Publicado por: Nuno Gouveia | Outubro 21, 2008

Obama milionário

O candidato democrata terminou o mês de Setembro com 133 milhões de dólares para gastar, depois de ter angariado mais de 150 milhões. Até ao momento, Barack Obama já obteve mais de 600 milhões de dólares, sendo que, por exemplo, nos dois últimos meses já angariou mais dinheiro que Hillary Clinton ou John Mccain desde o inicio da campanha. Para o Boston Herald, a forma como funciona a campanha de Obama apenas pode ser comparada a grandes corporações.

No mês de Setembro gastou cerca de 96 milhões de dólares, sendo que a maior parte foi gasto com publicidade e viagens. Comprou espaços comerciais no valor de 65 milhões de dólares, e investiu 5 milhões em viagens para o seu staff. Os pagamentos a recursos humanos custaram-lhe cerca de 3 milhões. Entre outros gastos estão sondagens (1,1M), correios (1,8M) e publicidade imprimida e online (3,3M). Por fim, gastou cerca de 1 milhão na produção dos comícios e 1,2 milhões em cartões de crédito.

Eu acho que uma das poucas linhas de ataque que resta a John Mccain é precisamente a ostentação da campanha democrata. Agora que estes números têm sido amplamente divulgados pela comunicação social, os republicanos deveriam estar a utilizar este argumento. Mas apenas vi Lindsay Graham a faze-lo esta semana na Pennsylvania. Foi a primeira vez, desde 1972, que um candidato recusou o financiamento público na eleição geral. Obama tinha prometido aceder a este financiamento e mesmo chegar a um acordo com John Mccain. Mas quando verificou que estava à frente da máquina de fazer dinheiro mais fabulosa da política americana, sentiu-se compelido a aproveitar esta oportunidade. Verdade seja dita: Haverá algum político que não o faria?


Responses

  1. Acho que o George H. Bush também não usou o finaciamento público numa das suas campanhas.

    Quanto à pergunta final, claro que qualquer político que dê valor à sua palavra recusaria a oportunidade milionária; não o fazer é vender os princípios. Mas isto tem uma vantagem: ninguém pode dizer que se enganou com Obama e que acreditou mesmo numa espécie de high politics.

  2. Cara MJM,

    Eu já li algumas vezes que desde o escândalo de Watergate que todos os candidatos optaram por ter financiamento público na campanha para a general election… Mas não sei se é verdade…

    Essa de Obama ser um Messias da política, como sabe, também nunca me convenceu.

  3. Caro Nuno,

    mas uma verdade seja dita. Neste caso, Obama optou pelo modelo de financiamento que deve vigorar (e que passará a vigorar) numa sociedade capitalista, enquanto McCain optou pelo modelo socialista (e depois chama socialista ao outro). Claro que da inconsistência na decisão, Obama não se livra.

  4. Cara Carmex,

    “Quanto à pergunta final, claro que qualquer político que dê valor à sua palavra recusaria a oportunidade milionária; não o fazer é vender os princípios.”

    Concordo consigo. Mas na questão dos principios ambos os candidatos tem telhados de vidro.

  5. Aliás, se a questão dos principios fosse verdadeiramente importante e relevante para o eleitorado, pelo menos, nas primárias republicanas teria sido Ron Paul o vencedor. A pergunta relevante será mesmo se existe algum politico mainstream que nunca, em momento algum, tenha violado de alguma forma os seus principios.

  6. Não sei se o sistema de financiamento público de uma campanha eleitoral é socialista. É questionável a influência negativa que o dinheiro poderá ter na política. Por alguma coisa os americanos andaram tantos anos às voltas à procura de um sistema de financiamento que reduzisse o poder dos lobbys e grandes corporações. Aliás, esse esforço foi em grande parte conduzido por Mccain nos últimos anos, e que muitos dissabores lhe trouxe no seu partido.

    Eu, pessoalmente, prefiro um sistema de financiamento privado dos partidos políticos, com regras claras e limites pré definidos. A lei do financiamento americano parece-me correcta portanto. Apenas teria que haver uma maior fiscalização das doações, pois quando se limita o escrutínio público a contributos superiores a 200 dólares é um convite à fraude. E o financiamento aos partidos propriamente ditos, e especialmente aos grupos 527, que permanecem na obscuridade.

    De resto, Obama optou por este sistema de financiamento, porque tem uma mina de ouro. Fez bem, com os dividendos que está a ter a prova-lo. E acredito que Mccain faria o mesmo se daí retirasse proveitos idênticos. Claro que Obama enganou os eleitores, mas isso é normal em política. Ao contrário do que muitos pensam, Obama it´s just a politician… Muito bom, acrescentaria eu.

  7. Jorge A., tem razão, apesar de este caso de Obama ser muito escandaloso, porque é supostamente um assunto importante para Obama e porque a contrapartida é muuuuuito dinheiro. Além disso, Obama é que se apresenta como diferente e portador de uma maior ética na política.

  8. Nuno, sim, geralmente ouve-se e lê-se isso, que desde a lei de 71 (?) todos os candidatos menos Obama optaram pelo finaciamento público. Mas já li que GHB não aceitou uma vez. Vou procurar linkes e depois envio-lhe.

  9. Caro Nuno,

    “Não sei se o sistema de financiamento público de uma campanha eleitoral é socialista.”

    Será então o quê caro Nuno?

    “Aliás, esse esforço foi em grande parte conduzido por Mccain nos últimos anos, e que muitos dissabores lhe trouxe no seu partido.”

    Não é por acaso que McCain é tido como um dos mais centristas entre os republicanos.

    “Eu, pessoalmente, prefiro um sistema de financiamento privado dos partidos políticos, com regras claras e limites pré definidos.”

    A questão chave reside na transparência do processo.

    “Por alguma coisa os americanos andaram tantos anos às voltas à procura de um sistema de financiamento que reduzisse o poder dos lobbys e grandes corporações.”

    Como Obama já o provou (e Ron Paul foi o primeiro a provar), é possível nos dias que correm arranjar quantidades extraordinárias de dinheiro sem ter necessariamente de recorrer aos lobbys e às grandes corporações.

    “Claro que Obama enganou os eleitores, mas isso é normal em política.”

    Só os das primárias com Clinton (e mesmo nas primárias Obama logo a partir de Janeiro começou a rever a sua posição). Os da eleição geral não se podem dizer enganados.

    “Ao contrário do que muitos pensam, Obama it´s just a politician… Muito bom, acrescentaria eu.”

    Em caso de dúvida, estaria todo o seu percurso pré-candidatura presidencial para não deixar dúvidas sobre isso. Aliás, não fosse ele um politico, na verdadeira acepção da palavra, e não estaria onde está agora.

  10. “Além disso, Obama é que se apresenta como diferente e portador de uma maior ética na política.”

    A começar logo no dia em usou questões burocráticas para impedir Alice Palmer de ser sua adversária na disputa pelo lugar estadual de Illinois.😉

    http://edition.cnn.com/2008/POLITICS/05/29/obamas.first.campaign/index.html?iref=newssearch#cnnSTCText

  11. Ao contrário do que muitos pensam, Obama it´s just a politician… Muito bom, acrescentaria eu.

    Nuno, repare bem nos números!!! Eu diria que Obama it’s just human! (porque digam o que disserem, qualquer um na posição dele com a perspectiva de conseguir a quantidade de dinheiro que ele consegue, faria exactamente a mesma coisa. Isso não o livra da crítica, mas diminui-a!)

  12. Toda egemonia gera rancor na concorrência. Não tenho dúvidas sobre a legitimidade deste récorde de arrecadação. Já vi pessoas culpando o Obama pela fome do mundo pelo dinheiro arrecadado por sua campanha, mas é claro que isso vem de uma classe intelectual mais rasteira e simplória. Se tivermos que responsabilizar negativamente Obama por esse sucesso financeiro, temos realmente que compará-lo como alguém que tem o poder de “manobrar as mentes com poderes santos”. O nome desse tipo de coisa em alguns lugares é (PROCURAR PELO EM OVO).

    Abraço à todos!

  13. Numa entrevista à CBS, John McCain critica Obama porque, como diz, não aceitou financiamento público, tendo dito que o faria caso McCain também o fizesse.
    Fala também da questão da transparência e diz que após o Watergate é que os candidatos começaram a utilizar o financiamento público, como forma de evitar a corrupção.

    http://impressoesbv.blogspot.com/2008/10/entrevista-de-mccain-cbs.html

  14. Gostei deste link José Francisco.

    Abraço!

  15. Caro Nuno,

    “Eu acho que uma das poucas linhas de ataque que resta a John Mccain é precisamente a ostentação da campanha democrata.”

    Nem por acaso:

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1347125&idCanal=11

    “Segundo registos da campanha eleitoral, o comité nacional republicano gastou mais de 150 mil dólares (mais de 113 mil euros) em roupas e acessórios para a candidata à vice-presidência Sarah Palin e respectiva família, desde que se soube que a governadora do Alaska seria a escolha de John McCain, no fim de Agosto. Ao mesmo tempo, foram também revelados relatórios oficiais do estado do Alaska que declaram o débito de despesas familiares da governadora nas contas do estado.”

    Tiros no pé, caro Nuno, tiros no pé. Nem essa linha de argumentação sobra…

  16. Afinal toda esta questão do financiamento das campanhas (público ou privado),coloca uma enorme QUESTÃO DE MORAL…mas a Moral também tem modas… a política, seja de direita ou de esquerda, é muito habilidosa para manipular a Moral.

    Não era o sonho de milhôes e milhôes que Obama não se tornasse numa nova Questão de Moral? Antes um novo paradigma?
    O início duma “New age”?

    Passei há muito a idade da inocência, para acreditar em messias, venham eles donde vierem.
    A crise vai dar tanto que fazer que Obama dificilmente fará a diferença…estarei enganada? Deus queira…

    Abraços

  17. Lembram sobre o que falei sobre simplismo?

    Abraço à todos!

  18. Pois, não encontrei link nenhum para o que disse do financiamento do Bush1; só encontrei um artigo em que se dizia que Bush e Dukakis angariaram 50 milhões em soft money em 1988 além do financiamneto público; seria isto que eu li?


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