Publicado por: Nuno Gouveia | Outubro 14, 2008

Crítico de Bush ganha prémio Nobel

Apesar de ser conhecido mediaticamente pelos seus artigos no New York Times, Paul Krugman é também um académico respeitado na área da economia. Deverá ter sido por isso que lhe foi atribuído hoje o Prémio Nobel da Economia, mas ninguém pode esquecer que Krugman tem sido, ao longo dos últimos oito anos, um dos críticos mais ferozes da Administração Bush. E a Academia sueca tem por hábito dar conotações políticas aos seus prémios.

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Responses

  1. Discordo. Na literatura ou na paz é inevitável. Na economia seria absurdo: o ano passado o prémio teve a ver com o desenho de sistemas de incentivos, um tema puramente técnico. Há dois anos a teoria dos jogos: matemática pura. Acho um pouco teoria da conspiração dizer que se deu o prémio a Krugman por ele apoiar Obama – defendi isso ainda hoje em entrevista em http://ovalordasideias.blogspot.com/2008/10/entrevista-ao-up-tv-canal-sobre-paul.html. Krugman fez um trabalho fundamental na teoria do comércio internacional intra-industry e teve um relevo único no lançamento da Nova Geografia Económica. Hoje pode ser uma media star. Mas além do NYT ele publicou muito e bem antes disso.

  2. Caro Carlos,

    Este post limita-se a referir que o prémio nobel foi entregue a crítico de Bush. O que é verdade. E especula sobre uma potencial mensagem política da Academia Sueca. Aqui, talvez não tenha razão de ser.

    Pode ser teoria da conspiração, e eu não gosto deste tipo de teorias. Mas temos que admitir que pode levar a este tipo de raciocínio, como você próprio admitiu:

    “o comité correu um risco razoável ao permitir que se pensasse isso mesmo: haveria outras escolhas, muito mais neutras, que mereceriam aprovação académica, e seriam insuspeitas”.

    Por clareza para os leitores que não leram a entrevista, você acrescentou que “Se houve uma mensagem política, a meu ver foi esta: lembrem-se da importância do comércio internacional para o bem-estar das populações”.

    Abraço

  3. Este prémio tende a ser, realmente, mais apolítico, especialmente porque a economia é apolítica como poucas outras ciências (eu nem gosto de lhe chamar ciência). Só duas referências: o prémio não é exactamente “Prémio Nobel da Economia”, embora seja conhecido como tal. Outra referência para o facto de o prémio ter sido de certeza absoluta entregue por Krugman ser um académico respeitado (e nada a ver com o facto de ser colunista do NYT).

  4. Paul Krugman recebeu o premio nobel de economia é porque mereceu o tal premio. Ele criticou o presidente Bush, tem seus motivos, aliais todos nós temos é basta ver o que está a passar com a economia mundial.

    Por isso apelava todos Americnos para Votarem no Senador BARACK OBAMA. Ele vai melhorar o mundo. Omundo está precisar dum HOMEM como Obama.
    Abraço
    Diamantino – Cabo verde

  5. Algumas precisões e correcções.

    1. É óbvio que a economia não é ciência (cavaco disse que anadavam comprando gato por lebre e a bolsa estourou. nunca nenhuma ponte caiu por dizerem que o betão era areia)

    2. É óbvio que é a Economia não é, de todo, política. Comparem-se as medidas de Friedman com as de Keynes.

    3. O “nobel” da Economia é atribuído pelo Banco da Suécia (ou o equivalente escandinavo ao nosso Banco de Portugal) e não pela Academia Nobel. Começou a ser atribuído na década de 70 (salvo erro, basta ir confirmar ao sítio deles) em honra de Alfred Nobel, mas não faz parte da lista inicial, nem resultou qualquer decisão de upgrade do comité que dirige a fundação do homem dos explosivos.

    4. Os que acusam o comité Nobel de atribuir prémios com base em conotações políticas querem regra geral de acusá-los de ser de esquerda. Ou não conhecem a história do Prémio ou preferem esquecer-se da atribuição a Kissinger, Churchill, Soljenitsin ou Brodski. É que isso pode lixar-lhes um bocado a acusação – que também costuma justificar o facto de pela enésima vez o Roth e o Vargas Llosa não terem sido escolhidos por Estocolmo – mas não deixa de ser um raciocínio falacioso.

    5. Quanto ao facto de desta vez o “nobel” da Economia ter ido para um crítico da asministração Bush, há uma pergunta que vale a pena pôr: E das vezes todas – quase todas – em que foi parar às mãos dos defensores e teóricos do neoliberalismo? Contem lá as vezes que o prémio foi parar à escola de Chicago, que depois conversamos.

  6. mais acima no ponto 2. era óbvio que queria dizer que a economia pode ser muita coisa. apolítica é que não.

  7. Meus caros,

    Este não é o espaço para isso. Mas o debate sobre a ontologia e a metodologia da economia é longo. O que está consensualizado é:
    – o facto de a Economia ser uma ciência (porque as leis económicas são passíveis de refutação empírica);
    – o facto de a Economia ser apolítica contrariamente ao que diz nm. No Século XIX havia necessidade dessas parangonas: e o Marx falava em Economia Política, bem como o David Ricardo. Ou o Stuart Mill. No século XX, e com Chicago, a Economia mudou muito enquanto ciência e deixou de ser política: desde logo porque o problema de saber qual o modelo mais eficiente de leilão de um mercado de flores, dificilmente é um problema político.
    Duas notas extra:
    – Nuno, acredite que eu não teria dado o Nobel ao Krugman. Não por ele ser amigo ou adversário do Bush. Acho que isso foi uma forma mediática de vender o Nobel nos telejornais desse mundo fora. Mas porque há muito que o Krugman se afastou da investigação académica. Publicar no NYT não é nada. Há revistas científicas sujeitas à avaliação dos seus pares. Eu construo o meu CV académico pelo que publico aí, não na blogosfera. E como eu disse na entrevista: O Krugman tornou-se o mais mediático dos economistas. Isso impediu-o de continuar outras coisas.
    – Quanto ao JA: para si existe Ciência Política? Eu não acredito em coisas que têm que se chamar a si mesmas ciência. A economia deixou-se disso no séc. XIX. Para mim, se a política fosse uma ciência, não tinha que o dizer.

  8. Carlos Santos, Recorrer à escola de Chicago par dizer que a Economia é apolítica é só por si um tratado acerca do carácter político dessa declaração. Dizer que está consensualizado também não ajuda nada: Também a lógica económica que nos trouxe à crise com que Obama ou MCcain terão de lidar estava e os resultados estão bem à vista. Na Católica e na Nova não se ensina História Económica, mas bem falta fazia.

  9. Caro Carlos,

    Concordo consigo. Este não será o melhor espaço para discutir este assunto. Mas leio com muito agrado as várias leituras sobre este Nobel nestes comentários.

  10. Um post muito certeiro.

    Para quem tem fé nos critérios exclusivamente científicos para a atribuição do Nobel, veja a controvérsia que houve dentro da Academia Sueca aquando da decisão de escolher John Nash – tudo devido às suas experiências homossexuais, anti-semitismo e esquizofrenia (ainda hoje escrevi sobre isto) – tudo coisas, claro, muito relevantes do ponto de vista académico.

  11. NM, deixe-me contradizê-lo: na Católica tive História do Pensamento Económico e duas cadeiras de História Económica.

  12. Carmex, e na Nova também terão. Mas o que é que depois fazem com elas que dá a impressão que só os Ricardos, os Haseks e os Friedmans é que contam?

  13. Nuno Magalhães, pode criticar o que os professores dão nas Macros (no meu caso os modelos de Real Business Cicles, neo-clássicos) ou Economia Internacional ou… Mas em História do Pensamento Económico dei os autores mais relevantes desde Adam Smith, incluindo Keynes e discípulos.


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