Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 27, 2008

Os temas desta noite

Mais de três mil jornalistas estão credenciados para o debate desta noite. Milhões de americanos vão segui-lo em casa, e acredito que outros tantos milhões vão assisti-lo em directo pelo mundo fora. O debate vai durar 90 minutos, e inicialmente estava previsto que fosse exclusivamente sobre política externa, mas os candidatos concordaram abordar também a crise económica, o tema do momento.

John Mccain parte numa posição muito fragilizada. O Iraque, o Afeganistão e a luta contra o terrorismo deverá dominar a agenda desta noite. O candidato republicano poderia retirar dividendos, pois é considerado pelos americanos como o mais capaz para ser Comandante em Chefe. A guerra no Iraque parece ir no rumo certo, depois da “surge” apoiada desde o inicio por Mccain e criticada por Obama, poderia dar esta noite um novo impulso à candidatura republicana. Mas ninguém acredita que o foco das atenções dos eleitores se desvie da economia. E por isso será preciso um Mccain muito afirmativo esta noite. Os candidatos têm posições substancialmente diferentes nestas matérias. E apesar de considerem que Mccain é o mais bem preparado, os americanos até concordam mais com as posições de Obama em política externa. E isto também pode ser uma janela de oportunidade para o Senador do Illinois.

Outra dos temas em cima da mesa será o comércio livre. E aí, a posição proteccionista de Obama poderá lhe ser prejudicial, pois a maioria dos americanos é free-trade. As relações com os países “inimigos”, como Venezuela e Irão, serão também abordados. Por fim, espera-se que se discuta a relação dos Estados Unidos com a Rússia, e com a “Nova Europa”. . Nestes temas prevejo que ambos tentarão demonstrar que são os mais “duros”.

Mas, mais do que a substância dos argumentos, o que vai decidir o vencedor desta noite é o estilo e os pormenores. Claro que ninguém perdoará gaffes ou erros de análise escandalosos. Mas pormenores como uma piada bem metida, uma resposta dúbia ou uma hesitação poderão determinar o resultado deste debate. Como sempre acontece nestes momentos. A pressão está do lado de Mccain, e Obama apenas precisa de não cometer gaffes, estar seguro de si e responder de forma convicta que poderá sair da Universidade do Mississippi como vencedor. Daqui a uma hora inicia-se o confronto.


Responses

  1. Caro Nuno,

    “Outra dos temas em cima da mesa será o comércio livre. E aí, a posição proteccionista de Obama poderá lhe ser prejudicial, pois a maioria dos americanos é free-trade.”

    Na minha opinião, Obama nesse tópico é damagogo e populista, faz querer que tem uma posição um tanto ou quanto diferente daquela que é efectivamente a sua (remeto, por exemplo, para aquele célebre caso da NAFTA e do Canadá aquando da disputa no Ohio – mas basta conhecer as posições sobre o assunto do principal conselheiro económico de Obama, Jason Fuhrman, para perceber que dificilmente Obama acabará por resultar num presidente tão anti-comércio livre quanto isso). Então porquê que Obama insiste no populismo, porque ao contrário do que o Nuno diz, a maior parte dos americanos é, neste momento, contra o comércio livre:
    http://www.cnn.com/2008/POLITICS/07/01/cnn.poll/index.html

    Neste tema McCain é para mim de longe o melhor, mas temo que ao contrário do que o Nuno diz, Obama marque pontos com essa sua posição.

  2. De facto tinha a ideia que a maioria dos americanos fosse a a favor do free trade. Como diz a sondagem, esta é a primeira vez que tal acontece. Nos tempos de crise, as pessoas viram-se contra o estrangeiro…

    Abraço

  3. “Nos tempos de crise, as pessoas viram-se contra o estrangeiro…”

    Exactamente. Basta recordar a crise de 1929 e parte da resposta à mesma com a Smoot-Hawley Tariff Act que aumentou as tarifas para largos milhares de produtos importados – o que, como é óbvio, além de não resolver a crise, acentuou-a. Quem não aprende com a história, está condenado a cometer os erros do passado.

    Por outro lado, em termos da politica de imigração (continuando no tema dos nativos virarem-se contra os estrangeiros demagogicamente), a posição de Obama parece-me melhor que a que McCain aparenta. E fico-me pelo aparenta, porque parece-me que aqui é McCain que é um tanto ou quanto populista só para agradar à base conservadora do partido (reporto-me a quando McCain disse que votaria contra a “immigration bill” que o próprio tentou levar adiante em conjunto com Obama).

  4. De facto, Mccain endureceu a sua posição em relação à imigração ilegal, nomeadamente na altura das primárias. Focalizou o seu discurso em primeiro “segurar” as fronteiras, e depois resolver o problema dos 12 milhões de ilegais. Mas, admito, não me recordo de o ver dizer taxativamente que votaria contra a lei Kennedy-Mccain. Admito que que me possa ter escapado.

  5. “Mas, admito, não me recordo de o ver dizer taxativamente que votaria contra a lei Kennedy-Mccain.”


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