Publicado por: Nuno Gouveia | Agosto 5, 2008

As minhas escolhas…

Antes de serem reveladas as opções de Barack Obama e John Mccain para Vice-presidente, vou divulgar as minhas inclinações para o cargo. Não tenho apenas uma opção, e deixarei três nomes para cada candidato.

Barack Obama parece ter vários problemas nesta decisão. Ao que tudo indica, não vai escolher Hillary Clinton. É um nome que desperta ainda muita animosidade na sociedade americana, mas a principal razão será devido à má relação entre ambos, e especialmente entre Obama e Bill Clinton. O Senador do Illinois baseia a sua campanha na mensagem de mudança, e colocar novamente na Casa Branca um Clinton não seria propriamente grande transformação geracional. E com uma VP tão poderosa como Hillary, Barack talvez tivesse problemas de governação. E o que fazer a Bill Clinton? Uma recente sondagem indicou que Hillary é a candidata a VP, juntamente com John Edwards, que gera mais sentimentos negativos do eleitorado. Mas deixar Hillary de fora irá criar sempre aversão nos sectores pró-Clinton.

Por isso esta minha primeira escolha: o senador do Indiana, Evan Bayh. Apoiante de Hillary desde o primeiro momento, Bayh poderia ser um bom complemento ao ticket democrata. Iria gerar um apoio totalmente comprometido do casal Clinton ao aliado do Indiana, e isso poderia apaziguar as hostes mais reticentes. Bayh possui a experiência necessária de Washington, mas não é propriamente um insider. E uma vantagem muito interessante, pois poderia definitivamente colocar o Indiana em jogo, um estado que não vota num candidato democrata desde 1964. O último candidato a VP que “ofereceu” um estado, foi em 1960, quando Lyndon Johnson contribuiu decisivamente para a vitória de John Kennedy no Texas. A melhor opção no Senado democrata para Barack Obama será Evan Bayh. Joe Biden, outro dos nomes constantemente referenciados, pouco acrescentaria ao ticket.

Tem havido muita especulação que Barack Obama não deverá escolher alguém do Senado, e procurar alguém com experiencia executiva. E pelo que tenho lido, um nome tem-se destacado: Tim Kaine, da Virgínia. Este histórico estado do sul também não vota democrata desde 1964, e há indícios que dar a vitória a Barack Obama. Com Kaine no ticket, a Virgínia ficará mesmo em perigo para os republicanos. A excelente relação entre ambos seria um factor extra de entusiasmo nesta campanha. A mensagem é de mudança, e com Obama-Kaine, isso seria totalmente verdade: Obama tem 3 anos no Senado e Kaine 3 anos Governador da Virgínia. Claro que isso seria também um obstáculo a esta candidatura. Mas num ano em que os americanos parecem desejosos à mudança, nada melhor que apresentar um leque de candidatos renovadores.

Para o fim, uma aposta transformacional. A escolha de um republicano, como um forte sinal de mudança em relação ao clima de guerrilha política que os Estados Unidos vive desde 1994. Chuck Hagel seria uma excelente opção. Poderia enfurecer a base mais liberal do partido, mas certamente esta não deixaria de votar em Obama, sob o risco de verem os republicanos manterem a Casa Branca durante mais de quatro anos. Hagel é um republicano moderado, que esteve na linha da frente contra George W. Bush em diversas questões, nomeadamente na guerra do Iraque. A sua presença poderia ser decisiva para atrair os votos dos independentes e moderados, que vão ser decisivos nos swing states. E não faria grande mossa nos estados liberais da costa leste ou oeste. Esta poderia ser a aposta mais arriscada, mas também a poderia contribuir para angariar mais votos fora dos Blue States.

John Mccain enfrenta mais adversidades nesta campanha, e por isso defendo que deva apostar num ticket “excitante”, como defendeu Newt Gingrich. Não só para a base conservadora, mas especialmente para os moderados e independentes, que neste momento pendem para Barack Obama. Por isso, Sarah Palin, Governadora do Alaska, seria uma notável opção: apesar de ainda pouco conhecida a nível nacional, é muito respeitada nos sectores conservadores. Seria uma importante aliada para a obtenção do voto das mulheres, especialmente acima dos 40 anos, onde Obama enfrenta dificuldades. Em relação aos conservadores, não iria ter problemas, e seria uma aliada em relação ao eleitorado central, sempre disposto a votar politicamente correcto. Não tenhamos dúvidas: apesar das suas qualidades, a principal marca de Palin é ser mulher. E isso poderia trazer votos. E tem aliados de peso na estrutura republicana, como se tem visto nesta “campanha” para VP.

A escolha mais arriscada, seria optar pelo senador independente do Connecticut, Joe Lieberman. Numa recente sondagem, foi um dos melhores colocados, juntamente com Mike Huckabee. Seria uma jogada decisiva na conquista dos independentes e moderados, e poderia funcionar positivamente em alguns blue states, como New Jersey, Oregon ou Connecticut. Os judeus votam maioritariamente nos democratas, mas com esta candidatura, poderíamos ter alterações. E em estados como a Florida, o voto judeu é fundamental. Lieberman seria também uma mensagem de mudança ao eleitorado, apostando no fim da divisão entre conservadores e liberais. Poderia enfurecer a base conservadora, mas consolidaria a imagem de maverick de Mccain, que foi o que o transformou numa figura de relevo nacional. E poderia colocá-lo novamente nas boas graças dos media.

Se Mccain optar pelo candidato mais convencional, então esse deverá ser Mitt Romney, seu adversário nas primárias. O antigo governador do Massachusetts, poderia “oferecer” o Michigan a Mccain, segundo indicam algumas sondagens. Seria um conforto para a base conservadora do partido, e traria credenciais económicas para o ticket republicano. Romney também seria sinónimo de muito dinheiro. Alguns red states em perigo poderiam deixar de o estar, e não seria um nome que iria acrescentar confusão à candidatura de John Mccain. Seria, diga-se, a escolha mais consensual. E isso poderia assentar bem ao rebelde Senador do Arizona entre os republicanos.

Estas minhas escolhas têm sido algumas das mais referenciadas nos media americanos. Mas a tradição exige-nos que sejamos prudentes neste tipo de análises. Por vezes surgem surpresas, como em 2000, quando George W. Bush escolheu Dick Cheney. Ou em 1988, quando George H. Bush escolheu o desconhecido senador do Indiana, Dan Quayle, que se revelou uma desgraça. Esta é uma selecção que pode ser mais prejudicial que benéfica, e por vezes, os candidatos optam por colocar alguém já completamente escrutinado pelos media, para não terem surpresas negativas. Em 2004, John Edwards era já uma opção esperada de John Kerry. No século XX tivemos exemplos de vária ordem. Resta esperar pelos anúncios dos candidatos.

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Responses

  1. Concordo com dois nomes para Obama Evan Bayh e Tim Kaine, quanto a Hagel seria uma boa opção, mas demasiadamente arriscado demais.Mas para Obama uma quase certeza podemos ter, não será Hillary Clinton e nenhuma outra mulher como Kathleen Sebelius, por que Obama não irá se atrever a colocar uma outra mulher que não seja Hillary, o risco de rejeição seria muito grande.
    Quanto aos vices de McCain, acho que ele vai optar mesmo por Romney, pode mudar e surpreender, mas não creio muito…

  2. Também penso que o VP mais provável para McCain é Romney, mas acho que a melhor escolha seria Sarah Palin. Agradaria aos conservadores pelos seus valores intransigentes da defesa da família e anti-aborto, é fiscalmente conservadora, tem carisma e, sim, é mulher e é bonita.

  3. Sarah Palin iria introduzir a tal “excitação” no ticket republicano que Newt Gingrich falou. E a GOP brand bem precisa de inovar, se quer manter a Casa Branca. Analisando os níveis miseráveis de popularidade do presidente, será mesmo necessário algo de novo.


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