Publicado por: Nuno Gouveia | Outubro 8, 2008

Debate – Reacção

Depois de ter analisado as reacções dos eleitores americanos, mantenho a minha visão sobre o debate de ontem à noite: Obama venceu. Ao contrário do primeiro debate, onde a maioria dos analistas políticos americanos vaticinaram uma vitória de Mccain, ao contrário do que as sondagens indicaram, desta vez, houve consonância entre analistas e eleitores.

O debate foi aborrecido. Tom Brokaw, jornalista que admiro, não fez o melhor trabalho. Afinal de contas, este deveria ser um Town Hall Meeting, e o seu protagonismo deveria ser entregue aos eleitores presentes. E outra coisa: as perguntas que escolheu foram, quase sempre, previsíveis, enfadonhas e repetitivas. Foi quase uma repetição do primeiro debate, com as mesmas perguntas de sempre. Se há três debates diferentes, deveriam incidir sobre outros temas e outras questões. O José Gomes André apontou, e bem, que haveria outros temas, ainda não discutidos nesta campanha, que deveriam ter estado na ordem do dia. Religião, Assuntos Sociais, Educação, Imigração, América Latina, Aliança Transatlântica, uma série de questões que os candidatos raramente abordam durante os seus soundbytes, mas que ontem poderiam ter sido obrigados a falar. A moderação não o permitiu.

Em relação ao debate propriamente dito, escrevi previamente que não esperava grandes alterações na corrida eleitoral. E foi o que aconteceu. Mccain tentou atingir Obama, mas raramente o conseguiu. O candidato democrata acabou por estar muito confiante, indício de quem vai à frente. Ele sabe que neste momento apenas precisa de não cometer erros e manter a rota traçada. E, ao fim de dois debates, começa a revelar-se, aos olhos dos americanos, competente para assumir a liderança do país, algo que muitos eleitores ainda não estavam convencidos.

A quatro semanas das eleições, Obama está numa situação muito confortável. Perfeitamente imaginável há um ano relativamente ao candidato democrata, mas pouco previsível ainda há um mês atrás.

O próximo debate será sobre política interna. Será que vão voltar a falar dos mesmos assuntos? Esperemos que não…


Responses

  1. Obrigado pela referência, Nuno. Eu acho simplesmente inacreditável que numa campanha tão longa e tão escrutinada, ninguém fale da educação ou da imigração, por exemplo, como bem referiu. É surreal. São dois temas centrais na política americana e que vão marcar o século XXI. E todavia só se fala da corrupção em Wall Street, do offshore-drilling e de caçar Bin Laden. Tudo temas interessantes, sem dúvida, mas que não podem esgotar o debate político…

  2. vou repetir a realidade factual:
    os americanos preferem cowboiadas… e n de coisas importantes…preferem populismos e não coisas realistas. Sempre foram assim.

  3. Para o Fontez,

    e nós somos diferentes? Já prestou atencao para as campanhas que existem no nosso pais?

    Mania de acusar os americanos dos mesmos males que nos padecemos como se fossem eles os unicos a os ter.


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