Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 12, 2008

Actuações de Palin, Mccain e Obama nos Media

Sarah Palin, depois da primeira entrevista que concedeu a Charlie Gibson, onde passou o teste, vai estar na próxima semana em ambiente mais favorável. Na terça e quarta-feira estará com Sean Hannity, o jornalista conservador da Fox News.

John Mccain foi hoje entrevistado por Barabara Walters, no The View, e as coisas não correram como o candidato republicano esperaria. Ao que parece Mccain foi duramente questionado.

Barack Obama vai estar esta semana no Saturday Night Live, uma plataforma que costuma favorecer os candidatos. Hillary Clinton esteve lá durante a época das primárias, e não se saiu mal na sua performance.

Adenda:

Obama cancelou a participação no SNL devido ao furacão Ike.


Responses

  1. Não consigo lê-lo sem me questionar sobre o seguinte: está a gozar com os seus leitores quando analisa as prestações da Palin unicamente em função do ‘boneco’ que passa para os eleitores americanos menos informados? O conteúdo (a ausência dele) não lhe interessa? Consegue ou não perceber que a senhora anda a injectar o catecismo dos thinkers de McCain à pressão, nas próprias veias? A notória falta de aptidão para um cargo que é tão mais importante, quando se trata de haver algumas (mais do que as previsivelmente habituais para um VP) probabilidades de ela ter de assumir a presidência dos EUA? É que o único teste que a senhora passou foi o de ser tão obtusa quanto aquela parte da América que os Republicanos esperam que ela seduza. O seu blog transforma-se, a grande velocidade, numa excelente oportunidade perdida para marcar a diferença, em termos de estupidificação das coisas realmente importantes. Neste momento não passa de um tablóide superficial disfarçado de alternativa à informação estandardizada. Para saber quem se engasga nas entrevistas prefiro o 24Horas, que sempre trás umas miúdas que também não sabem o que é a Rússia. Mas que, também como o Palin, conseguem encontrá-la no mapa.

  2. Caro Paulo,

    O Nuno não precisa que ninguém o defenda muito menos eu. Mas deixe-me explica-lhe em que é que entendo que o blogue dele consiste: num muito bem conseguido, a meu ver, projecto de acompanhamento na blogosfera do inacreditável volume de informação sobre as eleições americanas. E o Nuno, como ser pensante (por isso está a fazer uma dissertação de Mestrado) não se coibe de analisar e comentar tendo (repare bem) o cuidado de referenciar quase sempre que o faz.
    Ademais tem direito à sua opinião. Mas o feeling que ele nos traz é aquele que muitas vezes sinto nas cadeias noticiosas e blogosfera americanas. E dado que isto são eleições nos EUA, isso é fundamental. A meu ver, o blogue cumpre brilhantemente os seus objectivos (sem me querer substituir, até por cortesia profissional) ao orientador e ao futuro arguente do Nuno. Admiro sinceramente o seu trabalho.
    Quer um exemplo. O blogue difere substantivamente do meu (http://ovalordasideias.blogspot.com/). Porque eu não tenho o compromisso de informar que o Nuno tem num Mestrado em Jornalismo, segundo creio. Faço-o por honestidade intelectual (enquanto académico acho uma virtude imprescindível) mas tenho liberdade para conduzir análises longas (certas ou erradas) sobre os swing states, discutir em detalhe sondagens, etc. Porque posso também ignorar, porque não me apeteça falar disso, a título de exemplo, que depois de Palin tem havido uma extraordinária recolha de fundos tanto das campanhas pró aborto como das pró vida. O Nuno tem que dar nota da generalidade de muitas destas coisas.
    Eu não invejo o papel dele, mas acho que ele o faz lindamente.

    Uma nota: eu não conheço o Nuno pessoalmente, e não tinhamos trocado duas palavras antes de Agosto último. O que disse não é por isso o resultado de amiguismos. Sem prejuizo de esperar que da blogosfera possamos vir a construir uma relação pessoal de amizade.

    Um abraço,
    Carlos Santos

  3. Subscrevo o que o Carlos disse sobre o espectacular trabalho do Nuno no blogue. Porém – e acho que é a primeira vez que acontece – estou em desacordo com a apreciação do Nuno relativamente à entrevista de Palin.

    Quer dizer, eu compreendo a sua ideia do “passou o teste”. Tudo bem, não disse que o Sarkozy era presidente da Rússia, não fez nenhuma afirmação escandalosa, não disse asneiras em directo. Mas… caramba, temos que ver o conteúdo, ou não? É porque doutra forma nos vamos limitar ao “embrulho” destas entrevistas e dos próprios debates presidenciais. A meu ver, quem ganha um debate não é o que grita mais alto ou o que não hesita nas respostas, mas o que responde melhor.

    Ora o que Palin disse foi assustador a vários níveis. Não fazia a menor ideia do que era a “Doutrina Bush” e quando instigada a comentar a política externa dos últimos 8 anos, veio com uma conversa absurda sobre o extermínio do mal e coisas do género. A sua resposta sobre a Guerra do Iraque como uma “guerra sagrada” não colheu (a citação de Lincoln foi forçada e totalmente artificial).

    Mas houve pior… Admitir a possibilidade de uma guerra com a Rússia por causa da Geórgia é de uma gravidade tal que nem merece comentário. Meus amigos, esta senhora admite iniciar uma guerra nuclear. Acham que isso é “passar no teste”? E o tom utilizado – de quem “nunca hesita”, numa “reflecte”, nem sequer “pisca os olhos” – seja para aceitar o convite de McCain, seja para traçar os destinos da comunidade internacional, deixa-me perplexo.

    Eu recuso-me a diabolizar Sarah Palin. Mas esta ideia de que é indiferente uma pessoa ser experiente ou não, inteligente ou não, conhecedora dos dossiers políticos ou não, parece-me esquisita. Só importa a “forma”? Não nos engasgarmos, termos boa aparência e descrevermo-nos como “reformadores”? Acho tudo isto muito perturbante.

    Um grande abraço ao Nuno e leitores!

  4. Esta campanha está a entrar na recta final. As emoções das pessoas estão a flor da pele, e vê-se em Portugal gente mais empenhada que os próprios americanos. Até é um bom sinal.

    Nestas eleições estão dois modelos completamente distintos em jogo. Considero que John Mccain ou Barack Obama podem ser bons presidentes. Mas não sou cego, e consigo distinguir uma peça do Huffington Post ou do Red State do WP ou da Time. Acho incrível como gente que se diz esclarecida, de um lado ou do outro, recorram constantemente à argumentação completamente parcial e partidária. Eu também gosto de ler a informação destes órgãos. O Daily Kos, o TPM, o Red State, o Townhall fazem parte das minhas leituras diárias… Mas tento sempre nunca escrever aqui estas posições. Porque sei perfeitamente distinguir o objectivo ideológico dos seus autores, da objectividade que tento colocar nos meus textos. Por isso acho sempre incrível que pessoas que vem aqui debitar argumentos completamente partidários ou retirados exclusivamente da cartilha liberal ou conservadora, que me acusem de ser parcial… Leiam os meus textos, e diga-me onde fui parcial.. Por considerar que Mccain foi esperto em escolher Palin? Será que não é evidente que o foi? Até o defendi em Junho. Por considerar que Palin é extremamente conservadora? Não o será mesmo? Por considerar que a Palin passou no teste da entrevista? Estarão os comentadores independentes americanos também todos tão equivocados? Ou serão eles também tão pró republicanos? Desde Novembro que escrevi que Obama poderia ganhar a nomeação democrata? Era assim tão anti-hillary? Não é que acertei.

    O Paulo comparou este blogue ao 24 horas. Não tenho nada contra, até porque é um tablóide de respeito, apesar de não fazer parte das minhas leituras. Mas será que ele prefere o jornalismo completamente parcial que existe em Portugal em relação aos Estados Unidos? Para análises sérias e independentes, o Paulo tem sempre alguns jornalistas portugueses “democratas”. Eu não pretendo ser alternativa nenhuma. Nem muito menos atrair leitores tão esclarecidos como o Paulo. Não tenho essa pretensão. Há pessoas que analisam uma realidade mediante as suas preferências pessoais. A arrogância intelectual é normal naqueles que não estão habituados a ser confrontados com opinião divergente. O Paulo deve ser daqueles que consideram que os americanos são burros e ignorantes. Como será possível estarem divididos entre Obama ou Mccain? Serão eles assim tão inferiores à intelligentsia europeia? Como é possível os americanos estarem a gostar desta “mentecapta” do Alaska? Porque afinal, Palin deve ser um produto da cultura inferior e ignorante americana. E o Paulo pertence às elites europeias, ou talvez até às portuguesas, como diria um famoso jogador de futebol. E nem admite que alguém interprete o mundo diferente da visão dele. Isso seria estúpido.

    Terminando com as discussões dos últimos dias: já fui acusado de ser pró Hillary, pró Obama e pró Mccain. Tenho tentado analisar esta campanha de uma forma correcta e isenta. E até tenho acertado em muitos prognósticos e análises que tenho feito. Devo ter tido sorte. Admiti desde cedo a possibilidade de Obama ser o nomeado. Quando muitos dos agora fanáticos de Obama nem sequer terem ouvido falar dele. Mccain estava morto politicamente, mas sempre disse que seria ele ou Guiliani. Defendi Kaine, Hagel ou Bayh para Obama, e continuo a achar que Biden acrescentou pouco ao ticket. Defendi Palin, Lieberman ou Romney por diversas razões. Mas a opção Palin até ao momento tem sido muito positiva para Mccain. Não me parece que o GOP esteja arrependido, apesar dos dislates dos media, das próprias contradições e erros de Palin, de Obama ou até dos europeus enraivecidos. E talvez Obama estivesse melhor com Kaine ou até com Hillary no ticket. Sobre a questão da experiência nestas eleições, até acho que já foi bastante discutida entre Obama e Hillary. Com os resultados conhecidos. Sarah Palin não será certamente a pessoa mais sábia nesta matéria. Mas nem Carter em 76, nem Reagan em 80, nem Clinton em 92, nem Bush em 2000 tinham experiência nesta área. E relembro que o candidato do GOP é mesmo Mccain contra Obama, e este último não fica nada mal na fotografia com estes antigos presidentes que referi. A escolha dos americanos é entre Mccain e Obama. Não entre Obama ou Palin, ou entre Biden e Palin. E o que vai ditar o resultado final será Mccain ou Obama. Não o resto. Como dizem os analistas americanos, as pessoas olham para o top of ticket.

    Quando realizo análises neste blogue baseiam-se em argumentos eleitoralistas e estratégicos, apesar de algumas considerações pessoais. Se alguns activistas ficam incomodados por tentar alertar para certos aspectos que me parecem importantes…

    O Carlos Santos e o José Gomes André têm sido dos contributos mais generosos para ao meu blogue. Apesar de nem sempre estarmos de acordo, a sua argumentação tem sido sempre honesta e íntegra. O meu obrigado pelas vossas contribuições. E de fora uma ou outra barbaridade de alguns comentadores mais “esclarecidos”, tenho tido bons contributos. Espero que continuem. Apesar de saber que os partidarismos vão continuar a sair da toca…

  5. Obrigado pelas reacções contidas ao meu comentário; que se (me) punha muito a jeito de ser cilindrado, pelo tom. Não costumo ‘zangar-me’ assim, mas neste caso isso aconteceu, talvez por ser leitor do blog desde o início e pela progressiva desilusão, que manifestamente não consegui digerir fora da caixa de comentários.

    Regresso então às ideias, que são o que mais me interessa:

    Compreendo que o blog faça parte de um projecto maior, com metas académicas. Mas eu não vou ser arguente do Nuno, sou só um leitor. E é enquanto leitor de um blog sobre as eleições americanas que aqui me situo.

    Estou suficientemente fora do ofício da Comunicação para lhe poder dizer que me confunde a sua declaração de que o 24H seja um tablóide de respeito, quando o 24H não respeita alguns dos mais elementares princípios da decência. Às vezes sinto que basta que algo seja publicado e movimente uns euricos e alguma influência para que tenha de se lhe reconhecer o tal ‘respeito’. Tretas. O 24H não respeita, logo não é de respeito.

    Mas concedo que a equiparação, se bem que caricatural, tenha sido exagerada. Explico-me: foi uma tentativa de lhe demonstrar o quanto, principalmente depois da sua passagem pela convenção R., o seu blog tende para o superficial, de onde emana um certo deslumbramento com o circo a que assistiu (a dos D. tb é um circo, claro) em detrimento do conteúdo. O texto que acompanha o título do blog refere-se à cobertura das eleições, e isso deixa muito (tudo) em aberto. Ora a mim parece que o Nuno está a optar pela bi-dimensionalidade, nas suas análises. A olhar para o que acontece como se tivesse constantemente um ecrã de TV a mediar-lhe o espaço entre a realidade (tridimensional) e os olhos/cérebro. O curioso é que isso ficou mais evidente qd, na realidade, deixou de ter o ecrã e pôde olhar para a coisa em si, in loco.

    Usei o termo ‘realidade’, sabendo que tal categoria não existe. Que tudo é mediado, quanto mais não seja pelo que temos dentro de nós. E é por isso que devemos, na minha opinião, esforçar-nos por eliminar os espelhos deformadores mais facilmente identificáveis. A minha ‘tese’ é a de que o Nuno está a submergir-se exactamente pela superfície das coisas, que é o ‘sítio’ mais perigoso – pq, como é a superfície, às vezes parece mesmo a realidade. Mesmerizante.

    No meu comentário anterior nunca falei do Nuno, apenas do conteúdo do blog. Na sua resposta, o Nuno optou pela velhinha ruela ad hominem, demostrando como as coisas estão pouco diferenciadas, na sua cabeça. Bastar-me-ia isso para o ler, em termos de análise seja do que for, com algumas cautelas.

    De entre o chorrilho de ‘ad hominices’, destaco as suas tentativas de me conotar como um arrogante e elitista intelectual. Se é por eu achar que a Palin tem um eleitor-alvo relativamente específico, e que ele não será dos mais diferenciados/informados, então estamos conversados. Reafirmo-o – o alvo dela são os eleitores de Bush, pelo receio de que McCain seja demasiadamente elaborado e progressista (!); e desafio-o a demonstrar que ela é muito mais do que isso. Sei que o ónus da prova está do meu lado, mas para isso remeto-o para tudo o que se sabe do pensamento profundo da senhora. Mas desta vez ouça-a mesmo. Ela não é uma parte de um ticket, é uma pessoa, candidata a VP dos EUA, com ideias e a necessidade de as transmitir e de por elas ser avaliada. Analise-a dentro desse pressuposto.

    Não considero todos os americanos “burros e ignorantes”. Pelo menos burros. Ignorantes, são-no, e muito. Provavelmente por culpa daqueles processos comunicacionais esquizofrenizantes, que as elites do poder de lá quase sempre aperfeiçoaram, e que o Nuno conhecerá daquelas distopias ficcionadas tão conhecidas; da Ave-do-Arremedo ao Nós, passando pela Ilha dos Pinguins ou pelo sempre inevitável 1984.

    Para terminar, peço-lhe que não use pré-conceitos para avaliar um interlocutor. Quando isso acontece, geralmente, cai-se no erro de projectar para cima dele uma boa parte daquilo que nós próprio somos e não sabemos ou não suportamos saber que somos. Agora releia o que ‘me’ escreveu e pense na facilidade que eu teria em virar o espelho ao contrário.

    Fiquei sem saber o que acha daquilo que escrevi lá em cima. Desejo-lhe um bom trabalho, sinceramente. Sei perfeitamente o que isto custa. Perdoe a forma do 1º comentário. Reafirmo totalmente o conteúdo.

  6. Há jornalismo tablóide, de referência, imprensa côr-de rosa, desportivo etc. Como sabe, o 24 Horas inclui-se no jornalismo de tablóide, um produto que não consumo. Mas dentro desse tipo de jornalismo, é sim de qualidade. E posso-lhe garantir que essa opinião também me foi partilhada por dois professores universitários de jornalismo de prestígio. Há que ter humildade para reconhecer que coisas que não gostamos, e que até nos causam algum incómodo, podem ter qualidade no seu âmbito de acção. Eu não sou arrogante.

    Como disse, eu estou aqui para discutir ideias. Bem sei que em Portugal as pseudo-elites intelectuais tendem para desrespeitar por completo o Partido Republicano. Isso demonstra a profunda ignorância que grassa por estas pessoas, e é por isso que não percebem porque o GOP tem ganho eleições presidenciais (nas últimas 10, ganharam 7). Apesar de não conhecerem nada a realidade americana, fazem as suas análises baseados em hipóteses virtuais, e não na realidade. Por isso a diminuição constante que fazem dos americanos, “ignorantes”, tomando um pelo todo. A maior partes destas pseudo-elites intelectuais nunca lá colocou os pés nos EUA, mas conhece profundamente o “ignorante” americano. Se isto não é arrogância…. Chamar ignorante a um país. O que diriam alguns sobre um país como o nosso. Basta ver alguns programas televisivos. De qualquer forma estou a perder-me…

    A visão distorcida da realidade costuma ser apanágio num certo neomarxismo ainda complexado com as batalhas perdidas no século XX, e que pensam que ainda vão a tempo de modificar a realidade. A tal que se perdeu nos sonhos desfeitos pela crueldade da sua acção. Não estou aqui para debater visões do passado. Não foi para isso que tenho este blogue, e só discuto o que desejo. Portanto, se quiser discutir o poder distorcido dos media, este não é o espaço.

    Sobre esta campanha: Eu na RNC não fiquei deslumbrado por nada, nem mudei um milímetro o meu pensamento, antes pelo contrário. E já por aqui no blogue disse o que pensava sobre estas eleições. E é óbvio que não lê este blogue há muito tempo, senão não teria dito isso. Mas enfim.

    Barack Obama não produziu uma única lei no Senado, não foi minimamente importante em nada na política nacional ou estadual. O seu percurso legislativo é mediano. O seu sucesso advém de um fantástico discurso que teve na DNC de 20004, numa excelente oratória que tem sustentado a campanha fantástica que fez no último ano e meio, e na sua capacidade entusiasmante de mobilizar as pessoas através daquilo que encarna com o seu projecto. A direita radical ataca-o de uma forma incrível, mas a esquerda radical não é diferente. Tem-no feito a Sarah Palin, e tentou faze-lo a John Mccain. Será que os radicais não aprendem? De ambos os lados.

    Sarah Palin introduziu um factor de novidade nesta campanha, que pode vir a ser decisiva para uma possível vitória de Mccain. Ou pelo contrário, poderá apressar a sua derrota. Pode-se não gostar das suas ideias, mas ao diabolizá-la demonstram uma altivez ridícula. E já agora. Acho sempre uma enorme piada à forma como muitos portugueses, principalmente os anti-americanos, encaram estas eleições. Apesar de detestarem os EUA e tudo aquilo que representam, escrevem, interessam-se e analisam estas campanhas. E porque não percebem nada da realidade americana, ou mesmo nada de política e de estratégia, tendem a chamar “ignorantes” aos americanos. Apenas porque não votam ou agem de acordo com as suas convicções. Mas quem será o ignorante afinal?

  7. Ó Nuno, eu quero lá saber da opinião dos seus professores universitários de prestígio sobre o 24H! Não tem sempre que citar as suas fontes, sinceramente registei a sua opinião sobre a respeitabilidade do tablóide pensando que era mesmo sua.

    Passa a vida a clamar contra as pseudo-elites intelectuais e os arrogantes para cá e para lá… Espero que a sua tese tenha um pressuposto de parcialidade assumido, caso contrário arrisca-se a levar alguma luta. Entretanto, faça uma pesquisazita por ‘identificação projectiva’.

    A referência ao neomarxismo é o momento mais bonito do seu comentário: aí devia ter citado as fontes, principalmente se estão tão frescas que quase poderiam ter saído num jornal do dia anterior.

    Mas não se chateie, homem; eu não o quero incomodar. De qualquer forma, não mudar um milímetro o pensamento não é propriamente um cenário agradável. Devia ter aproveitado a convenção para apre(e)nder mais sobre a big picture. Não se aprende política sem ter a big picture; caso contrário fica-se pelos partidos (como o pp nome indica). E quando se aprende, o pensamento mexe-se uns milimetros. (e pode continuar a ser R., isso não impede nada).

    Por tudo aquilo que vc, em chorrilhos de pressupostos e estereótipos extrapolados, tentou atabalhoadamente adivinhar sobre mim (o último completamente ao lado é esse provincianismo importado do patriotismo bacoco, o ‘anti-americanismo’ – vc adere mesmo às coisas! – vai-se safar…); eu e os seus leitores (de caixas de comentários) ficámos a perceber melhor o que pensa quem posta o que posta.

    Se quisesse ser mesmo sincero, devia aproveitar algumas das suas ideias nesta nossa conversa para criar uma declaração de interesses ideológicos, para o blog. Teria muito mais valor, e tomates (o blog).

  8. Caro Paulo
    Infelizmente voce não se identifica, pelo que tenho de o tratar por Paulo.
    O Nuno não tem qualquer obrigação de ser isento. Podia até ter um blogue chamado “eu apoio mccain e espero que ele rebente a fronha aos iranianos”, que continuaria a estar no seu direito de ter um blogue e expressar as suas opniões. Alias, se for dar uma espreitadela à blogosfera, vai deparar-se com exemplos ainda mais aberrantes que aquele que eu ficcionei: coisas como a negação do holocausto, a apologia dos crimes do comunismo ou a defesa das teorias da conspiração sobre o 9/11.
    Alías, os campeões da liberdade neste país, que se situam todos à esquerda, tem esta concepção extraordinária da mesma: só tens liberdade até onde eu achar que tu deves ir, e sobretudo se não puseres em causa nada daquilo que são as “verdades sagradas”.
    Ou seja, se o Nuno viesse para aqui debitar hossanas ao Obama (que só não voa, mas de resto é um verdadeiro super-homem), estariam todos aqui a elogiar a “imparcialidade e isenção” do Nuno.
    No entanto, o Nuno não tem um blogue de apoio ao McCain.
    Tem sim um blogue informativo, porventura do melhor que se faz na blogosfera nacional, e de longe o melhor local em português para vir falar das eleições americanas.
    E sim, é isento. Claro que não deixa de dar as suas opiniões, e já o disse publicamente que se votasse, votaria McCain. Qual é o mal? Não tem esse direito?
    Claro que poderemos sempre afirmar que no seu subconsciente Nuno acaba por “beneficiar” os republicanos. Sinceramente não me apercebi de tal, e eu acompanho este blogue desde dezembro de 2007. Mas claro que em matéria de subconsciente é coisa que eu não quero ir por aí.
    Como eu não acredito que alguem o obrigue a vir a este blogue, e também não quero acreditar que o Paulo (porque nao lhe conheço outro nome) seja masoquista, a única solução que lhe posso dar, se de facto o blogue é assim tão tendencioso e de fraca qualidade é que não perca mais o seu precioso tempo. Tenho a certeza que poderá encontrar facilmente informação mais ao seu gosto sobre este tema. Experimente pesquisar sobre “a proxima secessão americana”, e se conseguir ler com discernimento, e não rebentar a rir, tenho a certeza que vai gostar de opinião imparcial e bem informada dos militantes cá do burgo.
    cumprimentos

  9. Paulo,

    O que você diz é irrelevante. Já fui acusado de ser pró Obama, pró Hillary e pró Mccain. Junte-se a lista, que felizmente, não é longa. Este é um blogue pessoal e privado. Ninguém o obriga a vir debitar a suas ideias… Eu é que não tenho a obrigação de aturar os seus dislates.

    Cumprimentos,

  10. Boa Tarde,
    Antes de mais gostaria de dizer que o 24 horas é sem dúvida um tablóide de referencia. De facto não há melhor no que diz respeito a noticias sem contéudo. Tal como o é o Tal-e-Qual nas teorias da conspiração.Não há dúvida que o 24 horas é do melhor naquilo que faz (tablóidismo).
    Em relação á parcialidade do blog, de facto, este poderá ser encarado como levemente parcial (o Nuno não poderá disfarçar totalmente a sua veia conservadora). No entanto ninguém consegue ficar no meio do campo de batalha nesta “guerra eleitoral” (esta é demasiado apaixonante).
    Mas mesmo assim conheço outros que se dizem imparciais e que são bem mais tendenciosos. Mas o blog é dele e ele faz dele o que muito bem quer.
    Gostaria apenas de pedir ao Nuno para continuar o seu trabalho de comentar e publicar as notícias relativas a estas eleições (nós cá estaremos para fazer as leituras que julguemos necessárias).

  11. Joaquim: o Nuno sabe o meu nome e tem o meu email. Para si, sou o Paulo.

    João: é claro que o 24H é um tablóide de referência. O que o Nuno escreveu é que se trata de um tablóide de respeito. É diferente: o Zezé Camarinha é um palerma de referência, mas não de respeito.

    Nuno: o que eu digo não é irrelevante; pode é não ter importância nenhuma para si. Vou já sair, não o perturbo mais. Quero só mostrar-lhe o quanto a (minha) diferença o incomodou e lhe fez entrar em pré-conceitos disparatados.

    Considero-me um conservador (light); no sentido em que, na maior parte das vezes, prefiro evoluções a revoluções (mesmo nos costumes) e não acho que ‘mudar’ seja sagrado. O que está bem, assim deve permanecer. Até porque a esmagadora maioria das revoluções são impostas a quem supostamente se destinam e, por isso, só podem cumprir-se com engenharia social, o que esmaga o indivíduo e o seu livre arbítrio (e mtas vezes os miolos). Penso que o estado deve manter o controlo de algumas posições estratégicas, porque o mundo, de uma forma geral, não está preparado para o liberalismo económico, embora fosse óptimo que estivesse. Aqui começamos a divergir, aposto. Já fui afincadamente liberal, mas depois percebi que devemos defender aquilo que considerarmos indicado para o momento histórico, em vez de acreditarmos cegamente numa doutrina que acelere a nossa (pre)visão da história. Neste sentido, os chamados neo-conservadores de direita não se distinguem de Marx. E sou liberal (moderado mas convicto) quanto a costumes, porque acredito no indivíduo como partícula elementar do grupo e da sociedade. Sem indivíduos não há pensamento crítico.

    Não tenho qualquer problema com diferentes opiniões; eu próprio discordo muitas vezes de mim. Nem acho que este blog seja escandalosamente parcial, embora estivesse no seu direito se o quisesse ser. Incomoda-me 30mil vezes mais a superficialidade; e o que me incomodou, aquando do meu 1º comentário, foi a superficialidade com que o Nuno avaliou a prestação da Palin, considerando-a positiva como se lhe bastasse conseguir respirar enquanto responde, independentemente do conteúdo. Se tivesse sido o Obama ou o Biden a ter aquela prestação e o Nuno os avaliasse da mesma forma… cá me teria a ‘desancá-lo’ a si. Nunca me leu a idealizar o Obama ou a desvalorizar os Republicanos; ou seja, quem está obcecado pela clubite e não consegue uma perspectiva mais arejada das coisas é você. Se isto não lhe faz sentido, ou pelo menos pensar um pouco, tudo bem. ‘Boa noite e boa sorte.’

  12. “É muito bom, este discurso. Podia ter saído daqui. Obama desmonta algumas das fantasias persecutórias com que os Republicanos têm vindo a estupidificar o seu país: o medo como engodo, o patriotismo acrítico como única e última arma para o enfrentar e o pensamento como rebuçado do diabo. Só que assim não vai longe. As últimas sondagens são um aviso e uma espada de Dâmocles. Ou se auto-imbeciliza um pouco ou perde a eleição. Os Estados Unidos da América elegeram (mais ou menos) e reelegeram um tipo primário e evidentemente burro, que os distraiu com pantominas inenarráveis enquanto os sócios sugaram o que quiseram e brincaram à omnipotência, à arrogância e à impunidade com que os deuses menores se brindam. Se Obama precisar de chegar (e precisa) a muitos dos eleitores que acharam, ao longo de quase uma década, que estavam a ser bem conduzidos, vai ter de simplificar o discurso, apostar na lógica mais básica e ter em conta que, para esses, Estaline nunca chegou a morrer, apenas salta de carcaça em carcaça, umas vezes mais dissimulado que outras (é preciso estar atento, ou melhor, delegar essa função em quem consegue reconhecer o espectro do papão, seja qual for a forma que este assuma, mais bigode menos turbante). Vai ter de render-se à evidência de que aquele pessoal funciona na base da projecção para o exterior e para a diferença dos seus próprios temores de aniquilamento esquizo-paranóides e, como consequência, do messianismo e da salvação triunfante. Para vencer, Barak Obama terá de enganar o seu povo.”

    Meu caro, este texto não idealiza Obama? Ou será que valoriza o Partido Republicano? Acredito que independentemente do que pensa consegue ter uma opinião objectiva. Mas não deu a entender…

    Voltando a Palin:
    Sarah Palin teve uma entrevista aceitável, tendo sido considerada por quase todos os analistas independentes como tal. Passou no teste das expectativas, nao cometeu nenhuma gaffe terrível, e respondeu ao que lhe foi perguntado. Não percebo o incómodo com isso. Se tinha um guião pré-definido? Obviamente que tinha. Se esteve dias a ser preparada? Claro que sim. Mas será que qualquer político recém chegado à arena nacional não passa por estas fases? Em politica analisa-se as prestações dos políticos, tentando-se fazer uma projecção dos possíveis efeitos no eleitorado. Ou seja, se será prejudicial ou pelo contrário, terá efeitos positivos nos eleitores. É isso que é analisar uma campanha eleitoral, pelo menos é isso que discuto neste blogue. Não se Obama realmente vai curar os males “energéticos” dos Estados Unidos em 10 anos, ou se Mccain irá conseguir reduzir o défice sem aumentar os impostos. O que me interessa, novamente, é verificar as estratégias, os instrumentos e as mensagens da campanha. Não percebo a sua dúvida de percepção…

  13. Oh Nuno, de falácia em falácia até à vitória final…

    Em primeiro lugar, dou-lhe razão numa coisa: “este blog pretende analisar as estratégias, instrumentos e mensagens da campanha”. Nesse sentido, pode perfeitamente ficar-se pelo que fez com a análise à entrevista da Palin. Mas, mesmo nessa perspectiva, poderia (deveria, em meu entender) ter ido mais longe, exigir mais de si próprio, porque nem todos os eleitores americanos se ficam pela superfície. Não os subestime tanto, embora me acuse a mim de o fazer.

    Ponto 2: Ir buscar um texto meu a um blog, sem qualquer referência a isso e sem que o texto em causa tivesse qualquer relação com o que aqui discutimos é… um rude golpe. Em si próprio. Se eu fosse esventrar o Virtualidades e me servisse do que lá escreve para lhe provar que o Eleições Americanas 2008 é parcial, não faria sentido nenhum para esta discussão, ou faria? A alteração de contexto dá direito a prisão perpétua, no país da retórica limpa.

    Só uma pequena nota, já que fez o favor de publicar um texto meu: quando escrevo que o ‘discurso do Obama podia ter saído daqui’, não me refiro ao meu blog; falta-lhe o link, que consta no original, para o site da série West Wing.

    Quanto à idealização do Obama: não me parece que no texto o esteja a idealizar (apesar de eu o ter idealizado, na minha cabeça), apenas digo que a inteligência dele o poderá tramar. O Nuno reconhece-lhe uma inteligência muito acima da média, ou não? E que isso poderá ser contraproducente em termos de comunicação com as massas…

    Também o desafio a dizer-me em que linha dos meus comentários eu me afirmo imparcial ou objectivo. Antes pelo contrário, digo aí algures que a ‘realidade’ não existe, que tudo é mediado, inclusivamente apenas pelas nossas cabeças.

    Terá de se esforçar mais para me levar a discutir aquilo que você quer que eu discuta, afastando-nos daquilo que realmente está em causa, nesta caixa de comentários. Ou então não se esforce, de todo, e ficamos por aqui.

  14. De facto poderia e deveria ter referido que esse texto era do seu blogue e em relação a um discurso de Obama.

    Eu sei bem o que pretendia discutir, mas não estou para ai virado. Estou aqui para analisar as campanhas eleitorais. E não comecei há dois meses. Fez há pouco tempo um ano. Até ao momento, quem tem feito melhor campanha tem ganho. Obama foi melhor que Edwards, Biden, Richardson, Dodd e especialmente Clinton. Mccain foi melhor que Romney, Huckabee, Guiliani ou Thompson. E é isso que me interessa: ver quem fez a melhor campanha. Até ao momento, não tenho andado muito longe da verdade. Irei continuar. Por isso é que não arrisco um prognóstico. Ainda. Está tudo muito renhido. E Obama, apesar da genialidade da sua campanha, pode perder mesmo, se não corrigir algumas das falhas das últimas semanas. Como Joe Trippi bem analisou hoje.

    A eficácia de uma campanha politica não se mede pelas cabeças de Harvard. Mas sim pela forma como o discurso político é interpretado pelo cidadão médio. Nos EUA, em Portugal, em Inglaterra ou em qualquer democracia..

  15. Ok, já percebi que só lhe interessam as campanhas. Comunicação; vertente forma. No que funciona e no que não funciona.
    A parte do Republicano é pessoal, mas também… trabalhar com comunicação em política é ser tão parcial quanto necessário.

    Cumprimentos


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