Publicado por: Nuno Gouveia | Novembro 1, 2008

“The real life action hero”

O popular Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, uma espécie rara nos dias que correm no Partido Republicano, esteve hoje no Ohio com John Mccain. Num discurso invulgarmente critico para Obama, o centrista que até já foi referenciado para um possível governo democrata, criticou o plano de impostos de Obama, e ridicularizou o recorde de angariação de fundos de Obama.

É incrível como a campanha de Mccain não utilizou mais vezes a presença do governador da Califórnia, que tem elevados índices de popularidade num dos estados mais liberais da América. Ele até foi um importante apoio de Mccain antes da Superterça-feira, mas depois disto quase nunca mais foi visto nesta campanha. Era para ter discursado no primeiro dia da Convenção, facto que tive muita pena, pois até tinha curiosidade em ouvir ao vivo o Governator.


Responses

  1. “É incrível como a campanha de Mccain não utilizou mais vezes a presença do governador da Califórnia”

    Incrível é usá-lo quando um dos ataques mais fortes (e que na altura teve efeito visível nas sondagens) foi o de associar Obama ao conceito de celebridade. Não há no lado republicano quem encaixe melhor nesse conceito do que Schwarzenegger. Mais, não esqueça o Nuno que a campanha de McCain foi de certa forma hostil a tudo o que era estrangeiro (não me refiro propriamente ao candidato, mas à sua base apoiante) e centrou-se na suposta falta de patriotismo de Obama. Ora, Schwarzenegger nasceu na Áustria e nem sequer concorrer ao cargo de presidente norte-americano pode.

    Não encare o Nuno este meu comentário como uma critica a Schwarzenegger (tenho até simpatia pelo governador da Califórnia), mas é certamente uma critica à campanha de McCain.

    A campanha de McCain foi péssima a gerir a sua mensagem, num dia o lema era centrado na falta de experiência de Obama, no outro dia apresentavam Palin como candidata à vice-presidência.

    Já agora um aparte sobre o comicio de Schwarzenegger. A páginas tantas afirmou que chegou aos Estados Unidos para fugir do socialismo que não garantia oportunidades na Europa. Ora bolas, o homem é da Áustria, for god’s sake.

    O momento, ver aqui, pouco depois do minuto seis:

    E o pior é que uma comentadora como a Gloria Borger na CNN engoliu aquilo e ainda achou um grande momento do discurso, porque dava um ar pessoal à coisa.

  2. Ele é governador do maior estado dos Estados Unidos. Não é um actor mero Hollywood, como as celebridades. Não se esqueça disso. Ele não se notabiliza na política por discursos, mas sim por estar no activo.

  3. Ora caro Nuno,

    o quê que quer dizer com “ele não se notabiliza na política por discursos, mas sim por estar no activo”, Obama por acaso não é um politico no activo há mais tempo do que Schwarzenegger? Obama só se notabiliza pelos discursos? Ou o Nuno já não se recorda de que quando Schwarzenegger concorreu a governador acusavam-no de que a sua entrada na politica devia-se à sua popularidade enquanto actor e/ou ao seu casamento com alguém do clã Kennedy? E nesse aspecto, aceite-se, a ascenção de Obama no mundo da politica foi feita muito mais a pulso firme. Embora, curiosamente, ambos tenham razão num ponto, a história pessoal quer de Schwarzenegger, quer de Obama, tem muito mais probabilidade de ser verificar na américa do que em qualquer outro país do mundo.

    Mais uma vez volto a frisar, este é o tipo de debate argumentativo que detesto. Schwarzenegger pode ser uma celebridade, mas não é por isso que ganhou o cargo de governador da California – ele ganhou o cargo (e manteve-o para segundo mandato) porque apresentou boas ideias e mostrou-se uma pessoa capaz (da mesma forma que defenderei sempre George Bush daqueles que pensam, como Oliver Stone retrata no seu último filme, que este só ganhou porque os americanos viram alí um tipo banal,sem grande inteligência, mas divertido para acompanhar a beber uns copos, e que por motivo de identificação dos eleitores menos letrados com este, conseguiu ganhar as eleições). O meu ponto, e daí ter referido que não era uma critica a Schwarzenegger, não era o de atacar o estatuto de celebridade deste, mas sim o de atacar o argumento lançado pela campanha de McCain que ataca Obama por causa do seu estatuto de celebridade (e como isto podia ter influenciado a não aparição com mais frequência do governador da Califórnia).

    Volto a repetir um ponto já por mim feito várias vezes, inclusive aqui na caixa de comentário do seu blogue, o problema dos republicanos é que há muito deixaram de discutir ideias – nestas eleições abdicaram quase exclusivamente delas. Eu, quando muitos dos que me rodeiam gozavam da ideia de um Schwarzenegger governador da Califórnia (com a tipica atitute europeia de superioridade face aos americanos “ignorantes”), defendi sempre que para gente “inteligente” que eram deviam prestar mais atenção às ideias defendidas do que outra coisa. Para manter a coerência, tenho de fazer a mesma defesa de Obama.

  4. Ora, não percebeu o que disse. Eu estava a dizer que o governador da Califórnia é importante na vida política exactamente porque está no activo. E a comparação não era com Obama, mas sim com as centenas ou milhares de celebridades que estão ao lado de Obama. Por isso, considerar que só porque é uma celebridade, Schwarzenegger não deveria ter sido utilizado pelo republicanos porque iria contra a mensagem republicana não faz sentido. Ele é um político, e o seu peso eleitoral advém daí, e não dos filmes. Aliás, as celebridades, conforme Obama bem percebeu, apenas servem para dar dinheiro e publicidade gratuita no estrangeiro. O seu peso eleitoral é zero. Mais uma vez: excepção Oprah Winphrey.

    Abraço

  5. Caro Nuno,

    “E a comparação não era com Obama, mas sim com as centenas ou milhares de celebridades que estão ao lado de Obama.”

    Então não percebo porque introduz o “não se esqueça disso”. O meu comentário inicial em nada se referia ao Schwarzenegger celebridade vs as celebridades que apoiam Obama. Mas sim ao anúncio de McCain que apelidava Obama como a “maior celebridade do mundo”. A mensagem republicana não passou só por questionar Obama pela sua ligação com celebridades, mas sim por apelidá-lo, dando uma conotação negativa à coisa, como uma.

    Acha mesmo que não existe nenhum problema entre andar a utilizar como arma de arremesso politico que o nosso adversário é uma celebridade, para depois utilizar alguém que, independentemente do mérito que tenha, é efectivamente e sem contestação uma celebridade?

  6. “Ele é um político, e o seu peso eleitoral advém daí, e não dos filmes”

    Tambem vem da imagem de action hero dos filmes. Se nao porque e que o Nuno se referiu a ele como Governator? Foi por algum pacote legislativo que o alcandorou ao titulo de legislator?

    E porque e que na sua campanha ele usava frases como “I’ll be back”.

    O que nao invalida que tenha posicoes interessantes ao nivel de politica energetica e aquecimento global.

    E sera melhor politico ue era actor. Ate ha uma piada contada pelo proprio que diz que uma vez um eleitor disse-lhe ” E tao be=om politico como era actor” ,ao que aArnold retorquiu ” Isso e um elogio ou um insulto?”

  7. Tenho muita coisa a dizer sobre os comentários feitos neste tópico, mas percebo que estou em uma arena de leões e só me resta com sinceridade e léve temor aplaudí-los de pé pela maestria da análise. Este é o melhor Blog ñ somente em língua portuguesa mas, tão bom ou melhor que os melhores blogs jornalístico americanos.

    Abraço à TODOS!

  8. “I’ll be back”.


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