Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 11, 2008

11 de Setembro

Foto retirada do The Time

No sétimo aniversário dos ataques terroristas aos Estados Unidos, os dois candidatos vão estar juntos numa cerimónia em Nova Iorque. Pelo menos durante umas horas, haverá paz nesta campanha, que se afigurava unificadora, mas tem-se revelado verdadeiramente diabólica.

Há uns meses atrás era impensável que estes dois políticos protagonizassem uma campanha tão aguerrida como a que temos assistido. Barack Obama falava acima dos partidos, e queria liquidar a América dividida em estados vermelhos e azuis. John Mccain era o rebelde do GOP, que várias vezes tinha-se aliado aos democratas para criticar o seu próprio partido. Mas afinal, Obama e Mccain apenas estão a perpetuar o clima negativo e desfragmentado que os Estados Unidos vivem desde os últimos anos da era Clinton. “There’s is a Blue American and a Red America”.

A reconciliação do país ficará adiada para outra oportunidade, depois desta campanha negativa protagonizada por ambos os candidatos. Barack Obama surgiu como um político capaz de emergir acima dos partidos, e procurar consensos na sua acção. Chegou mesmo a elogiar Ronald Reagan nas primárias, e a granjear o apoio de muitos republicanos, desiludidos com a actual Administração. O seu discurso era quase apartidário, constituindo uma esperança que extinguisse as guerras culturais entre liberais e conservadores. Mas já com o decorrer desta campanha, talvez levado pelo pragmatismo necessário, tem efectuado uma campanha regular, com mentiras e anúncios negativos, que culminaram com o seu discurso em Denver, que foi um ataque cerrado aos republicanos.

John Mccain tinha um passado de legislação bipartidária, e várias vezes se insurgiu contra o establishment do seu partido. Mas a sua acção não tem sido diferente de campanhas anteriores do Partido Republicano. Os anúncios negativos, alguns com distorções e mentiras sobre Obama têm surgido frequentemente. A escolha de Sarah Palin para Vice-presidente, foi um sinal que não pretende contribuir para o abrandamento das guerras culturais nos EUA. Antes pelo contrário, deseja receber dividendos delas, como o seu antecessor republicano. A Convenção Republicana, especialmente o dia de quarta-feira, também não deixou dúvidas sobre o que pensam do “liberal” Barack Obama.

A verdade é que isto é a América. Nenhuma campanha política pode sobreviver sem estes confrontos verbais. E Barack Obama parece ter aprendido bem com os erros de John Kerry em 2004. Apesar de tudo, considero que ambos, chegando à Casa Branca, podem iniciar um processo de regeneração da sociedade americana, pois têm características de “Uniters”.

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Responses

  1. “McCain vs. Obama. Coke vs. Pepsi” – post de Laura Ries.

    Obrigatório ler em: http://ries.typepad.com/ries_blog/2008/09/how-to-become-president.html

  2. Rezemos pelas vítimas do 11 de Setembro e por todos aqueles que ajudaram diminuir a dor daquelas pessoas e de seus familiares. Lembremos os bombeiros, os médicos, os enfermeiros que se engajaram na grande tarefa de salvar aquelas criaturas. Peçamos saúde e coragem para o Presidente dos Estados Unidos e para o então prefeito de New York, que se uniram ao povo americano naquele momento de dor.

  3. Caro Pedro Rocha,

    Brilhante artigo da Laura Ries. Obrigado pela partilha.


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