Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 25, 2008

Sarah Palin saiu da “redoma”?

Depois de esta semana ter dado uma entrevista a Katie Couric da CBS (onde teve um blackout sobre os esforços de Mccain para regulamentar o mercado de capitais, tendo feito as delicias dos apoiantes de Obama), Sarah Palin esteve hoje à conversa com os jornalistas que a acompanham diariamente. Não tendo dito nada de extraordinário, pode ser um sinal que pretende sair do blackout informativo que tem mantido desde a sua nomeação. E, digo eu, esse silêncio começava a ser ensurdecedor.

Resumindo, Palin reafirmou que concorda com os esforços de George W. Bush na luta contra o terrorismo e com as politicas relativamente ao Iraque e Afeganistão. A sua “afirmação” mais relevante foi o silêncio com que respondeu à pergunta se iria votar em Ted Stevens, o senador republicano do Alaska que está ser julgado por corrupção.


Responses

  1. Se tivesse sido só o “blackout”… A entrevista, que durou uns escassos minutos, foi um desastre. O Nuno tem destacado algumas gaffes de Biden que muitas vezes não passam de frases infelizes, mas no contexto de um discurso político claríssimo.

    O caso de Palin é muito mais grave, porque não só não se lhe conhece uma intervenção consistente sobre coisa nenhuma, como quando há declarações e perguntas reais, a candidata diz coisas absurdas como insistir que tem grande conhecimento de política externa porque o Alasca faz fronteira com o Canadá e fica ao lado da Rússia. O Nuno viu o excerto da entrevista sobre a Rússia? Que conversa é aquela sobre o Putin a olhar para as estrelas e pensar no Alasca?

    Quando ouve aquilo o que é que o Nuno pensa? Que está ali uma grande estadista? Ou alguém com um pensamento estratégico e coerente para o mundo? Não estou a perguntar do ponto de vista analítico/eleitoral. Estou a perguntar-lhe como observador de política. Nenhuma daquelas intervenções o incomodam?

    Um grande abraço!

  2. E se me permite, veja este excerto-resposta à pergunta “o que pensa sobre o bailout”: “That’s why I say I, like every American I’m speaking with, were ill about this position that we have been put in. Where it is the taxpayers looking to bail out. But ultimately, what the bailout does is help those who are concerned about the health care reform that is needed to help shore up our economy. Um, helping, oh, it’s got to be about job creation, too. Shoring up our economy, and getting it back on the right track. So health care reform and reducing taxes and reining in spending has got to accompany tax reductions, and tax relief for Americans, and trade — we have got to see trade as opportunity, not as, uh, competitive, um, scary thing, but one in five jobs created in the trade sector today. We’ve got to look at that as more opportunity. All of those things under the umbrella of job creation.”

    Isto quer dizer o quê? Que o bailout ajuda à reforma do sistema de saúde deixando o governo com menos dinheiro? E o que está aqui a fazer a referência ao comércio e ao emprego? O que é isto?

  3. HOMENAGEM A SARAH PALIN:

    É SÓ TROCAR “BELÉM” POR “USA”

    ASSISTAM O VÍDEO:

    http://br.youtube.com/watch?v=EuNsUVFQihM

  4. Caro JGA,
    Eu também tenho falado nas suas gaffes, e especialmente sobre a ausência de disponibilidade para enfrentar os media. Mas acha que se Sarah Palin tivesse falado sobre a ONU condenar a Rússia pela invasão, não seria crucificada? Muito mais que o seu autor… No entanto, não acho que estas gaffes sejam reveladoras por aí além, pois é normal alguém que fale durante tanto tempo e tantos dias acabe por dizer disparates.. Mesmo dizer que Roosevelt falava à televisão…

    Sarah Palin é governadora do Alaska há dois anos. Chegou há arena nacional há um mês. Ninguém esperaria que uma política com este resumée fosse brilhante em entrevistas, sobre mil e uma questões…Ou que tivesse um pensamento coerente sobre o mundo. Eu pelo menos nunca o esperei, nem nunca o defendi aqui. É evidente que o receio em ter Palin a dar entrevistas não é apenas por questões de estratégia política, mas porque os estrategas do GOP sentem que ela não está pronta para prime-time… E isso levanta sérias dúvidas sobre a sua preparação para o cargo de VP. Nota-se que há coisas que não sabe concretamente sobre o que está a falar, pois está a debitar o que lhe disseram nas últimas semanas. E isso confunde o seu discurso, pois não fala livremente. Mas isso é comum em qualquer político. A diferença é o nível de preparação, pois há os bons e os maus actores.

    Mas as reacções histéricas com que a sua nomeação foi recebida por certos sectores também me diz muito da independência destas análises. E posso dar o exemplo da história do NY Times: fez uma reportagem, aclamada pela histeria colectiva em relação a Palin, sobre a sua acção de Mayor e Governadora. Uma reportagem facciosa, mas que no entanto convenceu muita gente sobre a sua acção governativa. Imagino o que seria virem ao Porto fazer uma reportagem sobre Rui Rio, e ouvissem apenas o Sub-director do JN, o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa, o Senhor Orlando Gaspar e uns mais uns quantos “amigos” dele cá no Porto. Pode-se imaginar o resultado. Uma análise equilibrada exige distanciamento. Coisa que muitas pessoas quando falam de Palin não conseguem ter. Acho que as pessoas deviam ouvir o que Bill Clinton tem dito sobre Palin… Ele percebe as criticas que lhe são dirigidas, melhor que ninguém…
    Não espero de Palin o mesmo discurso que Mccain. Aliás, ninguém espera. A sua escolha foi puramente política. Para convencer os votos dos conservadores e das mulheres nos swing states. Não foi para angariar votos na Ivy League ou San Francisco. Uma campanha política dirige-se ao eleitor médio. É assim nos Estados Unidos e em qualquer democracia. Nós por cá também temos os nossos bons exemplos, como os Classmates da Intel.

    A mim nada me assusta nestes políticos. Biden e Mccain são políticos experientes, com dezenas de anos em Washington. Obama é um líder nato, que esteve oito anos envolvido na politica de Chicago antes de entrar em Washington em 2004. Já teve a preparação necessária para enfrentar e derrotar uma Clinton, uma tarefa gigantesca. Palin é uma novata. O Alaska não é o Illinois. Apesar de ser uma governadora popular no seu estado, com índices de popularidade acima dos 80% (agora menos) quando foi nomeada. Por isso, se quiser uma opinião pessoal, actualmente não está preparada para assumir o cargo de VP. E isso pode vir a prejudicar Mccain. Não tenho dúvidas. Mas continuo a dizer o que disse aquando a sua nomeação: foi uma escolha arriscada, mas pode funcionar. Caso Mccain vença e depois tenha algum problema (morra), haverá sempre Robert Kagan. Os EUA já tiveram como Presidente um lavrador do Missouri e um actor de segunda da Califórnia. E não se deram mal… Há que ter calma e ver o veredicto dos americanos.

    Sinceramente não gosto de fazer o papel de defensor de ninguém. Muito menos de Palin.

    Abraço

  5. Subscrevo as suas conclusões, caro Nuno. No início também me senti tentado a demonizar Palin, mas recuei e nesta altura também acho que é apenas uma pessoa bem-intencionada que, contudo, tem pouca preparação política e foi lançada aos lobos antes de tempo. Foi uma interessante jogada eleitoral, mas na prática espero que Palin não seja (ainda) Presidente americana, pois não está preparada.

    Obrigado pela resposta cuidada e simpática. A sua atenção com os seus comentadores é uma das razões pela quais este blogue é especial. Obrigado e um abraço!

  6. Sobre o segundo comentário,

    “veja este excerto-resposta à pergunta “o que pensa sobre o bailout”:”

    Só agora o li, pois tinha-me escapado..

    De facto essa frase é de uma confusão extrema, cuja finalidade não se percebe nada… Não vi a entrevista, apenas vi uns trechos, mas acho que Mccain teve sorte em ter a atenção virada para outros assuntos neste momento… Isto poderia tornar-se muito embaraçoso…

    Abraço

  7. A este respeito só tenho a comentar o seguinte.

    O republicano Joe Scarborough, ex-membro do congresso e actual apresentador na MSNBC do programa Morning Joe, onde muitas vezes expressa a sua perspectiva conservadora, confirmou hoje que a preocupação dos republicanos com o debate de Sarah Palin com Joe Biden é neste momento extrema.

    Para além do habitual ensaio geral para o debate ter sido desastroso, sabe-se agora que entre as perguntas não emitidas da entrevista com Katie Couric da CBS, uma das perguntas a Sarah Palin foi a seguinte: “what’s the worst thing Dick Cheney did?”.
    A senhora respondeu: “Shooting his friend with the gun”.
    http://www.dailykos.com/story/2008/9/26/81617/1783/155/611072

  8. Todo esta estrategema de Maccain consiste precisamente em salvar a Palin, pois escolheu -a em cima do joelho. Persiste um enorme sentimento de frustação entre os republicanos.

    A verdade seja dita: em termos eleitorais poderá ajudar alavancar Mccain. Mas como VP e, como Presidente, havendo vacatura do lugar, seria um descalabro para América.

    A outra falácia tem a ver com “country first”. Mccain quer ser a todo custo P da América, escolhendo alquém que lhe assegure apenas a sua eleição. Na eventualidade da sua eleição, Palin será apenas mais uma corta fita…

  9. Nuno, argumentar que as gaffes de Sarah Palin não são graves porque são normais em alguém que está há pouco tempo na política é disparatado. Ela está a concorrer ao cargo de vice-presidente dos EUA (e, pegando na expressão da Economist, ficar a «one 72-year-old jump» da presidência). Só porque Bidden tem imensa experiência, não pode ficar sob um escrutínio mais intenso que Palin. Aliás, em termos absolutos, as gaffes de Palin são bem mais graves que as de Bidden. Por uma razão simples: aquilo que passa de qualquer coisa que não tenha sido escrita para ela é o facto de ela não ter a mínima ideia sobre seja lá o que for.

    Como referiste várias vezes, Clinton quer é espetar as suas alfinetadas em Obama, por isso é que diz o que diz sobre McCain e Palin. Como tal, usá-lo como exemplo de nada serve.

    Já agora, como disseste bem, Palin está a ser protegida pelo GOP por forma a evitar dizer ainda mais asneiras (na realidade não são asneiras, é antes um vazio absoluto), só que isso não se coaduna com escreveres «é normal alguém que fale durante tanto tempo e tantos dias acabe por dizer disparates». Ela simplesmente não fala. Os jornalistas queixam-se que ela nem sequer fala com eles em viagem (coisa que McCain faz muito e que Obama faz regularmente, se bem que dentro do “schedule” dele e menos que McCain).

    Antes eu subscrevia a tese de Palin ser uma óptima candidata a VP e uma má VP. Neste momento creio que ela seria uma óptima candidata a VP apenas e só se fosse anunciada a uma semana das eleições. Após esse tempo, ela só parece estar a aumentar os riscos de uma implosão completa. Só falta um dia destes surgir um caso Thomas Eagleton, se bem que os spin-doctors republicanos poderiam salvar a situação.

  10. Caro João André,

    «é normal alguém que fale durante tanto tempo e tantos dias acabe por dizer disparates».

    Essa frase era sobre as gaffes de Obama, e já agora, também de Biden. Não me estava a referir a Palin, que apenas deu 3 entrevistas e teve uma conversa com jornalistas.

    E concordo que a Palin começa a tornar-se um embaraço para a campanha de Mccain. Um Thomas Eagleton ou um Dan Quayle…


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: