente-se bem num palco, discurso escrito por um speechwriter habilidoso, com grande audiência que apenas intervém gritando Yes we can ou outra coisa similar, com câmaras de televisão em abundância; as pequenas reuniões com os eleitores, em que estes podem colocar perguntas e em que candidato e eleitores debatem directamente são indesejáveis para a campanha de Obama (lembremo-nos dos dez town-hall meetings propostos por McCain); parece até que Obama considera abaixo do seu nível este género de testes, tal como já havia considerado um enfado explicar-se no último debate com Hillary.

No fundo, Obama pensa que os eleitores devem votar nele porque ele se pensa como o melhor para o lugar e os eleitores (nem pouco mais ou menos tão inteligentes como Obama) devem acreditar no seu discernimento. Esta falta de humildade também pode explicar alguma fraqueza da campanha, se não do candidato. É que esta estratégia de tentar ganhar toda a gente parece-me estranha e ineficaz. Por mais que Obama seja religioso, os evangélicos nunca vão apoiar alguém abertamente pró-escolha, que defende a investigação em células embrionárias, sabe-se lá que opinião tem do casamento homossexual e não se destaca pelas suas políticas de apoio à família tradicional. Os eleitores conservadores dos estados do Sul também não aparentam quererem inverter orientações políticas (não partidárias) provenientes do período anterior à Guerra Civil. Os europeus, por muito que se tenham rendido a Obama, não votam nas eleições americanas; pior, os americanos (excepto umas dúzias nos meios mais liberais e cosmopolitas das duas costas) estão-se marimbando para o que dizem os europeus, que continuam a ver como aqueles endiabrados irresponsáveis e mal-agradecidos que por duas vezes obrigaram o pai, ou o tio, ou o avô ou o bisavô ou o tio-avô a deslocarem-se para o velho mundo para nos porem a casa em ordem. Por outro lado, Obama está muito confiante no eleitorado tradicional dos democratas, sendo que algumas franjas ainda mantêm reticências sobre o candidato (por exemplo os idosos; a adesão dos hispânicos a Obama é ver para crer, por muito que as sondagens digam o contrário) e deviam ser mais cortejadas.

Com tudo isto, se Obama ganhar, mais do que a si próprio deve agradecer a Geoge W. Bush. E, em menor escala, aos votantes de primeira vez que consideram que o maior problema que o seu país enfrenta é o aquecimento global.


Responses

  1. Concordo com esse artigo quando diz que Obama é um candidato muito fraco, ele demonstrou isso já nas primárias quando teve várias chances de encerrar a corrida antecipadamente e deixou Hillary ressurgir, em 04 de Março foi um exemplo, posso até estar enganado e isso não nunca saberemos, mas em circunstância normais com o governo Bush com popularidade regular ou boa, Obama não venceria…

  2. Poderia a articulista apontar também os eventuais aspectos menos conseguidos do J. Maccain, o que daria ao artigo em apreço uma certa consistência acrescida.

  3. HC perdeu a campanha precisamente por usar e abusar este tipo de slogan: “o de não ter empatia com o americano comum, o de estar desfasado da sua realidade, o de ter valores muito dissonantes da generalidade do cabaz dos american values [entre outros].” Existem novas dinâmicas de mudanças na sociedade Americana perceptíveis para quem vive cá.

    Por outro lado, afirmar apenas que McCain “tem alguns contras de peso, como a idade, o partido e o apoio à guerra do Iraque.” Diz tudo

  4. Parece-me um bocado abusivo querer colocar em Obama o epíteto de fraco candidato só porque a 3 meses das eleições não têm mais que um ligeiro avanço.

    Conhecendo minimamente a história recente das eleições presidenciais nos EUA, é fácil verificar que os democratas dificilmente ultrapassam os 50% dos votos.

    A popularidade do presidente Bush está de facto em mínimos históricos, mas McCain não é Bush, e esta é uma campanha diferente. Obama travou uma das mais duras lutas da história das primárias americanas e ainda se sente algum ressentimento no campo dos Clintons. Enfrenta agora o candidato do partido que ganhou 5 das últimas 7 presidenciais e não obstante a crise por que passa o GOP, este continua a ser para uma maioria dos americanos o partido dos “valores”.

    Não me parece portanto que Obama seja um candidato particularmente fraco, o argumento com que a autora do texto quer justificar a debilidade do candidato democrata têm sido utilizado contra todos os candidatos deste partido com um breve interregno no tempo de Bill Clinton. Karl Rove utilizou-o há poucos meses quando comparou Obama ao sujeito que fica no canto de uma sala de um qualquer clube acompanhado de uma bela mulher a fazer comentários jocosos sobre aqueles que passam.

    Parece excessivo que um candidato com tão pouco talento (sendo apenas 20% deste, talento não oratório), tenha em quatro anos passado de senador estadual do Illinois e perfeito desconhecido a nível nacional a principal favorito a ir ocupar a Casa Branca nos próximos anos.

    No entanto não posso deixar de admirar a ferocidade deste manifesto anti-obama…

  5. Subscrevo totalmente o que diz o Daniel Ferreira.

  6. Alberto, este era um texto de opinião, não um artigo jornalístico, e apenas se debruçava sobre Obama, que é o front-runner e merece, como tal, maior escrutínio. Se o Nuno Gouveia tiver paciência, talvez eu escreva aqui sobre McCain.

    Silas, discordo. A Hillary perdeu por erros crassos de estratégia de capmanha inicial, que o Nuno Gouveia já aqui apontou muitas vezes. Na parte final das primárias Hillary esteve óptima e, se tivesse assim iniciado, teria sido a nomeada. E teria muito mais facilidades de vencer do que Obama. A campanha de Obama não pára de dizer que há novas dinâmicas, até no mapa eleitoral, mas a verdade é que elas não se vêem.

    Daniel Ferreira e Rui Pedro Nascimento, dificilmente é um feroz manifesto anti-Obama, até porque eu também não voto nas eleições americanas e, como refiro, ele, eleito, não terá grande margem de manobra para fazer grandes disparates. Quanto à meteórica subida de Obama de senador estatal a candidato à presidência, deve-se precisamente a não ter tido tempo para criar muitos anti-corpos tanto no partido como no eleitorado; de facto, houve vários senadores democratas (o Ted Kennedy foi um deles) que o aconselharam a concorrer cedo porque, assim, havia poucas pessoas que não gostavam dele; lamento, mas acho isto mais um sinal da fraqueza de Obama.

    Lenadro Amaral, esse é precisamente o meu ponto.

  7. Caro Alberto, este texto é sobre Barack Obama e não sobre John Mccain. Pode ser uma posição dura contra Obama, mas é sobre ele. Nem sempre temos que nos referir apenas aos dois lados.

    Numa época em que o politicamente correcto, especialmente na Europa, quase impinge uma obrigatoriedade de apoiar Barack Obama, e colocar num altar tudo o que o democrata defende, é importante ter o contraditório e opiniões divergentes. E este texto aponta algumas fraquezas da candidatura de Obama. Não considero que Obama seja um candidato fraco, mas sem dúvida que tem demonstrado muitas debilidades. Obviamente que estas também existem na candidatura de Mccain. Não são candidatos perfeitos…

    Mesmo nas primárias democratas, se não tivesse sido o mês desastroso de Fevereiro para HRC, será que Obama tinha obtido a nomeação? E Obama não deveria ter mais vantagem nas sondagens? Há muitas dúvidas legítimas que podem e devem ser levantadas sobre a sua candidatura.

    A discussão saudável é bem-vinda a este blogue. A argumentação utilizada pelo Daniel Ferreira é um bom sinal deste debate de ideias. Como sempre, estou completamente disponível para publicar opiniões divergentes do que vou manifestando. Sintam-se à vontade para as enviar!

    Cumprimentos,

  8. MJM,
    Só agora vi o seu comentário. Obviamente publicarei, com muito gosto, a sua opinião sobre John Mccain.

  9. […] 1, 2008 Eleições Americanas de 2008 Posted by Carmex under Genéricos   Hoje vendi-me à concorrência (daquela feroz, voraz, etc., porque muito boa concorrência) e está um texto meu no Eleições […]

  10. 1. A imagem de que Obama “… não é patriótico o suficiente, tem um nome estranho e não se parece com todos os presidentes que vemos nas notas de dinheiro, ele representa um risco”, faz-me lembrar exactamente dos argumentos utilizados pela candidata republicana em relação ao actual Governador de MA (D. Patrick ), em 1996.
    2. Há um deslizamento do foco de análise para o benefício de JM ancorado no síndroma dos «forty five» e das estratégias momentâneas individuais.
    3. A decisão dessas eleições reside possivelmente no desempenho do Partido Democrático, dado que o PR, JM e P. Busch articulam-se, muito bem, ultimamente.

  11. Hillary venceria McCain com muito mais facilidade com que Obama poderá vencer

  12. Caro Nuno Gouveia, desafio-o a tomar partido de um dos candidatos, como acontece com todos os orgão de comunicação americanos, e alguns blogs.

    Se fosse americano, votava em …

    🙂

    Abraço

  13. O Nuno assemelha-se ao OBAMA, na perspectiva “marquesiana” : HC -inícios das Primárias até quase ao final; OB- depois das suas féria e vitórias nas Primárias; JM – até ao seu Congresso; Candidato Vencedor- depois de 4 Novembro.

  14. O texto sobre Obama é bom e essencialmente correcto, pois o efeito novidade parece ser essencial nele.

    Tentem ler os discursos de Obama, em papel impresso, e verão que boa parte do mesmo não passa de um balão cheio de eloquentes frases genéricas mas sem substrato.

    Para mais, o texto em causa é uma mera opinião, não um pretenso documento jornalístico factual.

    Curiosos os ataques, que decerto seriam muito mais suaves se estivéssemos perante mais um texto de apoio a Obama ou de ataque a McCain.

    Se calhar, eu até votaria em Obama, por ser uma candidatura histórica (sim refiro-me à questão da raça!) e por eu estar mais próximo dos democratas, mas ele tem pontos fracos, obviamente. (até mais que o Kerry)

    Miguel Direito

  15. Caro Acostal,

    Nunca escondi (já o escrevi em alguns comentários aqui) que ideologicamente estou mais próximo de John Mccain. Há um ano atrás, o meu favorito era Rudy Giuliani. Depois da sua campanha desastrosa, fiquei claramente convencido que não seria uma boa escolha para a Casa Branca. A minha segunda escolha, e talvez única no GOP, é John Mccain. Que sempre respeitei e admirei, desde a sua campanha falhada em 2000. Se fosse americano, seria um típico republicano da Costa Leste. Nunca votaria em tipos como Huckabee ou Tancredo.

    Com o decorrer desta campanha, aprendi também a respeitar imenso Hillary Clinton (por quem não nutria simpatia antes), pois observei que, de facto, estávamos perante uma grande política. Os seus erros iniciais foram fulcrais para a sua derrota.

    Em relação a Barack Obama, respeito e admiro o que está a conseguir alcançar nestas eleições. Cometeu e irá cometer mais erros, mas todos os candidatos o fazem. Tem implementado novas tácticas, nomeadamente online, que vão marcar os próximos anos em campanhas políticas. Na primeira campanha da era digital, Obama é o grande inovador. Chegou aqui através dos novos media. Só posso simpatizar com uma campanha destas. É o favorito a vencer as eleições presidenciais deste ano. Tem fragilidades, e enfrenta um grande adversário do outro lado. Estou farto de o dizer. Se o GOP não tivesse escolhido Mccain, já estaria derrotado há muito tempo. Romney, Huckabee ou Giuliani seriam cilindrados. Por Obama, Clinton ou Edwards. Ou mesmo por Biden ou Richardson.

    No blogue tenho optado por tentar analisar, de forma fria e isenta, esta campanha. Não obstante a minha preferência por Mccain, penso que o tenho conseguido. Até porque não desenvolvi, antes pelo contrário, antipatia por Obama. Ou por Hillary, antes. Mas não irei escrever nenhum texto a explicar a minha preferência. Até porque não considero que faz sentido. Afinal, nem eu, nem 99% dos leitores deste blogue vota nestas eleições.

    Repito. Quem estiver interessado em enviar textos para publicação no blogue, está à vontade! No cumprimento de certos critérios de rigor, serão publicados. Defendo uma pluralidade de opiniões, que apenas fortalecem o debate. Principalmente num espaço como este.
    Cumprimentos. E boa discussão.

  16. As coisas começam a correr mal para Obama. As sondagens de hoje estão a dar um mini momentum a McCain.
    Estão empatados na Gallup, e recuperou 4 pts em dois dias a Obama e está a 1 pt no Rasmunsen

    Obama não consegue ganhar o eleitorado de Hillary, que nesta fase, está a começar a transferir-se para McCain.

  17. “recuperou 4 pts em dois dias a Obama na CNN”

  18. Obama um candidato fraco? ou eu estou a acompanhar outras campanhas para uma qualquer eleição ou então sou eu que sou doida.
    Uma maneira facil de se ver se alguem é fraco é medir o nivel de descurso do adversario, Mccain acabou de asinar a sua certidão de obito quando os apoiantes da sua campanha começaram a atacar as origens de Obama ,isso não se faz é feio atè mesmo na politica eu ja sabia que isto iria acontecer não passam todos de uns racistas camuflados, mais é por isso que eu adoro as EUA a terra em que tudo pode acontecer VIVA OBAMA VAIS GANHAR E CALAR A BOCA A TODOS QUE NÃO QUEREM UM NEGRO NO TOPO DO MUNDO.

  19. Oi, como o mundo já pode ver nao sendo de minha ousadia digo e repito Obama já é Campeão não só nos Estados Unidos mas no mundo inteiro, ele se tornou um rei e um rei tendo o planeta como seu reino e aliado de todos nós.
    Estou com você Obama e o planeta também está, para o que der e vier!!!!!!!!
    Meus Parabens ,idolo do mundo.

  20. Obama e um grande idolo por mais que nao mude nada na America ta a mostrar que a A merica e o verdadeiro pais das mil oportunidades.

  21. I yudiro Bitencourt. I authorize my mother encontar feature request on my behalf financial assistance who can donate anything I can get a place to live because it has much less resource and employment is difficult I sell popsicles in martial Olegario I ran the elections went well for being voted most I boycotted deficient. And they sent me beat my mother is going to Brasilia offices asking us to feature or buy land or a house because I was drawn to house the town hall I have all my documents more was asked last year was her birth certificate in the office of well this social and say they no longer serves more I ask another has not arrived yet I fear that nothing will happen. Because we do not have money to go get this one again via the registry funny that this blessed us far into the fires of hell being poor has seemed hell contagious disease. My mother will go hitchhiking across each cabinet can give any value and a great help. Thus able to help my brother and I agradeço.eu are disabled. In this home we will not have the home value of the land and 85.000oitenta-five thousand dollars. Longer a house costs 200,000 this old house used to value and more near and not so far as we have to live near the points needed, as most local pharmacy and hospital I can supply supermarket as well thanks to short power saving my mother’s name julia coast Bitencourt box oo97 economic agency op at 013 13187-4 I account for the buses to be wheelchair is not always available to me because it has a ramp for I can enjoy. the mother will seek further vcs making the deposit or u can compar handset Land 36613435 terrain and a neighborhood proxpróximo the holy house very obrgado yudiro bitencourt phone 34 88256150


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: