Publicado por: Nuno Gouveia | Outubro 15, 2008

Ultima oportunidade para Mccain ?

O terceiro e último debate é a derradeira oportunidade de John Mccain alterar o estado da corrida. Com um atraso nas sondagens que varia entre 4% (Reuters) e 14% (CBS), e com o mapa do colégio eleitoral a ficar cada vez mais azul, Mccain está em risco de partir derrotado para 4 de Novembro. Algo que não acontece desde 1996 para um candidato republicano.

Como sempre afirmei, são os independentes que vão decidir estas eleições. E foi por isso que John Mccain foi o escolhido pelo seu partido. Mas nas últimas semanas, principalmente depois de a crise ter atingido as primeiras páginas dos jornais, o candidato republicano tem agido de forma errática e partidária, o que seria compreensível numa época de primárias, mas quase suicida a tão pouco tempo das eleições. A carreira do Senador do Arizona assenta num percurso independente e até de conflito com o próprio partido. Mas, ao fazer as pazes com a base conservadora, Mccain alienou o respeito e consideração dos independentes. E são estes que estão a fazer a diferença nas sondagens.

Barack Obama, que tem sabido aproveitar as oportunidades que o actual contexto lhe ofereceu, conseguiu fugir das armadilhas à sua esquerda, e posicionou-se como um candidato centrista e moderado, bem ao gosto deste tipo de eleitores. Defende Israel com vigor, promete esmagar a Al-Qaeda e matar Bin Laden, reuniu-se diversas vezes com líderes religiosos, esteve contra a decisão do Supremo Tribunal de considerar ilegal a pena de morte para violadores, e até tem sido uma voz na defesa da Segunda Emenda. Obama, para chegar à Casa Branca, sempre soube que não poderia ser uma encarnação de George McGovern ou Michael Dukakis. Daí o seu sucesso. Se vai governar à esquerda, como o acusam os seus detractores republicanos, ou ao centro, ao estilo de Bill Clinton, não sabemos. Mas a sua campanha tem sido direccionada ao centro, e é por isso que está a ganhar.

Barack Obama tem a tarefa mais facilitada. Para esta noite lhe correr bem, precisa de evitar cometer gaffes, manter a serenidade e confiança demonstrada dos outros debates, e focar-se em transmitir a sua mensagem. Esta a jogar à defesa, e se emergir novamente como vencedor, será muito difícil perder esta eleição.

John Mccain precisa de ganhar, e dar um novo rumo à sua campanha. Terá de atacar, mas não poderá ser muito agressivo. Se mostrar-se um candidato zangado e furioso, isso irá virar-se contra ele. Precisa de apresentar o seu caso aos americanos, exibir Obama como o candidato errado para liderar a América nestes tempos difíceis, e direccionar esta campanha para assuntos de segurança nacional. Se esta noite não conseguir convencer os eleitores independente indecisos, ou pelo menos, lançar a dúvida sobre a sua decisão de voto, provavelmente será derrotado a 4 de Novembro.

O debate desta noite na Universidade Hofstra, em Nova Iorque, será a ultima vez que os candidatos falarão directamente para milhões de eleitores. A economia será mais uma vez peça central na discussão, e ao contrário dos últimos dois debates, os candidatos irão estar sentados frente-a-frente. E há a expectativa que este confronto seja mais interessante que os anteriores. O moderador será Bob Schieffer, da CBS News, e este já prometeu que irá suscitar questões que interessam aos eleitores indecisos, indo mesmo a pormenores específicos, para obrigar os candidatos a explicarem algo mais que generalidades e os talking points. Aguardemos mais umas horas!


Responses

  1. O apresentador Lucas Mendes do programa Manhattan Connection da GNT, Tv à cabo da Globo tem uma teoria real chamada efeito Bradley: eleitores mentem nas pesquisas e na hora H não votam em candidatos negros.

    Matéria do jornalista apresentador:
    (O nome vem de uma eleição em 1982 para governador da Califórnia. O prefeito negro, Tom Bradley, de Los Angeles, era favorito nas pesquisas mais ou menos com a mesma margem que Obama tem hoje. E perdeu.

    O mesmo efeito foi usado para explicar derrotas de Harold Washington na campanha para prefeito de Chicago em 83, do prefeito David Dinkins em Nova York em 89, e Douglas Wilder na disputa para governador da Virgínia no mesmo ano.)

    O detalhe fundamental nesta pertinente porém imprecisa teoria é que a situação de Obama é muito, mas muito diferente destes aqui sitados. Acredito que se o racismo pesa, certamente na hora de furar o nome do candidato será difícil até pro mais conservador Republicano a favor de Bush. O efeito PSICOLÓGICAMENTE negativo da hora H é muito maior com os Republicanos. Ele, pensa assim: Por que vou sair do meu trabalho pra votar no MacCain? Nem sei se vou ter meu emprego até o final do dia! Ele que se vire com sua artrite mental!

    Abraço à todos!

  2. Nuno, não imagino qualquer cenário em que McCain consiga mudar o rumo das eleições à custa deste debate. Ele até pode “golear” Obama que não mudará o suficiente. O debate em si só pode servir McCain caso Obama cometa uma gaffe descomunal ou caso McCain apresente algum facto escandalosíssimo sobre Obama a que este não dê resposta. Seria necessária uma performance Palin com gaffes inacreditáveis por parte de Obama e uma performance à Reagan por parte de McCain para o rumo mudar neste debate.

    Onde McCain pode mudar o rumo é apenas e só com algum escândalo imenso que surja nas próximas três semanas. Ou um sucesso descomunal na política externa ou de segurança (apanhar Bin Laden no Iraque é a única que me vem à cabeça que poderia ajudar McCain) para que o rumo mude.

    A única outra alternativa é o fenómeno racista a manifestar-se no dia das eleições. Ainda assim, como as coisas parecem estar (segundo as sondagens, mas lembremos que também falharam clamorosamente em prejuízo de McCain nas primárias) não me parece que fosse suficiente. Mas nunca se sabe.

  3. Olá Nuno,

    Deixo aqui o link de um texto, publicado no site da CNN, sobre Sarah Pallin.
    http://edition.cnn.com/2008/POLITICS/10/14/martin.campaign/index.html

  4. Cristina,

    Peço-lhe desculpa por o seu comentário não ter aparecido logo, mas alguns comentários vão parar ao spam, e por isso só ficam visíveis quando vou lá ver e os desbloqueio.

    Por acaso ontem tinha ouvido o Roland Martin, no 360 falar sobre o tema que escreveu. Como disse esta semana Bill Kristol, a campanha de Mccain precisa de liberar Palin. Se isso, será quase impossível torná-la num factor positivo nesta campanha… Falar para a base é muito pouco para um candidato… A dúvida é se tem capacidade para isso…


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