Publicado por: Nuno Gouveia | Agosto 28, 2008

Lyndon B. Johnson

Jeffrey Toobin, comentador da CNN, lembrou o papel de Lyndon B. Johnson na luta pelos direitos civis na década de 60. Provavelmente nenhum outro político fez tanto para garantir direitos iguais nos Estados Unidos. Aprovou o Civil Rights Act e o Voting Right Act.

No dia em que completaria 100 anos, é nomeado o primeiro negro para candidato a Presidente dos Estados Unidos. Talvez o antigo presidente democrata merecesse uma homenagem. Mas a estratégia de Obama não passa por aí.


Responses

  1. É muito bem lembrado. É frequente lembrar os nomes de Kennedy e de Eisenhower quando se fala nestas coisas, mas Johnson foi o único que se empenhou nos direitos civis a ponto de isso lhe hipotecar novo mandato. Foi um grande presidente mas, por ser cinzento, não é reconhecido como tal, apenas sendo lembrado por ter sido vice de Kennedy. E isso é profundamente injusto.

  2. Mas não esquecer que foi este presidente democrata que arrastou os americanos para a guerra do vietnam: incidente do golfo de Tokin. Depois teve de ser o Nixon (o “mauzão” do Nixon) a tirá-los de lá com a dignidade possível.
    Alias, os presidentes democratas é que são os “especialistas” em meter os EUA em guerras: Wilson, FDR, Truman (Coreia, terminado pelo Ike – Eisenhower), JFK/Johnson, etc.
    Também é interessante lembrar que FDR teve os seus “guantanamos”: as prisões do japoneses que viviam nos EUA durante a 2ª GM, e que o “fascista” do J.Edgar Hoover foi contra.

  3. É verdade que foi o Johnson a decidir avançar em força para o Vietname, sem dúvida nenhuma, só não convém dizer que o Nixon tirou os EUA “com dignidade”. Os EUA saíram porque não conseguiriam ficar, é tão simples como isso. Era uma posição insustentável, tanto militar como socialmente. Já a entrada no Vietname, à luz do que se sabia à altura, até fazia algum sentido. Na altura não existia nenhum “Vietname” anterior para apontar o dedo e avisar que poderia correr mal (tal como aconteceu com a entrada no Afeganistão e no Iraque, em que o fantama do Vietname foi brandido por meio mundo – e com razão, diga-se).

    Além disso, foi Eisenhower quem levou os americanos para o Vietname no início. Kennedy aumentou a presença militar e Johnson iniciou a verdadeira guerra com participação americana, mas Eisenhower é que escolheu (embora não pessoalmente, julgo) Diem para ser o líder do Vietname do Sul, sem que os americanos fizessem a menor ideia daquilo em que se metiam (Bush repetiu a asneira com o Iraque).

    Puxar Wilson e Roosevelt para a história é ridículo. Wilson entrou no maior conflito de sempre, à altura, em que existiam dois lados bem claros e fê-lo numa altura em que já existiam muitos milhares de mortos. Dificilmente outro presidente faria outra coisa.

    Roosevelt apenas entrou na guerra depois do ataque a Pearl Harbor, numa altura em que, se não entrasse, seria enforcado pelos americanos. Mesmo que consideremos que Pearl Harbor foi forçado por se ter envolvido indirectamente na guerra (o programa Cash&Carry para os europeus e o embargo aos japoneses), será que alguém o critica, hoje, por isso? Os alemães teriam possivelmente conseguido vergar a Grã-Bretanha e, atacando a União Soviética por um lado, com o Japão a fazê-lo pelo outro, teriam ganho a guerra.

    Comaprar Guantánamo com os campos de japoneses é um bocadinho excessivo (o tratamento em Guantánamo é, na minha opinião, pior), embora estes sejam realmente uma mancha na história americana. Mas o factor decisivo é precisamente a pré-existência desses campos aquando de Guantánamo ou Abu-Ghraib, o que deveria servir de aviso para a não repetição dos erros.

    Seja como for, se quisermos falar em guerras iniciadas (usemos o pós-II Guerra, uma vez que antes disso os partidos tinham posições algo ao contrário) pelos partidos, podemos lembrar que este Bush começou duas e o pai dele começou uma. Eisenhower iniciou a intervenção no Vietname e as sequências de Nixon e Reagan iniciaram e apoiaram conflitos por intermédio de terceiros. Nenhum dos partidos está isento culpas nem de méritos nesse aspecto, tenham sido guerras “justas” ou não.

  4. Caro João André
    Não é a primeira vez que discutimos neste forum, e temos evidentemente visões diferentes. Não que isso seja negativo, bem pelo contrário.
    Vamos por pontos:
    1 – Quando eu disse que Nixon tinha tirado os americanos “com a dignidade possível”, refiria-me evidentemente ao facto de ter perdido a guerra, mas ter conseguido mesmo assim acordos de paz. É evidente que os EUA sairam porque a situação se tornou insustentável, do ponto de vista militar e do ponto de vista da opinião pública interna.
    2 – O que eu procurei com o artigo foi demonstrar que a visão idiota que algumas pessoas na Europa tem da política americana, de que os democratas são uns anjos e os republicanos uns demónios, é completamente errada.
    Ou seja, procurei demonstrar que para ir para a guerra tanto faz ser democrata ou republicano, sendo que evidentemente não critiquei a participação americana em nenhuma dessas guerras, muito menos na 2GM (embora o argumento de pearl harbour seja identico ao do 9/11). Isso também é valido para demonstrar que um grande presidente como FDR também teve momentos maus, e que um “fascista” como o j.edgar hoover o criticou por isso
    porque é importante desmistificar certos mitos de hollywood e da esquerda europeia.

    cumprimentos


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