Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 24, 2008

Mccain suspende campanha

John Mccain anunciou hoje que vai suspender a campanha a partir de amanhã e regressar a Washington para ajudar a resolver a crise financeira. Estas declarações surgem numa altura que os dois partidos digladiam-se no congresso para aprovar o plano de recuperação financeira proposto pela Administração Bush. Neste anúncio, Mccain pediu a Obama que faça o mesmo, e que o debate da próxima sexta-feira seja adiado. O candidato republicano apelou a George W. Bush para reunir com os líderes partidários do congresso, e com ele próprio e o Senador Obama para chegarem a um entendimento supra partidário.

A aprovação do pacote financeiro tem sido considerada urgente para resolver a actual crise que grassa nos Estados Unidos, e os partidos têm tido duras negociações. Mas esta posição de Mccain apanhou-me de surpresa. Entendo a sua posição, pois assume pessoalmente o slogan, “Country First”. Suspendeu os comícios, publicidade na televisão e pediu a Obama e Comissão de Debates para adiar o debate da próxima sexta-feira.

Entretanto, Obama ainda não respondeu definitivamente a este pedido, mas demonstrou disponibilidade para regressar a Washington para ajudar à celebração de um acordo. Sobre o debate, a sua campanha informou que Obama pretende estar presente.

Sinceramente, não me parece que Obama possa recusar este pedido de adiamento do debate. Esta jogada de Mccain é arriscada, pois pode ser acusado de não estar preparado. Mas o que Mccain quis fazer foi reforçar as suas credenciais de conciliador no Senado, tentando “coagir” o entendimento entre os partidos. Mccain ainda vai falar durante esta tarde (noite em Portugal).

Adenda:

Mark Salter, conselheiro de Mccain, afirmou que caso o plano de saneamento financeiro seja aprovado no Senado até sexta-feira, não haverá razão para adiar o debate.


Responses

  1. Caro Nuno, tenho em maior conta o Senador McCain. É um homem íntegro, de grande capacidade intelectual. Consideraria fortemente votar nele se fosse americano. Mas neste episódio não me parece haver lugar para dúvidas: esta é uma manobra política e eleitoral pura e simples.

    Não há aqui nenhuma lógica patriótica. Se assim fosse, McCain tinha tomado esta decisão há uma semana. O timing e as circunstâncias mostram claramente que esta é uma reacção (algo desesperada) aos desenvolvimentos da campanha, que retiraram a McCain o protagonismo e a vantagem acumulada nas primeiras semanas de Setembro.

    Isto não faz sentido, repito. Suspender os anúncios televisivos por causa de uma votação no Senado? Sem precedentes. Suspender um debate de hora e meia? Numa sexta-feira à noite? Em que é que isso poderia resolver ou ajudar a resolver a crise económica?

    A jogada é brilhante, reconheço. Põe Obama contra a parede (ou cede e é fraco; ou opõe-se e é anti-patriótico), coloca-se na linha da frente mediática e pode alterar novamente o rumo da campanha. Mas não deixa de ser uma jogada.

  2. Jogada muito arriscada de McCain, talves mesmo seja um acto de desespero, face às ultimas sondagens

  3. Sem dúvida um acto político. De Marketing Político. Nada mais… Pode resultar ou não. Os próximos dias o dirão…

  4. Efectivamente só os próximos dias poderão dizer se resultou. Mas discordo que seja brilhante ou que encoste Obama à parede. É um gesto de desespero político sem substância, mimético da escolha de Sarah Palin. Tem um bounce, e desfaz-se.
    Neste caso McCain procurou a photo op. Nada mais. Porque não se vislumbra (nem qualquer americano medianamente inteligente vislumbrará) o que pode a presença do Senador McCain acrescentar a um debate que ele nem sequer entende. A ideia é forçosamente surgir, de modo, oportunista, ao lado dos líderes que firmarem ao acordo. Para o qual ele em nada contribui. E como disse Obama na press conference: eles ambos têm bons aviões que os colocariam de DC no Mississipi em pouco tempo.
    Uma nota final: com Palin escondida e McCain sem dar uma conferência de imprensa durante semanas, tenho a certeza que os media americanos chamarão a isto o que isto é: um inausitado e imprevisível medo de McCain do debate. A coberto do: country first.
    Pode é suceder, dado que 2/3 do eleitorado está pouco preocupado ou é contra o bail out, que McCain se esteja a associar ao lado errado (acrescente-se que como escrevi hoje no Jornal de Negócios – link pelo blogue) o bail-out é um disparate económico com consequências graves.
    Mas não é essa a questão. Hoje McCain mostrou que deixou o carácter no Vietname.

  5. “Esta jogada de Mccain é arriscada, pois pode ser acusado de não estar preparado.”

    O truque não se deve a McCain, mas mais à falta de preparação de Palin:
    http://politicalticker.blogs.cnn.com/2008/09/24/mccain-camp-to-propose-postponing-vp-debate/

    E parece-me pelas poucas frases soltas que já foram saindo sobre a entrevista de Katie Couric a Palin percebe-se porquê:

    http://marcambinder.theatlantic.com/archives/2008/09/couric_v_palin_on_mccains_reco.php

    COURIC: I’m just going to ask you one more time, not to belabor the point. Specific examples in his 26 years of pushing for more regulation?

    PALIN: I’ll try to find you some and I’ll bring them to you.

    http://www.cbsnews.com/blogs/2008/09/24/couricandco/entry4474691.shtml

    COURIC: If this doesn’t pass, do you think there’s a risk of another Great Depression?

    PALIN: Unfortunately, that is the road that America may find itself on. Not necessarily this, as it’s been proposed, has to pass or we’re gonna find ourselves in another Great Depression. But there has to be action taken, bipartisan effort – Congress not pointing fingers at this point at … one another, but finding the solution to this, taking action and being serious about the reforms on Wall Street that are needed.

    Bem sei que é a minha opinião pessoal, mas Sarah Palin como vice-presidente norte-americana seria uma farsa.

  6. 1Uma esperteza saloia..

    “Obama explicou que foi ele quem pediu primeiro a McCain, nesta manhã, para propor que emitissem um comunicado conjunto.

    Ele ressaltou que quando as duas campanhas estavam trabalhando nos detalhes do comunicado, McCain se antecipou e anunciou que estava cancelando os atos de campanha e solicitando o adiamento do debate”.

  7. Caro Jorge. A.

    I second that.´Mas a jogada de hoje foi uma segunda manobra do tipo “escolha de Palin”: tentar quebrar o bounce de Obama com pó para os olhos. Espero que desta vez os americanos estejam mais atentos.

    O Nuno diz-nos que é marketing político. Acredite que sei disso. Mas o Marketing nunca foi uma ciência. E a mim, nestas eleições, interessa-me mais o conteúdo. A capacidade de vender o conjunto vazio interessar-me-ia se tivesse ido para vendedor. Não fui. O que me aproximou de Obama foi o conteúdo da mensagem (sei que isto deixa meio povo furioso comigo porque acha que a mensagem não tem conteúdo e outro meio porque não sou um “registered democrat”, se me permite a metáfora). Mas eu gosto de gente que pensa por si. E McCain está a tentar impedir os americanos de pensarem. Volto a dizer: em http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=332550 explico porque é o bail out um disparate. E porque disse Obama a única coisa acertada sobre o assunto.

    Um abraço,
    Carlos Santos

  8. David Letterman:

    “What are you going to do if you’re elected and things get tough? Suspend being president? We’ve got a guy like that now!”

  9. Acho que está na hora de criar um fundo de apoio à mulher – Free Sarah Palin:

    http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2008/09/free_sarah_palin.cfm

    “The McCain campaign’s decision to sequester Sarah Palin probably has nothing to do with sexism. I suspect it has more to do with the fact that Mrs Palin is not ready for real questions, even from voters at their own rallies, and gets into perilous territory whenever she strays from her talking points (and occasionally refers to the “Palin-McCain” administration). More of a chihuahua than a pit bull, really. As we say in Texas. But according to the McCain campaign, anyone who questions Mrs Palin’s credentials is grotesquely sexist, elitist, or biased.”

  10. “Põe Obama contra a parede (ou cede e é fraco; ou opõe-se e é anti-patriótico)”

    Só que Obama teve uma jogada de mestre. Não se opõe, e até vai a Washington. Não cede. E vai estar no debate. E até diz que um Presidente tem de ter capacidade para resolver vários problemas ao mesmo tempo.


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