Publicado por: Nuno Gouveia | Agosto 21, 2008

As razões da descida de Obama

O mês de Agosto acabou por não ser favorável às pretensões de Barack Obama, apesar de ainda poder terminar de forma positiva, com Convenção Democrata. A generalidade das sondagens desta semana foi boa para John Mccain, e podemos falar num conjunto de factores que poderão ter contribuído para este panorama.

Em primeiro lugar, a tão publicitada e aguardada viagem de Barack Obama ao Médio Oriente e Europa não contribuiu para as suas aspirações. Enquanto o candidato democrata era recebido como um rock star em Berlim, John Mccain estava nos Estados Unidos a “batalhar” pela vida, a reafirmar o seu comprometimento com o povo americano. O erro desta viagem foi o excessivo triunfalismo com que foi encarada, porque por vezes parecia que se tratava de uma digressão presidencial, quando de facto era apenas de um candidato. E paradoxalmente, as imagens de milhares de pessoas em Berlim para ouvir Obama acabaram por funcionar ao contrário, com a exploração da campanha de Mccain no anúncio “Celeb”, em que Britney Spears e Paris Hilton eram comparadas ao seu adversário. A resposta de Paris Hilton ainda terá ajudado um pouco, pois é conhecido o respeito que o americano comum tem por este tipo de celebridades.

A intensa campanha negativa que tem sido veiculada pelos republicanos também tem funcionado. O mês de Agosto foi pródigo em anúncios negativos contra Barack Obama, e só agora os democratas começaram a responder. Já aqui tinha escrito que a estratégia dos republicanos passa por diminuir a popularidade de Obama, e não de aumentar os níveis de popularidade de Mccain, que se situam perto dos 50%. O candidato democrata tinha no mês passado 57%, e este mês surge com 49% (não me recordo em que sondagem vi estes números). Isso quer dizer que a campanha negativa de Mccain está a resultar.

E nas últimas duas semanas tivemos dois factos que favoreceram Mccain. A invasão russa da Geórgia reforçou as suas credenciais de política externa. A resposta dura com que encarou Vladimir Putin e a retórica agressiva anti-russa, aliada a tibieza da resposta inicial de Obama, contribuiu para a subida nas sondagens. Não sejamos ingénuos: os americanos apenas irão eleger alguém com um discurso agressivo em política externa. O nomeado democrata compreendeu-o e emendou a linguagem inicial, adoptando uma postura agressiva contra a Rússia e a favor do aliado Georgiano. Quando surge uma crise internacional, John Mccain sai favorecido.

Por fim, este fim-de-semana, os dois candidatos estiveram juntos num fórum sobre a fé. E pelo que li, Obama esteve menos seguro e convicto do que é habitual. Talvez por não estar a pisar terrenos firmes, deu respostas evasivas e não mostrou confiança nas suas convicções. John Mccain, que não é propriamente um expert nestas questões de fé e religião, acabou por sair-se bem, contribuindo isso para o aumento do apoio por parte dos evangélicos. E poderá ter injectado doses de confiança em certos sectores conservadores, que até aqui não andavam entusiasmados com a sua candidatura.

Outro facto, que terá tido alguma influência, foi a semana de férias de Obama no Hawaii. Durante a semana que passou, Mccain foi o alvo privilegiado dos media, relegando pela primeira vez, Obama para segundo plano. E com uma campanha bastante agressiva e negativa, ganhou pontos.

Já durante este mês, li numa sondagem que os americanos estavam fartos de ouvir falar de Barack Obama. A cobertura excessiva que tem obtido está a ser prejudicial, pois se é verdade que tem obtido demasiada simpatia da imprensa, isso também pode voltar-se contra ele. Esta eleição deveria estar a ser sobre George W. Bush. Com os níveis de impopularidade da actual Administração, parecia impossível eleger um republicano. Mas o GOP, e especialmente os media americanos, têm centrado as atenções em Barack Obama, que representa uma novidade “excitante” na política americana.

Os estrategas democratas terão que fazer um esforço para dar a volta por cima. A sua candidatura deverá contra-atacar, centrar o seu discurso em Mccain e relacioná-lo com Bush. Obama não conseguirá ganhar esta eleição se for ele o principal alvo das atenções. Tal como Mccain nunca será Presidente se a votação de Novembro for um referendo ao GOP e à Administração Bush. Quem seguir a melhor estratégia, será o próximo inquilino da Casa Branca nos próximos quatro anos.


Responses

  1. http://willitbrand.blogspot.com/2008/07/as-if-he-was-muslim-trojan-horse-pushed.html

  2. Também, internamente, o PD tem dado sinal de não estar ainda suficientemente unido.
    A guerra na Georgia foi uma construção móvel…

  3. Caro Pedro Rocha,

    Excelente texto. De facto, Obama tem de se concentrar nos Estados Unidos. A sua candidatura parece que já está a acertar o rumo, e corrigir os erros do mês de Julho. E partir para o ataque a John Mccain.

    Caro Silas,
    Isso nota-se especialmente no facto de muitos apoiantes de HRC estarem dispostas a votar em John Mccain. Veremos como será depois do anúncio do VP.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: