Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 22, 2008

Palin sobre o Irão

Sarah Palin foi convidada para participar num comício anti-Irão, organizado para aproveitar a presença de Mahmoud Ahmadinejad em Nova Iorque. Mas depois de algumas confusões com activistas judeus democratas, Palin foi “desconvidada”, para não politizar a manifestação.

Hoje a Governadora do Alaska publica hoje um artigo de opinião no New York Sun sobre o que diria nesse comício. Nele reafirma a retórica anti-Irão e pró-Israel, tão dominante na vida política americana. É provável que durante esta semana, o nome de Palin seja várias vezes associado a questões de política internacional. Será uma forma de relativizar a sua inexperiência em política externa aos olhos dos eleitores.

A sua maior dificuldade será o debate com Joe Biden, a 2 de Outubro. Tive a oportunidade de ver alguns debates de Biden nas primárias, e confirmo que é um excelente interveniente neste tipo de confrontos. Mas as baixas expectativas em relação a Palin poderão ser uma oportunidade para marcar pontos. Sarah Palin é uma política aguerrida e com muitas “ganas” de vencer. Em princípio, será um mau momento para o ticket Mccain-Biden, mas os democratas não deverão subestimar as qualidades de Palin. Que sigam o conselho de Bill Clinton.


Responses

  1. Caro Nuno Gouveia,

    Não concordo consigo, por acaso. O Joe Biden tem uma certa “tendência” para mandar umas gaffes valentes. É óbvio que será “treinado” até ao limite, mas qualquer coisa que o faça sair do “script” corresponderá sempre a um risco.

    Em termos de política externa, suponho que não é problemático, mas no resto tenho as minhas dúvidas…

  2. Sim. Biden costuma cometer gaffes. Isso é verdade. Mas lembro-me de vê-lo em alguns debates nestas primárias, e foi muito eficaz. É um bom “debater”. Palin fez excelentes debates no Alaska, pelo que li. Mas estar na política nacional não é a mesma coisa. Palin, se for certinha, pode ganhar o debate. Acho que nestas coisas, ultrapassar as expectativas é o mais importante.

  3. Exacto. Na questão dos debates, o facto de um dos candidatos entrar como favorito, pode ser contraproducente. O jogo das expectativas é sempre muito importante.

    Dito isto acho que Palin vai ter uma noite muito difícil. Joe Biden tem um talento natural para os debates. O tipo de declarações embaraçosas que muitas vezes faz, é a dar respostas rápidas a jornalistas, ou quando confrontado com perguntas em town-hall meetings que exigem respostas curtas e incisivas, os tais soundbytes que tanto podem ser uma mais-valia como revelar-se um desastre. Num debate formal não me parece que tenha grande espaço para uma gaffe com consequências.

    Quanto a Palin desconheço completamente. O facto de as expectativas em torno dela serem tão baixas pode vir a ser a sua maior vantagem. Mas desta vez não vai ser só ler um teleponto…

    Em contrapartida o que me preocupa nos debates (querendo que os dems ganhem) é a performance de Obama. Ao contrário daquilo que muitos que não têm seguido com atenção estas eleições pensam, Obama não é particularmente forte nos debates, perdeu-os quase todos para Clinton. Mccain também não tem fama de grande “debater”, mas as expectativas sobre a sua performance não são tão altas.

    Existe uma certa confusão, Obama faz entrevistas e sobretudo discursos brilhantes, mas nos debates não se têm saído tão bem.

    De qualquer forma, o debate de sexta-feira será sempre em terreno teoricamente favorável a Mccain, o “empate” portanto não seria um mau resultado.

  4. Parece-me que por essa blogosfera fora – sobretudo aqui em Portugal (e não especialmente neste blogue) – existe uma certa tendência de menosprezar ou diminuir Joe Biden.

    O Biden “ganha” o debate a dormir. É das poucas coisas nesta eleição que não duvido. Não faço a menor ideia de quem ganhará as eleições, nem faço a menor ideia de quem sairá “vencedor” nos debates McCain/Obama. Mas que Biden será muito mais convincente que Palin no debate entre os dois não me sobram dúvidas.

    As “gaffes” de Biden são reais, sim, mas existem em menor proporção, se quiserem, que as “gaffes” de McCain – veja-se agora o caso com Zapatero e Espanha – ou até que as “gaffes” de Obama.

    Se por “gaffes” se entende alguém desbocado, sim, esse é Biden, desbocado por natureza, confiante até mais não no seu discurso e no improviso. Se por “gaffes” se entende erros grosseiros naquilo que se diz, não devemos estar a falar de Biden.

    Só quem conhece pouco ou nada sobre Biden ou sobre a política americana é que pode julgar que o homem vai desatar no debate a portar-se “mal” ou a dizer disparates. Isso não vai acontecer. Nem sequer vai menosprezar intelectualmente Sarah Palin. Se ser mulher será uma vantagem no debate para Palin – por obrigar Biden a ser menos agressivo do que seria face a um homem -, convém não esquecer o papel decisivo de Biden nesta lei:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Violence_Against_Women_Act

    É uma arma poderosa para usar “contra” Palin. E ainda há o conhecimento enciclopédico de Biden no dossier política externa contra a incógnita Palin na matéria (e em tudo o resto).

    Repito que Biden ganhará à vontade o confronto com Palin – não acredito em milagres, e estar um único mês fechada num bunker republicano a estudar cem temas diferentes com sucesso, para mim, será sempre um milagre.

    Mas também relembro que Dan Quayle na teoria “perdeu” o debate com o experiente Lloyd Bentsen, e George H. W. Bush não deixou de ganhar as eleições de 88 com folga.

  5. Caro Gonçalo,

    Eu “gosto” do Biden em termos pessoais. As gaffes não foi menosprezar ninguém. O problema é que, caso seja apanhado fora do “script” (ex. a responder à Palin – admito que não sei se o debate tolera algume tipo de pergunta resposta) pode sair algo que não seja exactamente o que ele queria transmitir (que é o estilo de “gaffe” do Biden) que pode facilmente ser utilizado como “sound-byte”.

    Como disse noutro post, acho que os Democratas estão francamente mais descansados com o debate Obama-McCain.

  6. Eu não menosprezo Joe Biden, e muito menos em debate. Só que Biden não tem sido tão mediático nesta campanha, o que não quer dizer que não esteja a ser eficaz… Mais tarde veremos se a sua esolha foi ou não uma boa escolha..

    Mas Biden é um bom “campaigner” e um ainda melhor “debater”. Disso não tenho dúvidas…


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