Eleições Americanas de 2008

Noite em “cheio” para o GOP

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À terceira noite da Convenção, o Partido Republicano encontrou a sua alma, e saiu do Xcel Energy Center preparado para combater os democratas. O alinhamento já fazia prever uma noite de emoções fortes, mas pela primeira vez senti um entusiasmo genuíno na sala, e uma vibração contagiante. Ontem assisti a um belo espectáculo. Mas hoje finalmente estive numa Convenção americana.

John Mcain apostou muito nesta noite, e não terá sido por acaso que Rudy Giuliani apenas hoje teve a sua intervenção. O antigo Mayor de Nova Iorque foi o perfeito antecessor de Sarah Palin, com um discurso mordaz, mas incisivo e certeiro. Para os que podem criticar o tom negativo desta noite (que o foi de facto), lembro que estamos a falar de uma campanha americana e que este tipo de estratégia funciona. Relembremo-nos dos discursos da semana passada de Joe Biden, Al Gore ou John Kerry, por exemplo.

E a noite até começou muito calma, com as intervenções de Meg Whitman e Carly Fiorina. Estas duas mulheres, que chegaram a ser apontadas como Veeps de Mccain, claramente não conseguiram “pegar” na audiência, sendo o ruído de fundo por vezes incómodo para quem desejava ouvir as propostas económicas de Mccain. Uma desilusão completa.

Michael Steele, que foi vice-governador do Maryland, e uma estrela em ascensão no Partido Republicano, começou com o espectáculo verdadeiramente. Num discurso poderoso, o afro-americano fez jus aos valores da liberdade, da economia de mercado e do conservadorismo social que define o Partido, e lançou um dos motes da noite: “Drill, Baby Drill”. E foi muito aplaudido por isso. Com esta prestação, certamente terá um papel de relevo no futuro do Partido Republicano.

Os oradores seguintes “excitaram” o Excel Energy Center, como este ainda não tinha estado. Mitt Romney fez a apologia de Mccain e uma critica devastadora aos liberais da costa leste, algo que é sempre muito aplaudido neste partido. Tal como Rudy Giuliani, que deixou uma mensagem muito dura para os democratas, focando esta campanha na segurança nacional e política externa. E aqui poderá estar o erro desta convenção, direccionando a campanha para temas como o terrorismo, segurança nacional e Iraque. Mike Huckabee possui uma excelente oratória, e isso ficou demonstrado esta noite. Apelou à alma dos conservadores para apoiar o ticket Mccain-Palin. Uma das tiradas da noite foi quando disse que Palin teve mais votos na sua vitória para Mayor que Biden na sua candidatura à presidência dos Estados Unidos (esta informação é afinal mentira). Estes três pesos pesados do GOP cumpriram o seu papel e devastaram os democratas e Obama, elevando o moral do Partido Republicano, e abriram caminho para o quarto discurso da noite. Mas que acabou por funcionar muito bem.

Sarah Palin passou no teste. Diria com distinção. Fez o que se impunha, com a convicção e palavras que lhe competiam. A sala estava completamente “eléctrica” com a sua presença. Fez um discurso de attack dog (que lhe fica bem) e tentou apelar à América rural, que será fundamental a dia 4 de Novembro. Lembram-se do problema que Obama teve nas primárias, em estados como o Ohio ou Pennsylvania, nas comunidades rurais? Este discurso foi para elas, e poderá ser um bom complemento para Mccain nos estados do Midwest. A dúvida será saber se vai conseguir passar a sua mensagem nas comunidades suburbanas. Mas o seu estilo agressivo, com toques de humor, pode resultar na América profunda, e será uma mais-valia nesta campanha.

No final falei com alguns republicanos e estavam todos em êxtase sobre esta noite. Muito confiantes e convictos que podem vencer em Novembro. Foram discursos muito “partidários”, motivadores da base ideológica do partido. Resta saber se foram eficazes para os moderados e independentes, que são aqueles que vão decidir as eleições. Mas para mim, esta foi uma noite muito positiva para John Mccain. Veremos se ele amanhã estará à altura, com o discurso mais importante da sua vida. Ontem alguém falava num comentário que não se notava grande entusiasmo na sala. Hoje era notório.

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