Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 3, 2008

A guerra com os media

O Partido Republicano está em guerra com os media, devido ao tratamento que estão a dar a Sarah Palin. Ontem à noite Campbell Brown, da CNN, durante uma entrevista com Tucker Bounds, da campanha de Mccain, repetiu por diversas vezes a pergunta sobre a experiência em política externa da Governadora do Alaska. Obviamente que ela não tem nenhuma experiência, e Bounds não conseguiu responder à pergunta. Em consequência do tratamento injusto que Mccain alega estar a receber, cancelou uma entrevista que estava agendada para esta noite no programa do Larry King. Por acaso vi a referida entrevista, e na altura considerei que a jornalista estava a ser muito dura com Bounds.

Mas não será esse o papel dos jornalistas? Claro que isso levanta outro tipo de questões, e num mundo ideal e justo, os candidatos devem receber o mesmo tratamento. Os republicanos têm-se queixado que a imprensa tem sido muito “suave” em relação à campanha de Barack Obama.

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Responses

  1. Não sei se a imprensa tem sido suave com Obama.

    Sei que parte do aparelho republicano já o apelidou de muçulmano. Sei que colocaram em causa o patriotismo de Michelle Obama. E sei que o caso do pastor de Obama, o tal Wright, foi muito ampliado pela imprensa.

    A história e a personagem Karl Rove não me fazem ter pena nenhuma do partido republicano.

  2. “Mas não será esse o papel dos jornalistas?”

    Deve ser a imparcialidade, quer se opte por uma posição mais implacável ou mais complacente. Um ideal de equilíbrio impossível de alcançar, mas desejável de almejar.

    Mas os candidatos costumam perder estas guerras, e soa a hipocrisia quando os republicanos controlam a Fox. Sendo a NBC incontestavelmente democrata, o ponto de ebulição na TV parece ser a CNN, que costuma ser a referência, o centro de neutralidade.

  3. “Não sei se a imprensa tem sido suave com Obama.”

    Eu assisti às primárias pela CNN, e pelo menos aí, senti um claro desfavorecimento de HRC face a Obama.

  4. Repito que não tenho pena nenhuma do partido republicano. As próprias primárias entre Bush e McCain em 2000 foram um bom exemplo de como se trabalha naquele partido. Na altura com prejuízo para McCain.

  5. “Por acaso vi a referida entrevista, e na altura considerei que a jornalista estava a ser muito dura com Bounds.”

    Dura? A culpa é do McCain que escolhe uma vice que para além de não ter experiência em politica internacional, tem conhecimentos e pensamento reduzido sobre a matéria. E depois, para acrescentar à festa, vem a Cindy McCain à televisão (bem como um jornalista (sic) insuportável da Fox News) explicar que Sarah Palin tem conhecimento de politica internacional porque o Alasca é o território do continente americano mais próximo da Rússia… e diz o Nuno que a jornalista foi dura?

  6. Mas supostamente, não lhe é exgido ter esses conhecimentos, quando a sua “lista” já tem alguém com historial na matéria… De qualquer forma, a questão do Alaska com a segurança nacional tem a ver com a gestão dos mísseis instalados no território, em que o governador do estado tem um papel relevante.

  7. “Mas supostamente, não lhe é exgido ter esses conhecimentos, quando a sua “lista” já tem alguém com historial na matéria…”

    Supostamente tem e de que maneira. Uma das funções (para não dizer a principal função) de um vice é estar disponível a qualquer momento para assumir o comando da nação, daí que o maverick47 não se possa referir à “lista” enquanto um conjunto. Tem de analisar Palin só pelo que esta vale e nesse sentido não vale o suficiente para assumir a presidência.

    “De qualquer forma, a questão do Alaska com a segurança nacional tem a ver com a gestão dos mísseis instalados no território, em que o governador do estado tem um papel relevante.”

    Em primeiro lugar quando Cindy McCain fez as declarações que referi não tinha nada a ver com isso e baseava-se só no factor proximidade – o que como você deverá reconhecer é uma estupidez. Em segundo lugar explique lá qual é exactamente o papel relevante da Sarah Palin nessa matéria dos misseis instalados? A instalação dos misseis foi ordem da administração Bush, estão em funcionamento desde 2006 (antes de Palin assumir funções) e nunca seria o governador(a) a poder dar ordens para a sua utilização – qual é afinal o argumento?

  8. Eu não vou entrar em discussões “partidárias”. Se Palin ou Obama têm a experiência necessária para ser VP ou Presidente não me cabe a mim analisar. Porque também podemos dizer que alguém que teve no Senado toda a vida, como é o caso de Mccain ou Biden não têm a experiência necessária, porque nunca tiveram poder executivo, que é o poder que o Presidente representa. Acho que é interessante ter a “mente” aberta, e não ser seguir “fielmente” os argumentos de um lado da campanha

    Gostava de referir que estamos a viver uma grande campanha eleitoral, e ambos os lados apresentam argumentos, que se analisados friamente, não passam de propaganda “pura”. Como por exemplo a campanha de Obama dizer que Mccain é igual a Bush. “This is only politics”, mas cada um acredita no que quer. Se a entrevista com Tucker Bounds foi dura? Foi, e por acaso eu segui-a em directo. Mas essa é a função dos jornalistas. A critica que se pode fazer é que os jornalistas não devem substituir-se aos pundits, como acontece na Fox News ou na MSNBC.

    Cumprimentos

  9. A entrevista foi dura e ainda bem que assim foi. Como muito bem diz, assistir à FOX NEWS [que passou a ser o meu canal de comédia favorito] é um sinal claro que a imparcialidade nos media americanos é pura teoria.
    Os media tomam partido e usam toda a sua máquina e poder para que o candidato que apoiam seja eleito.

    “Gostava de referir que estamos a viver uma grande campanha eleitoral”

    Lamento discordar. Nunca uma campanha nos Estados Unidos desceu tão baixo [em ambos lados] para antingir os seus objectivos. Ainda nas primárias já esta tendência se tinha demonstrado e penso que até Novembro ainda muito mais vai acontecer.
    Palin é um alvo demasiado fácil para os Democratas: O seu historial despesista, a sua família, as páginas no myspace que já circulam por toda a internet da sua filha, o despedimento do chefe da polícia são apenas a ponta do icebergue.
    Obama também é um alvo fácil para os Republicanos que vão continuar a usar o discurso do medo em relação a candidato que é uma “ameaça” ao status quo de Washington, ou pelo menos assim o entendem.

    Cumprimentos

  10. Vi agora no YouTube a entrevista da Campbell Brown com o Tucker Bounds.

    Foi dura, sim, mas fez o que lhe competia. Ela pergunta sobre a Palin, ele contrapõe com a experiência de McCain ou com a inexperiência de Obama. Nada sobre Palin, foge como pode à questão. E ela faz-lhe perguntas muito concretas: pede-lhe uma decisão de Palin enquanto comandante da guarda nacional do Alaska. Ele, evidente, não sabe.

    Do que vou lendo pela imprensa americana, a Campbell Brown fez as perguntas que muitos jornalistas andam mortos por fazer a Palin, cara a cara. Estranhamente, ou não, desde o anúncio com vice, Palin não deu uma única conferência de imprensa. Vão esconder Palin até quando?

    McCain já cancelou uma entrevista com Larry King? A ideia de comprar uma guerra com os media a 60 dias da eleição não será muito inteligente.

  11. […] Campbell Brown veio retratar-se, muito subtilmente: primeiro, ao defender que Sarah Palin tem muitas chances em […]


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