Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 11, 2008

Sarah Palin, o fenómeno?

O fenómeno Sarah Palin poderá ser efémero, mas ficará na história como uma das entradas mais impressionantes na arena nacional americana. E talvez desde a escolha do famigerado Thomas Eagleton, em 1972, quando destruiu a campanha de George McGovern, que não assistíamos a tanto “buzz” devido a um Veep. Mas o que será que causou isto tudo? Será Palin uma política assim tão formidável para causar este alvoroço todo?

Sinceramente não sabemos. A verdade é que ela tem ocupado grande parte da agenda mediática, das acções da sua candidatura, e também dos ataques dos seus adversários. Eu também sigo este folhetim com bastante interesse, uma “jogada” arriscada, mas que pode transformar-se numa das mais brilhantes da história recente da política americana.

Nestas últimas duas semanas pouco ainda é conhecido de Palin: surpreendeu o mundo político americano com a sua selecção, é a primeira mulher a ser candidata num ticket republicano, arrancou um brilhante discurso em Minneapolis St- Paul, é a governadora mais popular da união, é extremamente conservadora e religiosa, fala directamente para o americano comum, é atraente, tem pouca experiência política, possui algumas contradições entre a sua agenda política e as suas posições no passado, despertou ódios à esquerda e entusiasmo à direita e tem sido intensamente escrutinada pela imprensa, positiva e negativamente. Tem estado bastante activa em campanha, mas os seus discursos tem sido pouco mais que uma repetição das ideias de Minneapolis. Não deu entrevistas nem se dispôs a falar com os apoiantes livremente. Se até ao momento, este recolhimento tem resultado, o seu estado de graça poderá terminar abruptamente se não sair do casulo.

Hoje e amanhã será entrevistada pelo jornalista Charlie Gibson, da ABC, e é possível que se saia bem às perguntas, acredito eu, incómodas que lhe serão feitas. Mas ainda faltam quase dois meses até às eleições, e Palin precisará de dar muitas entrevistas, conversar com os apoiantes ou jornalistas sem guiões pré-definidos. Porque ninguém espera que alguém que é candidata a Vice-presidente dos Estados Unidos esteja enclausurada durante uma campanha eleitoral. Hoje à noite começa o seu verdadeiro teste de aptidões.


Responses

  1. A Imprensa tá dando muito cartaz para esta garotinha da playboy…Biden dá de capote nela!

  2. “é extremamente conservadora e religiosa,”

    Porquê? Pelo que tenho lido parece-me uma Reaganista. As pessoas extremamente conservadoras e religiosas são anti-contracepção e anti educação sexual nas escolas públicas, por exemplo. Se ela governou o Alaska aliando-se muitas vezes aos democratas…

    Lendo isto:

    Neither have Palin’s socially conservative personal views on issues like abortion and gay marriage been translated into policies during her 20 months as Alaska’s chief executive. It reflects a hands-off attitude toward mixing government and religion by most Alaskans.

    “She has basically ignored social issues, period,” said Gregg Erickson, an economist and columnist for the Alaska Budget Report.

    não me parece uma boa descrição de uma política extremamente conservadora e religiosa.

    —-

    “Hoje e amanhã será entrevistada pelo jornalista Charlie Gibson, da ABC, e é possível que se saia bem às perguntas, acredito eu, incómodas que lhe serão feitas.”

    Incómodas ou mentirosas?

    http://corner.nationalreview.com/post/?q=ZTlkYTI2Y2YwMjg5ODYwOGI2MzRkNzg1YmUzYWJjNzQ=

    http://www.redstate.com/diaries/redstate/2008/sep/11/palins-memory-better-than-gibsons-research/

  3. Meu caro,

    É verdade que Sarah Palin é conservadora e religiosa, o que não é uma crítica que lhe faço.

    É extremamente conservadora, no sentido americano: low taxes, strong foreign policy, small government, social conservative. E isso mais uma vez não é uma crítica.

    Eu bem sei que não é o aquilo que a têm pintado na imprensa, e tem razão quando diz que as suas ideias religiosas não interferiram na sua acção no governo do Alaska. Mas não é por isso que deixa de ser religiosa. Ela própria o admite. Não percebo qual a admiração.

    Em relação às perguntas de Charlie Gibson, tenho a certeza que lhe fez perguntas difíceis e incómodas. É esse o papel dos jornalistas.

  4. “É extremamente conservadora, no sentido americano: low taxes, strong foreign policy, small government, social conservative. ”

    Como é que distingue alguém que é extremamente conservador de um conservador que não é extremista? Por exemplo, o McCain:low taxes, strong foreign policy, small government, social conservative. Também é extremamente conservador?

    “É esse o papel dos jornalistas.”

    Mas não é o de inventarem citações, pois não?

  5. “Mas não é por isso que deixa de ser religiosa. Ela própria o admite. Não percebo qual a admiração.”

    Quantas vezes descreveu McCain, Biden ou Obama da mesma forma? Todos eles são religiosos.

  6. “Quantas vezes descreveu McCain, Biden ou Obama da mesma forma?”
    Sobre Obama várias vezes falei da religião dele. Sobre Biden, disse que é católico alguma vezes, e sobre Mccain Mccain já por várias vezes referi que não gosta de misturar religião com política. É talvez o único que nunca o fez na sua carreira política…

    Ser considerado extremamente conservador é prejudicial para si? Para mim não é e não foi com essa intenção que a descrevi. E aliás, uma das razões porque foi tão bem aceite no GOP, e como me confirmaram alguns republicanos, foram as suas credenciais conservadoras, que, ao contrário de Mccain, não deixavam dúvidas para ninguém…

  7. “Ser considerado extremamente conservador é prejudicial para si? ”

    Não, alguma vez disse tal coisa?

    ————

    Como é que distingue alguém que é extremamente conservador de um conservador que não é extremista? Por exemplo, o McCain:low taxes, strong foreign policy, small government, social conservative. Também é extremamente conservador?

    Não respondeu a isto, pois não?

  8. Será que chamei extremista a Palin? Não vi nada disso no meu texto.

    Quer uma diferença entre Mccain e Palin?
    As suas criticas ao poder da religião na sociedade (não terá sido Mccain que chamou a Pat Robertson “agente da intolerância?) Não terá sido Sarah Palin que defendeu que se pudesse ensinar também nas escolas o criacionismo, lado a lado com a teoria da evolução? Mccain sempre defendeu uma distinção entre religião e sociedade. Não é por acaso que raramente falou da sua fé. Excepção nesta campanha eleitoral, claro.

    Outra diferença entre os dois? Mccain é contra a exploração do Arctic National Wildlife, ao contrário de Palin. São conhecidas as diferenças de posições entre Mccain e a maioria do mainstream republicano.

    Mccain ou Giuliani fazem parte da facção moderada do GOP. Palin foi escolhida exactamente por estar mais à direita. Faz-lhe assim tanta confusão isso? Se quiser, um dia mais tarde, poderemos ter um debate sobre as diversas facções do GOP… Há pessoas mais conservadoras que outras.

  9. Você afirmou que a Palin era extremamente conservadora porque defendia low taxes, strong foreign policy, small government, social conservative. O McCain defende exactamente o mesmo e não o considera extremamente conservador.

    Porquê?

    “Não terá sido Sarah Palin que defendeu que se pudesse ensinar também nas escolas o criacionismo, lado a lado com a teoria da evolução?”

    Qual é a diferença entre a posição da Palin e do McCain neste aspecto? Absolutamente nenhuma.

    “Outra diferença entre os dois? Mccain é contra a exploração do Arctic National Wildlife, ao contrário de Palin.”

    Sim, aqui há uma diferença (embora eu duvide que o assunto transforme alguém conservador em alguém extremamente conservador).

    Ou seja, até agora apresentou uma diferença. Mas vejamos, a Palin defende que a utilização de preservativos pode ser ensinada nas escolas públicas. O McCain não. Isto não chega para, pelo menos, obliterar

    É que me parece que se trata de um problema de percepção da sua parte. A sua incapacidade para apresentar mais argumentos para lá do ANWR em defesa da sua tese revela isso mesmo, não acha?

  10. Eu limitava-me a sugerir que ouvissem o que de assustador ela disse à ABC: http://ovalordasideias.blogspot.com/2008/09/palin-e-guerra-com-russia.html

    Carlos Santos

  11. Ouçam o excerto em o Valor da Ideias: ela admitiu a guerra com a Russia. Dá que pensar, digo eu.

    Abraço,
    Carlos

  12. Você tende a discorrer num plano hipotético, onde defende que Palin é uma moderada do GOP, como Mccain. Presumo que estaria isolado, se fosse membro do Partido Republicano. À parte que não sabemos totalmente o pensamento de Sarah Palin (não sei se vive no Alaska), há mais diferenças entre os dois, que dividem o GOP:
    – Stell Steem Research. Palin contra, Mccain a favor
    – Será que alguma vez Palin chamaria “Agents” of intolerance a Faldwell e Robertson? A visão religiosa de Mccain é muito diferente da sua parceira no ticket.
    -John Mccain e um dos poucos republicanos que defende que o aquecimento global é provocado pelo efeito dos homens, ao contrário de Palin, que reconhece os seus efeitos, mas dúvida que seja o homem a provocá-lo.
    Certamente haverá mais diferenças, mas não será nesta altura que as vamos conhecer, pois o que interesse ao GOP é unificar o Partido. Para si, entre Romney, Huckabee ou Mccain não haverá diferenças. Naqueles itens que descrevi, todos pensam o mesmo….

    Bem, mas é sempre bem encontrar alguém que têm uma opinião diferente da maioria do próprio Partido Republicano.

  13. Carlos,

    Peço-lhe desculpa, pois alguns dos seus comentários continuam a ir para o Spam. Fui lá resgatar estes dois últimos.

    Permita-me discordar sobre o assustador dos seus comentários. Ela respondeu numa hipótese meramente académica se Georgia, caso fosse membro da NATO (algo que gera consenso nos EUA), fosse atacada pela Rússia. O artigo 5 da NATO é muito claro nesse sentido. Ela depois referiu que há outras hipóteses de pressão sobre a Rússia, como sanções económicas…

    Isto não passa de um apêndice sem importância na campanha norte-americana. Um fait-diver, como muitos que acontecem… Declarações destas já tivemos nesta longa campanha. Hillary chegou a falar numa resposta avassaladora contra o Irão, e Obama em invadir as fronteiras do Paquistão sem autorização do seu governo. Não nos deixemos levar pelas “emoções” de uma campanha política como esta…

  14. Caros:

    O que me mais agrada em McCain (e Giuliani) é exactamente a tolerância religiosa e distanciamento em relação aos evangelistas e “neo-criacionistas” que, francamente, e por mais mente aberta que tenha, não compreendo!

    Num certo sentido, McCain é o mais fiel seguidor de Barry Goldwater, que no fim da sua vida até atacou esses religiosos extremistas. Ou seja, McCain é um verdadeiro conservador, Palin é o subproduto religioso evangélico e extremista da corrente conservadora, mas limita essa corrente e essa revolução conservadora.

    Essa ala religiosa é, para um Europeu médio, muito distante e quase que inexplicável. CRIACIONISMO?!!

    O que me irrita em Palin é, exactamente, considerar que as dúvidas, em relação ao mundo e á sua complexidade, que brotam da cabeça de um moderado, sejam consideradas uma fraqueza e prova de tibieza.

    Miguel Direito

  15. “Você tende a discorrer num plano hipotético, onde defende que Palin é uma moderada do GOP, como Mccain. ”

    Nope. Até fui eu que introduzi coisas concretas, políticas públicas. Por exemplo, é revelador que o Nuno não reconheça que estava equivocado na questão do criacionismo.

    “À parte que não sabemos totalmente o pensamento de Sarah Palin (não sei se vive no Alaska),”

    Por acaso, vivo lá 3 meses em cada 5. Ou melhor, ao largo do Alaska. É inevitável que se acabe por acompanhar a política local. E reafirmo que está completamente equivocado, como a maioria das pessoas, sobre a Palin. Ela é muito mais uma reformadora pragmática, muito pouco ideológica, mas, a ser alguma coisa, é tendencialmente libertária.

    “Será que alguma vez Palin chamaria “Agents” of intolerance a Faldwell e Robertson?”

    Sem dúvida nenhuma. O evangelicanismo é muito, muito diverso. O evangelicanismo no Alaska – e, basicamente, em todo o Oeste americano – não é igual ao do Alabama; pelo contrário, é completamente diferente. Li um artigo interessante há tempos na TNR sobre isto mesmo. Eu frequentei, sendo católico, uma igreja praticamente igual à da Palin. O evangelicanismo no Alaska é muito libertário, muito “hands off”.

    Citando o Alan Wolfe:
    A similar divide exists between evangelicals in the South and those in the West. I once asked a prominent evangelical leader from California if he would help explain Southern Baptists to me. “I can’t make heads or tails of them,” was his response. But there is one difference between the evangelicals of Alabama and those of Alaska that neither he nor I can ignore: The former tend to be censorious, the latter libertarian. Both cultural styles have roots in the history of American Protestantism.

    Quer o McCain quer o Obama, estão, neste domínio, muito mais perto de Robertson do que a Palin.

    “Para si, entre Romney, Huckabee ou Mccain não haverá diferenças. Naqueles itens que descrevi, todos pensam o mesmo”

    Colocar palavras na boca dos outros não é, como reconhecerá, uma forma elegante de argumentar. Há diferenças e não pensam todos o mesmo.

    O melhor artigo que li sobre a Palin e aquele que vai de encontro ao que eu observei durante os últimos anos, foi este que saiu hoje no USA Today:

    Palin ‘governed from the center,’ went after big oil

    But in her 21 months as governor, Palin has taken few steps to advance culturally conservative causes. Instead, after she knocked off an incumbent amid an influence-peddling scandal linked to the oil industry, Palin pursued a populist agenda that toughened ethics rules and raised taxes on oil and gas companies.

    And she did so while relying on Democratic votes in the Legislature.

    “She has governed from the center,” says Rebecca Braun, author of Alaska Budget Report, a non-partisan political newsletter. “She has in some small ways supported her religious views — for example, proposing money to continue the office of faith-based and community initiatives — but she has actually been conspicuously absent on social issues. She came in with a big oil and gas agenda, which really required Democratic allies to get through.”

    John Bitney, who was Palin’s issues adviser during the 2006 campaign and later worked as her legislative liaison before she fired him, says, “She’s a very devout Christian. That’s a part of her core. But we never put those issues forward in the campaign. She takes the positions she takes because that’s who she is, but when she came into office, that wasn’t her agenda.”

    http://www.usatoday.com/news/politics/election2008/2008-09-11-palin-cover_N.htm

    EU desafiava o Nuno Gouveia a escrever um post sobre este artigo, reconciliando-o com a sua tese de que a Palin é extremamente conservadora e religiosa.

  16. Caro,

    “Por acaso, vivo lá 3 meses em cada 5.” Lá está. Está em vantagem em relação a todos nós, que o que conhecemos é o que tem sido apresentado pelos MSM.

    Sarah Palin foi apresentada, pelo próprio GOP, da ala mais conservadora. Estive na RNC, e o entusiasmo de muitos republicanos advinha deles não terem duvidas que Palin era mesmo uma das deles, ao contrário de Mccain. Considerar Sarah Palin extremamente conservadora, no sentido americano. Será que considera que Palin faz parte da ala moderada do GOP?

    Na questão religiosa. Eu sou católico. Mas não me considero extremamente religioso, pois não costumo frequentar cerimónias religiosas, nem sequer costumo falar da minha fé em público. Palin abordou diversas vezes a sua fé na vida pública, em discursos e entrevistas, e também a utilizou na vida pública. Eu sei que é o american way, mas não me parece que Mccain seja assim.

    Alguns aspectos mais focados pelo GOP na biografia de Sarah Palin: Armas, Pro-life, religião. Não fará Palin da facção mais conservadora do Partido?

    De qualquer forma, tentarei voltar a este assunto num post, durante o fim de semana. Eu em Junho já defendia esta solução para Mccain. Parece-me que acertei em cheio….

    Cumprimentos,

  17. “Alguns aspectos mais focados pelo GOP na biografia de Sarah Palin: Armas, Pro-life, religião. Não fará Palin da facção mais conservadora do Partido?”

    Eu acho que a diferença está num erro tremendo: projectar as convicções pessoais das pessoas para a vida pública. O que importa mais não é o tipo de políticas públicas que a Palin defende?

    “Será que considera que Palin faz parte da ala moderada do GOP?”

    Acho que não faz parte de qq ala do GOP, como já disse: uma pragmática com inclinações libertárias é a melhor descrição.

  18. […] Room: Palin – relâmpago ou furacão? Nuno Gouveia, Eleições Americanas […]

  19. ESTÁ ME PARECENDO QUE O FENÔMENO PALIN ESTÁ SE DESMANCHANDO POR SI SÓ


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