Publicado por: Nuno Gouveia | Agosto 29, 2008

“America, we are better than these last eight years,”

Foto retirada do The Page

Este discurso foi uma mensagem de esperança e mudança para os americanos, apelando à sua eleição para alterar o rumo dos Estados Unidos.

Barack Obama iniciou com os elogios esperados a Hillary e Bill Clinton, Joe Biden, Ted Kennedy e a Michelle Obama. Fez um discurso com o nível habitual, mas não fez história esta noite. Esta já estava feita com a sua nomeação candidato para Presidente dos Estados Unidos.

Foi muito agressivo para John Mccain e os republicanos, partindo ao ataque para os últimos meses desta extensa e dura campanha. Como John King disse na CNN, Obama está a jogar o “old  politics game”, ao contrário do tom moderado e independente de Janeiro e Fevereiro. A ligação Bush-Mccain foi uma constante, um dos maiores temas desta convenção. A estratégia de virar as atenções para o GOP já era aguardada. Nas últimas semanas assistimos ao enfoque mediático quase sempre em Obama, e apesar de poder parecer estranho, um dos principais objectivos desta convenção foi direccionar a atenção para os republicanos. Isso foi notório na maior parte das intervenções dos democratas.

Obama falou na sua herança familiar, mostrando-se um americano comum, orgulhoso do seu país. Esta convenção também serviu para apresentar Obama em prime-time aos americanos mais desatentos do fenómeno político. E com sucesso, diga-se.

Esta noite apadrinhou a apresentação de um programa político, claramente populista, mas condicente com o que Obama tem dito durante esta campanha. Para quem o acusa de não ter ideias políticas (e isso parece-me injusto), Obama hoje evidenciou a alternativa que representa em relação aos republicanos.

Não se escusou em falar em temas polémicos como o aborto, os casamentos homossexuais, o controlo de armas ou a imigração. Mas piscou o olho por diversas vezes aos independentes e republicanos moderados, com afirmações centristas e consensuais. E desta forma partiu à conquista dos votos que necessita.

Fez uma coisa arriscada, mas que lhe poderá ser gratificante. Explorou todas as suas fraquezas que lhe têm sido apontadas pelos republicanos, e respondeu de forma assertiva. Disse mesmo que se John Mccain quer debater política externa, ele está pronto para isso.

Por fim gostava de dizer que Obama é um dos melhores tribunos da sua geração. Talvez mesmo o melhor. Consegue entusiasmar e provocar sensações únicas nos seus apoiantes e não só. A voz, o tom, o conteúdo, tudo parece perfeito. Mas para quem está habituado a ouvir os seus discursos, como é o meu caso, não posso dizer que fiquei surpreendido, nem sequer admirado pelo discurso desta noite. Para mim, o seu melhor foi no Iowa, na noite da sua vitória. Mas esse foi o primeiro que lhe ouvi. Esse sim, impressionou-me pelo seu carácter e convicção. Agora, o efeito novidade passou. Mas não deixou de ser uma intervenção notável.

A Convenção Nacional Democrata terminou em apoteose, com mais de 75 mil pessoas a vibrar para a televisão nacional. Foi um dos acontecimentos políticos com mais assistência e isso significa algo. O entusiasmo que vimos nos democratas deverá ser difícil de igualar pelos republicanos na próxima semana. E sabemos que John Mccain não é propriamente o político mais amado pela base do GOP.

America, we cannot turn back.  Not with so much work to be done.  Not with so many children to educate, and so many veterans to care for.  Not with an economy to fix and cities to rebuild and farms to save.  Not with so many families to protect and so many lives to mend.  America, we cannot turn back.  We cannot walk alone.  At this moment, in this election, we must pledge once more to march into the future.  Let us keep that promise – that American promise – and in the words of Scripture hold firmly, without wavering, to the hope that we confess

O discurso poder ser lido aqui.

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Responses

  1. Fántástica convenção..só espero que a Força ilumine a grande maioria das mentes dos Estados Unidos da América.

  2. Nuno,

    Concordo largamente com a sua análise. Destacaria apenas mais as ideias que Obama ousou explorar nos domínios da política externa. Por ser longo remeti essa parte para http://ovalordasideias.blogspot.com/2008/08/o-discurso-da-vida-de-barack-obama.html.
    Um outro aspecto me parece crucial: a forma como McCain tem agora de dar vida a uma convenção que não tinha metade do drama ou interesse desta. E dizem os rumores que Pawlenty está fora da lista de VPs….
    Carlos

  3. Esta Convenção coloca Obama claramente numa trajectória ascendente, obviamente.

    A sua nomeação enxertará uma nova dinâmica de mudanças benignas na sociedade americana e, possivelmente, no mundo.

    Esta eleição Presidencial alberga duas perspectivas completamente distintas: a do prolongamento do mais do mesmo (Mccain) e a da mudança incrementalista (Obama).

    Neste sentido, não haverá uma genuína mudança de paradigma na ideologia americana – o esvaziamento da bolha do “Manifest destiny”.

    Nuno, um grande abraço

  4. Eu gostei particularmente do discurso sobre o tema da raça que ele fez em Filadélfia.

    Como disse um dos pivôs da NBC na altura, devia ser um texto para discussão obrigatória nas escolas.


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